45 DIAS DE GOVERNO E QUEM MENOS GOVERNOU ATÉ AGORA FOI O PRESIDENTE

45 DIAS DE GOVERNO

Em parte por questões de saúde, em parte por falta de habilidade para gerir, o fato é que, até agora, não podemos considerar que Jair Bolsonaro assumiu a Presidência da República pra valer. Contudo, engana-se quem pensa que o país esteve sem governo durante este período. Não! Presidente foi o que não faltou até aqui.

Cercado de nomes experientes e com trabalhos reconhecidos, Bolsonaro é provavelmente o menos qualificado entre os homens mais badalados do seu governo. Sim, alguém pode citar a Damares como exemplo de baixa relação fama-preparo, mas lembremos que ela é Mestre em Educação e em Direito Constitucional e da Família pela Bíblia, o que lhe garante um pontinho à frente do capitão.

Hoje, o comando do país está dividido entre quatro homens: Paulo Gudes, Onyx Lorenzoni, Hamilton Mourão e Sergio Moro. Cada um com sua própria ambição e a sede de mostrar o seu jeito de governar.

Gudes é o homem da economia, o Posto Ipiranga de um presidente que ainda como candidato precisou reconhecer publicamente que não entendia bulhufas de superávit, inflação, dívida pública e outros assuntos que regem o plano econômico de um país.

Não é segredo pra ninguém que Paulo Guedes, diferente dos últimos ministros da Fazenda, conduz a superpasta da economia com liberdade para fazer o que bem entender como nomear um ex-ministro de Dilma pro BNDES e o genro de um empreiteiro preso na Lava Jato pra presidir a Caixa Econômica.

Na sala ao lado, senta-se um Onyx Lorenzoni senhor de toda a articulação política, capaz de indicar seus amigos de partido a cargos importantíssimos como o Ministério da Saúde, mesmo num governo que prometeu colocar os méritos à frente dos vínculos partidários.

Onyx também é símbolo da ressurreição do DEM(ex-PFL). Com ele atuando ativamente, o partido dominou o Congresso, conquistando as presidências da Câmara e do Senado, numa clara mostra de todo o poder que a legenda conquistou desde que o atual Governo ascendeu.

De forma mais simbólica do que efetiva, destacam-se no comando do país dois outros nomes badaladíssimos que, por malandragem dos fonemas, se complementam: Moro e Mourão.

O Juiz redentor da Lava Jato tenta emplacar duras medidas para combater a corrupção e o crime organizado e usa do prestígio que adquiriu frente à opinião pública para levar isso adiante, mas diferente do seu último cargo, à frente do Superministério da Justiça, Moro sabe que a última palavra não é dele, nem de Bolsonaro, e sim dos deputados e senadores.

Já o vice-presidente e General da Reserva, Hamilton Mourão usa das palavras para demarcar território e flerta com segmentos rejeitados pelo presidente de direito. Suas últimas declarações foram capazes até mesmo de atrair olhares de setores da esquerda. Vale destacar também o tratamento cordial dispensado a uma imprensa tão massacrada pelo clã dos Bolsonaros.

Com tantos presidentes em potencial atuando ao mesmo tempo, não podemos dizer que o Brasil está desgovernado, mas sim, supergovernado. Como o momento é de proposição, todos podem ter o seu lugar ao sol. Resta saber se quando vierem as crises em que o Governo precise se posicionar quem dará a última palavra.

É notório que cada um dos supermistros busca ampliar seu poder e influência. A continuar assim, restará ao presidente eleito um espaço para governar tão curto quanto o seu discurso em Davos.

Por. Robson Bento – Imprensa 24h

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