Imprensa24h 19 de setembro de 2017

Na última semana, a internet e as redes sociais se tornaram um grande ringue onde especialistas, críticos de arte, artistas, adolescentes engajados virtualmente e a tia do cachorro quente teceram comentários sobre o ocorrido com a exposição promovida pelo Santander. Vamos ao resumos dos fatos, volto em seguida.

  1. Santander promove exposição artística financiada através da lei Rouanet;
  2. Depois de alguns dias de exposição, alguns indivíduos incomodados com as obras de arte expostas gravam vídeos e exibem na rede, gerando uma grande discussão sobre o conceito de arte;
  3. O MBL divulga um vídeo em sua página e a exposição ganha os holofotes, milhares de pessoas em todo o país se mostram indignadas com a exposição e organizam um boicote ao Santander;
  4. O Santander cancela a exposição e lança uma nota oficial explicando que desde o início não tinha a intenção de ofender nenhuma religião ou seus fiéis.

A exposição do Santander e o que ocorreu em seguida, levantou os mais variados temas que certamente ainda serão debatidos durante muito tempo nas redes sociais e fora dela, desde o financiamento de obras artísticas via lei Rouanet, exposição de crianças a obras de cunho sexual, conceito de arte e passando pelo vilipêndio religioso que é caracterizado como crime segundo nossa constituição. Esse fato gerou uma grande guerra de narrativas. De um lado, alguns falaram que o cancelamento da exposição foi um ato de censura organizado pela direita reacionária, retrógrada e o outro lado afirmando que foi um boicote.

Não precisa ser um expert do vernáculo Português ou um doutor em linguística para entender o significado dessas palavras, ao consultar o dicionário Aurélio, nos deparamos com as seguintes definições:

Boicote: Ato de boicotar, punir (pessoa, estabelecimento, país), recusando relações sociais ou comerciais.

Censura: Exercer censura sobre, proibir a divulgação ou execução de algo.

A narrativa é construída e moldada pelos detentores da grande mídia, que são os editores, escritores e jornalistas enviesados ideologicamente, e empurram sua “verdade” goela abaixo, enganam e corrompem o real  significado das palavras à favor de suas pautas, vale lembrar um ocorrido recente onde um traficante divulgou vídeos obrigando membros do candomblé a destruirem seus terreiros e uma página de extrema esquerda panfletou esse ato como sendo um escárnio ao credo alheio e uma demonstração de intolerância religiosa, mas tão pouco essa página como outras alinhadas ideologicamente com o pensamento esquerdista teceu algum comentário condenando a exposição do Santander por difamar a imagem de Jesus Cristo, zombar da Virgem Maria e ofender a Hóstia Sagrada, são incontáveis os casos em que a narrativa é distorcida para atender a interesses obtusos, o imaginário das pessoas é moldado pelas notícias e manchetes em uma espécie de novilíngua, expressão cunhada pelo escritor George Orwell em 1984, um dos maiores clássicos distópicos da humanidade. No livro, o partido INGSOC manipula o significado das palavras ao seu bel prazer, suprimindo vocabulário e reinventando a narrativa sempre que for conveniente ao partido.

“Num tempo de engano universal, dizer a verdade é um ato revolucionário”    Orwell, George

Em tempos de “fakenews” e manipulação da narrativa, nada mais nocivo que a divulgação de mentiras e o culto ao falso, o que ocorreu ao Santander não foi um ato de censura, mas um boicote de seus clientes e de pessoas insatisfeitas com a exposição, exposição que a luz dos fatos se mostrou ofensiva ao credo católico e promotora de temas sexuais para o público infanto-juvenil, o cancelamento do evento foi motivado pela insatisfação dos clientes e dos milhares de Brasileiros que se manifestaram contra a exposição e como toda empresa que depende de seus clientes para se manter no mercado, a decisão do banco foi uma reação natural e em consonância com o mercado. Não houve censura e tão pouco a liberdade de expressão foi limitada, a exposição ocorreu durante dias e seu cancelamento foi uma atitude deliberada pelo banco, a liberdade de expressão, manifestação e de pensamento é um dos fundamentos de nossa civilização ocidental, um valor caro e imprescindível para todos nós.

A liberdade de boicote é um direito inerente do ser humano, é mais que compreensível a atitude das pessoas que decidiram fechar as suas contas no Santander e denunciaram a exposição de arte. A exposição infringiu a lei e a nossa constituição, a verdade é que não devemos confundir liberdade de expressão com uma licença para viver à margem da lei. Uma sociedade com Liberdade irrestrita e sem o respeito às leis só pode ser possível nos sonhos românticos dos jovens revolucionários. O Santander aprendeu essa lição e que nós como indivíduos conscientes não deixemos que falsas narrativas controlem o discurso e sobrepujem a verdade dos fatos.

Foi boicote ou censura?

Eu acredito que foi boicote

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Por. Prof. Leonardo Lisboa  – Colunista do imprensa 24h
Foto: Alex Coimbra

3ª Edição

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