Imprensa24h 25 de novembro de 2018

Eleições 2020: A prudência recomenda evitar passos maiores que as pernas

Lucas Silva – Imprensa 24h

No calor do recém-findo processo eleitoral deste ano, alguns parlamentares sergipanos se auto escalam, como candidatos, para as eleições municipais de 2020, sobretudo ao posto de chefe do Executivo municipal de Aracaju. Objetivam incutir seus nomes, desde já, nos corações e mentes do eleitorado sergipano.

Ainda no transcurso do segundo turno, o vereador da Câmara Municipal de Aracaju pelo PTB, AMINTAS Oliveira Batista (Cabo Amintas) afirmou que não descarta a possibilidade de disputar à sucessão do prefeito Edvaldo Nogueira (PC do B).

Com o respaldo de apenas 2.148 eleitores – menos de 1% dos votos válidos (0,78%) -, o militar foi eleito por média em 2016. Este ano, candidatou-se, sem sucesso, a uma das 24 vagas de deputado estadual, e teve apenas 12.216 votos em todo Estado, ou 1,1% do total de votos válidos.

Embora tenha sido o sétimo candidato a deputado estadual mais votado na capital, onde obteve 7.432 votos, passou longe da conquista de novo mandato. Sem suporte eleitoral que o respalde, Cabo Amintas pode, no máximo, tentar uma reeleição, algo que, a depender do desempenho demonstrado nas duas eleições que disputou, não está, nem de longe, garantido.

Deputado estadual, reeleito em 2018 para mais um mandato, GILMAR José Fagundes CARVALHO (PSC) também se assanha quando alguma conjectura insere seu nome na disputa pela prefeitura de Aracaju em 2020.

Para permanecer na Assembleia Legislativa por mais quatro anos, Gilmar Carvalho contou com os votos de 34.160 eleitores, dos quais 14.128 residentes em Aracaju, município em que foi o candidato mais votado – teve 129 votos a mais que o vereador e deputado eleito Iran Barbosa (PT). Na Barra dos Coqueiros teve 304 votos; e outros 5.204 em Nossa Senhora do Socorro.

Julgando-se um caso de sucesso eleitoral na Grande Aracaju, Gilmar afirma que o povo é quem vai decidir se deve disputar a chefia do Executivo da capital, de Socorro ou da Barra. E, mesmo com tanta pretensão, sobe ao muro: “Posso não ser candidato, mas no mínimo participarei das decisões”, diz, com tom de liderança que não encontra eco em sua atuação política.

EMÍLIA CORRÊA Santos (Patriota), vereadora da capital em primeiro mandato, também almeja chegar, em 2020, à cadeira hoje ocupada por Edvaldo Nogueira. Disputou seu primeiro mandato em 2012, quando concorreu à Câmara de Vereadores de Aracaju pelo DEM e ficou na suplência, pois teve apenas 1,29% dos votos válidos.

Apesar disso, animada com a ideia de disputar uma eleição majoritária, Emília fez saber à imprensa que pretende, para tal empreitada, formar aliança política com a delegada DANIELLE GARCIA Alves e com o empresário MILTON Arthur Vasconcelos de ANDRADE Cruz (PMN), que, como candidato ao governo do Estado, este ano, conquistou apenas 35.111 votos, dos quais pouco mais de 20 mil depositados nas urnas da capital.

Mas, essa aliança não representa, nem de longe, a viabilidade política que a vereadora tenta demonstrar. Os motivos, alguns óbvios, são vários e, o principal, diz respeito ao “entorno”: Danielle, que nunca nos esqueçamos, é a secretária de Estado da Segurança Pública do Governo Valadares Filho (PSB), que, como sabemos, não existe, pois, com uma campanha surreal de combate à corrupção, uma barca furada na qual a delegada embarcou, o ainda deputado federal passou longe da vitória popular e, pela prática reiterada de condutas vedadas pela Justiça Eleitoral, saiu do pleito com sua estatura política reduzida a um vexame nas urnas. E Milton Andrade que, além do pífio desempenho eleitoral, ostenta no currículo a experiência de ter sido secretário-adjunto no fracassado Governo João Alves Filho (2013-2016) na Prefeitura de Aracaju.

Do grupo embrionário que se forma no entorno do senador eleito ALESSANDRO VIEIRA (REDE) também deverá surgir um nome para disputar o comando da prefeitura de Aracaju em 2020. Para tanto, por não ter atingido a cláusula de barreira, a REDE do delegado Alessandro irá se fundir com o PPS, após acordo costurado nacionalmente pelos dois partidos, “atendendo um pedido feito pelo Roberto Freire, presidente nacional do PPS”, como afirmou Alessandro, algo que, no mínimo, soa incoerente. O Roberto Freire a quem se refere o delegado é ex-ministro do Governo Temer, em cuja pasta que ocupou – Ministério da Cultura – nomeou ao menos 18 correligionários, boa parte políticos derrotados nas eleições de 2014 e 2016 – prática que o senador eleito afirma combater; mesmo sendo ele [Roberto] um crítico contumaz do que classifica como “aparelhamento do PT” nas instituições.

Apesar de legítimos, esses pleitos são, todos eles, passos maiores que as pernas dos virtuais candidatos. E Valadares Filho, que nos absteremos de analisar uma possível candidatura à prefeitura de Aracaju, pela obviedade das circunstâncias, deve servir de exemplo a todos aqueles que intentarem caminhar a passos largos na política sergipana.

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