Imprensa24h 8 de novembro de 2018
antonio carlos valadares

Para avisar que continua no jogo e não se sente perdedor, o senador recorreu a uma frase de autoajuda, de autoria duvidosa, supostamente pronunciada por Bob Marley

Em artigo enviado à imprensa local nesta segunda-feira, 6, o senador Antônio Carlos Valadares (PSB/SE) se propõe a analisar o resultado das eleições em Sergipe, mais detidamente em relação à disputa pelo cargo de governador do Estado. Um lamento digno de quem foi atropelado por um veículo em alta velocidade e não conseguiu “anotar a placa”.

Segundo afirmou no texto, reflete sobre o tema desde o primeiro turno, mas, ainda assim, confessa não ter entendido o motivo que levou à derrota, gritante, do candidato Valadares Filho (PSB) ante à candidatura de Belivaldo Chagas (PSD), governador reeleito em segundo turno com quase 65% dos votos válidos.

Temeroso de perder o poder político dos cargos públicos, universo que habita há mais de 50 anos, o estrategista-mor do PSB evidencia, na análise que fez, que não soube ler os números apurados nas urnas, ainda no primeiro turno, pois admite como acertada a estratégia levada à cabo pelo filho, sobretudo na campanha de segundo turno, de atrelar à imagem de Belivaldo a de Jackson Barreto.

Ora.

Ficou claro ao eleitorado sergipano, e isso é mérito, também, da estratégia de marketing e de comunicação do candidato governista, que o estilo peculiar de gestão de Belivaldo Chagas, empreendido desde as primeiras horas como chefe do Executivo, em abril deste ano, é por demais diferente do de seu antecessor, o ex-governador Jackson Barreto, que deixou o cargo para se candidatar a senador. Valadares não conseguiu entender como isso aconteceu e desse modo não soube analisar corretamente o resultado eleitoral do dia 7 de outubro. “O resultado era previsível, mas ninguém, no âmbito das oposições, queria admitir. E as pesquisas alimentavam esse equívoco”, afirma um surpreso Valadares.

Naquele fatídico domingo para a carreira do senador, o eleitorado sergipano fez saber aos oposicionistas que de nada adiantaria continuar a vincular Jackson a Belivaldo, pois, mesmo caminhando juntos por todo estado, pela obviedade de serem aliados e integrarem a mesma coligação, como diz a rapaziada lá do bairro, “é cada quem com seu cada qual”.

Nas urnas, os eleitores reconheceram que Belivaldo é Belivaldo e Jackson é Jackson, distintos entre si, com suas qualidade e defeitos; um teve 403 mil votos, e foi ao segundo turno com mais de 191 mil votos à frente do concorrente, e o outro apenas 204 mil, ficando em quarto lugar na disputa; e, embora apontado “pelas oposições” como o responsável pelo “pior governo da história de Sergipe”, obteve quase 30 mil votos a mais que o senador Valadares, que amargou um quinto lugar bem distante da liderança que lhe atribuíam, sabe-se lá a que custo, praticamente todas as pesquisas de intenções de voto ao longo da campanha eleitoral.

Não bastasse seguir no segundo turno com a estratégia tosca que derrotou seu candidato e a si no primeiro turno – “Bater nessa tecla seria razoável e até um dever legítimo” -, Valadares forçou a barra frente à Justiça Eleitoral e insistiu, até por vias ilegais – como a utilização de telemarketing – em divulgar como se verdade fosse o apoio que nunca existiu do deputado André Moura (PSC) à candidatura de Belivaldo, cuja negativa do factoide foi reconhecida pelo TRE/SE em mais de 15 decisões.

Devido a reiteração da divulgação de propaganda eleitoral já constatada irregular, como a notícia falsa da participação de André na campanha governista, a coligação do PSB foi punida pela Justiça Eleitoral até com a suspensão do direito de veicular todas as inserções de vídeo a que teria direito no último dia da campanha. Mas isso não mereceu atenção do político simãodiense, que não conseguiu, em momento algum de sua reflexão, ser capaz de uma autocrítica pela acachapante derrota eleitoral. Quando ao recado das urnas, surpreendeu-se: “foi no mínimo uma decisão que causou estranheza a quantos esperavam uma reação contrária dos eleitores”, disse, ainda aturdido com a avalanche que o aposentou da vida pública.

Como a responder a seus próprios botões, o senador Valadares explicou, a seu modo, o que considera ter sido o fator determinante para a vitória de Belivaldo: o número 13 visualizado na “colinha” pelo eleitor lulista. Por isso, matutou consigo: “de nada adiantou a estratégia de desconstrução do candidato oficial”. Algo que o jornalista e publicitário Carlos Cauê – coordenador de marketing da campanha de Belivaldo -, em artigo publicado aqui no JLPOLÍTICA no último 31 de outubro, considera ter sido uma ideia obcecada que resultou em falha grosseira da campanha adversária, “verdadeiras sandices, num momento da disputa que exige do candidato racionalidade, cabeça fria e capacidade de alçar-se à confiança do eleitor”, tudo que não foi capaz de ser o filho do lamuriento senador.

“Desprezando conceitos elementares da comunicação política, a campanha de Valadares Filho, no segundo turno, patrocinou uma lamentável página na história eleitoral de Sergipe, caracterizando-se tão somente pela agressão gratuita, a especulação vaga, a ausência de propostas críveis, o pessimismo mais lúgubre e, fake news, muitas fake news”, salientou Cauê, o marqueteiro político que o senador tentou denegrir a imagem e reputação durante a campanha e foi, por este motivo, punido pela Justiça Eleitoral.

Em sua análise, superficial, para não dizer coruja, o senador Valadares tenta fazer crer que Belivaldo foi eleito, única e exclusivamente, por colar-se à tríade petista Lula/Haddad/Eliane Aquino, vice-prefeita da capital e agora vice-governadora eleita; apoio político-partidário notadamente significativo para o resultado final do pleito, mas não apenas, como aponta o ainda líder do PSB em Sergipe.

Faltou à oposição um candidato que fizesse os eleitores “lulistas”, mesmo ao escolher Haddad, optar por um nome para o governo que entendesse representar a mudança que se afinasse “com a insatisfação popular contra o Governo do Estado”, algo que, por sua vez, não coube na fantasia de novo já estreada por Valadares Filho, pois o deputado fez parte do governo que acusou ser o pior dos últimos tempos, mas foi muito bem encampada por Belivaldo Chagas, que transmitiu confiança ao eleitorado ao demonstrar franqueza e sinceridade como características de seu estilo de gestão.

Sem ter o que apresentar à sociedade em termos de serviços prestados ao longo de tantos anos ocupando cargos públicos, e tampouco propostas convincentes, Valadares Filho se apegou a declaração de voto do delegado Alessandro Vieira à sua candidatura como a um copo de água no deserto. Mas, não entendeu que, se o delegado tivesse alguma capacidade de transferir votos, este potencial teria sido demonstrado já no primeiro turno, ou seja, teria feito do candidato a governador do seu partido, Dr. Emerson, um dos mais votados, algo que passou longo de acontecer; o médico teve apenas 7% dos votos válidos, ou, 69.407 eleitores.

Ao passo em que sugere que Belivaldo surfou “no ressurgente prestígio eleitoral do PT, embalado pela força do bordão Haddad-Lula, repetidamente dito e propagado por onde passavam os candidatos governistas”, o senador se omite de analisar a estratégia, notadamente equivocada, da candidatura de Valadares Filho surfar a onda bolsonariana, que, em Sergipe, não passou de marolinha. As insistentes frases “combate à corrupção” e “nóvamos acabar com a boquinha de Jackson Barreto”, chegou mesmo a irritar parte significativa do eleitorado, assim como as ilegais e fraudulentas chamadas telefônicas feitas para eleitores em todo estado a pretexto de uma suposta pesquisa de opinião com o objetivo de “descontruir a imagem do candidato oficial”.

Por erros e mais erros estratégicos de campanha e de postura adotados por Valadares Filho, que ficaram de fora do artigo do senador coruja, é que, mesmo se o candidato do PSB ao governo de Sergipe pudesse juntar os votos recebidos no primeiro e no segundo turno, ainda lhe faltariam outros 96.722 para superar os 679.051 eleitores que nas urnas disseram sim a Belivaldo apenas no segundo turno. “No entanto, é preciso entender e aceitar a autonomia de quem vota e que devemos respeitar o resultado das urnas, ainda que nos traga frustração”, diz o senador, sem entender que não liderará a oposição em Sergipe, mesmo quando lembra aos que leram o seu texto, “uma frase que Bob Marley costumava pronunciar: “Se você é derrotado, não perde; você só é derrotado se desistir””.

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Por Lucas Silvia – imprensa 24h

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