Pincelando com Lucas Silva

Pincelando com Lucas Silva, 21 de abril.

HEBDOMADÁRIA

21.4.2019

PRODUTO ENLATADO Em clima de campanha eleitoral, o deputado estadual Gilmar Carvalho (PSC) disse, nesta quarta-feira (17.abr), em entrevista à Rádio Nova Brasil FM, que o maior problema da atual administração do município de Aracaju é a Saúde. Gilmar afirmou, sem citar dados e fontes checáveis, que ‘pode durar anos’ a espera para realização de exames na rede pública de Saúde da capital. Após “diagnosticar” o gargalo-mor da gestão Edvaldo, o deputado social-cristão prometeu então solucioná-lo, se os aracajuanos o elegerem prefeito em 2020, claro. Para atestar a viabilidade do que acabara de prometer, Gilmar citou o ‘modelo de gestão’ que João Dória – governador de São Paulo e ex-prefeito da capital paulista (de 1.jan.17 a 6.abr.18) – estaria a implementar na administração estadual de São Paulo, o qual tem possibilitado, segundo afirmou, “zerar a fila de exames”, como frisou o deputado, de modo a pontuar que essa é uma promessa sua para com o eleitorado aracajuano.

O ‘modelo de gestão’ do estado mais rico do país a que se referiu Gilmar Carvalho como solução para ‘zerar’ a fila de exames é nada mais que o programa ‘Corujão da Saúde’, uma iniciativa populista implementada pela Secretaria da Saúde de São Paulo na gestão Doria, político que fez desse programa uma das suas principais bandeiras de campanha nas eleições 2016. Mas, ao renunciar ao cargo de prefeito um ano e quatro meses após assumi-lo, para concorrer ao Governo do Estado, Doria deixou a gestão municipal sem cumprir aquela que foi uma das principais promessas de campanha, mesmo tendo executado o referido programa que zeraria as filas de exames.

Para pôr em prática o Corujão da Saúde, a Prefeitura de São Paulo contratou exames na rede particular de Saúde, em horários alternativos e ociosos – das 22h às 8h, com base na tabela do SUS. Mas, segundo auditoria realizada pelo Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCM), finalizada em junho de 2018, pouco mais de um mês após o fim da gestão Doria na prefeitura paulista, o programa não cumpriu a promessa feita pelo então prefeito e atual governador de São Paulo de que, encerrado o ‘Corujão’, não duraria mais de 30 dias a marcação para exames urgentes e 60 dias para os demais.

FICOU NA PROMESSA, POIS... “A divulgação feita pela Prefeitura [de São Paulo] de que, com o encerramento do programa Corujão da Saúde todos os pacientes que necessitassem de exames na rede municipal deveriam realizá-lo em até 30 dias no máximo, na própria rede municipal, não se efetivou, pois em abril de 2017 a espera média correspondia a 103,4 dias e, em maio de 2017, correspondia a 99,7 dias”, diz o relatório do TCM.

O governador João Doria, com quem o deputado Gilmar Carvalho afirmou que se reunirá nos próximos dias para se inteirar melhor sobre “o modelo de gestão paulista para a Saúde”, incluiu no Corujão apenas seis dos 118 tipos de exames que a prefeitura realiza. Deste modo, ainda na prefeitura, em maio de 2017, Doria afirmou ter “zerado a fila de exames”, quando, na verdade, havia cerca de 200 mil pessoas aguardando por outros procedimentos que não foram incluídos na lista do Corujão.

NÃO FOI BEM ISSO QUE QUIS DIZER Confrontada com os dados da auditoria do TCM de junho de 2018, a Secretaria da Saúde de São Paulo desconversou, ao afirmar que nunca houve a promessa de espera por no máximo 90 dias para fazer o exame dentro do programa Corujão da Saúde. “A promessa era de, em 90 dias, zerar a demanda de agendamento dos exames de 2016, o que foi realizado em 83 dias”. Ainda segundo a prefeitura de SP, “depois de zerada a fila, o paciente esperaria para ser agendado – e não atendido – até 30 dias para casos mais simples e 60 para os mais complexos”, disse, em nota, o governo municipal paulista.

Apesar de se mostrar um engodo eleitoral, um enlatado para iludir os eleitores, o Corujão da Saúde, promessa de campanha de Doria na disputa pelo comando da prefeitura paulista, repetida na campanha do tucano ao Governo do Estado de São Paulo em 2018, tem inspirado e instigado o deputado Gilmar Carvalho em suas antecipadas promessas eleitorais visando à sucessão do prefeito Edvaldo Nogueira.

MENOS PROMESSA… Em vez de ir até São Paulo conhecer o duvidoso ‘modelo de gestão’ de João Doria, Gilmar Carvalho poderia conhecer o modelo de gestão da Saúde implantado pela Prefeitura de Aracaju na zona de expansão da capital. Para isso, basta que se desloque até o bairro 17 de Março e, lá chegando, pergunte a qualquer morador onde fica a UBS Roberto Paixão, primeira unidade básica de saúde do bairro, inaugurada no último mês de março pelo prefeito Edvaldo Nogueira.

Para o funcionamento e manutenção da UBS Roberto Paixão, a Prefeitura de Aracaju firmou parceria com a Universidade Tiradentes (Unit), instituição que se tornou cogestora da recém-inaugurada Unidade Básica de Saúde do 17 de Março. Com esse modelo de gestão compartilhada, a prefeitura da capital entra com os insumos, material médico-hospitalar e medicamentos e exerce, efetivamente, a gerência técnica e administrativa. Cogestora, a Unit garante a adequação estrutural da unidade, a manutenção corretiva, preventiva, reposição de equipamentos, além de possibilitar que alunos da instituição usufruam do espaço para prática dos conhecimentos acadêmicos, de forma supervisionada, prestando serviços à população local.

E MAIS AÇÃO Estando no 17 de Março, Gilmar, o prometedor, após conhecer a UBS Roberto Paixão, pode ainda conversar com alguns moradores da localidade para saber qual a expectativa que têm para a conclusão da obra de construção da maternidade do bairro, retomada há poucos dias por determinação do prefeito Edvaldo Nogueira, pois, a gestão anterior (2013-2016), apoiada pelo PSC, não teve competência para tira-la do papel, mesmo havendo projetos e recursos para tanto, deixados pelo governo Edvaldo (2009-2012).

ERA UMA VEZ No eleitoral de 2020, os apoiadores do Governo Bolsonaro, dentre os quais alguns pretensos candidatos a prefeitos da capital que o veneram e o admiram, terão de explicar aos eleitores, sobretudo a grande maioria que se sustenta com um salário mínimo, a decisão do presidente de acabar com o ganho real antes possibilitado, anualmente, com a correção anual do salário, o qual passará a ser ajustado, a partir do próximo ano, considerando apenas a inflação dos últimos 12 meses. Isso quer dizer que o poder aquisitivo das famílias mais carentes será ainda mais sacrificado. Com um discurso populista de ‘combate à corrupção’ e outras asneiras, Bolsonaro age, aí sim, seriamente, para fazer com o que o pobre seja, de fato e sem direito, cada vez mais pobre.

Escrita pelo jornalista Lucas Silva, esta coluna é publicada todos os domingos.

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