Rodrigo Valadares teve parte da campanha financiada por empresário de Brasília envolvido em escândalos nacionais de corrupção

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No auge da campanha eleitoral 2018, o empresário Luiz Carlos Garcia Coelho doou R$30 mil ao então candidato a deputado estadual petebista. Garcia é réu sob acusação de sonegação fiscal milionária e investigado pela PF por desvios de recursos públicos junto ao grupo político do senador Renan Calheiros

Rodrigo Valadares teve parte da campanha financiada por empresário de Brasília envolvido em escândalos nacionais de corrupção.

Para ser eleito deputado estadual nas Eleições Gerais 2018, Rodrigo Valadares (PTB) contou com ajuda financeira do empresário Luiz Carlos Garcia Coelho, carioca radicado há décadas em Brasília, capital do Distrito Federal, centro do poder nacional.

De lá do planalto central, Luiz Carlos Garcia Coelho transferiu eletronicamente para a conta de campanha de Rodrigo Valadares R$30.000,00 (trinta mil reais). Candidato a deputado distrital em 2018, o genro de Luiz Carlos, Robério Negreiros, recebeu do sogro para sua campanha apenas metade do valor que este doou ao candidato sergipano.

Luiz Carlos é sócio do Grupo de Assessoria LTDA, empresa denunciada, já na década de 1990, por suposto superfaturamento na compra de leite em pó pela LBA, então presidida pela primeira dama Rosane Collor. Ao investigar o esquema de corrupção comandado por PC Farias, braço direito do então presidente Fernando Collor, a Polícia Federal encontrou um cheque do Grupo Assessoria Ltda em uma das contas fantasmas movimentados pelo ex-tesoureiro da campanha de Fernando Collor.

Segundo o Ministério Público, o Grupo de Assessoria vendia leite superfaturado para a LBA e depositava parte do dinheiro numa conta fantasma em nome de José Carlos Bonfim, a mando de Paulo César Farias, o PC, para pagar despesas de campanhas.

Em 2007, Luiz Carlos Garcia Coelho, que ajudou financeiramente Rodrigo Valadares (PTB) a se eleger deputado estadual, voltou ao noticiário nacional ao ter seu nome envolvido em uma outra trama de corrupção, desta vez associado ao então presidente do senado Renan Calheiros. Em depoimento prestado à polícia do Distrito Federal, o advogado Bruno Miranda Ribeiro Brito Lins denunciou Luiz Carlos Garcia Coelho como participante de um esquema que desviou milhões de reais dos cofres públicos de ministérios comandados por políticos sob a influência do senador alagoano.

Bruno Miranda fez a denúncia com a autoridade de ter sido marido de Flávia, filha de Luiz Carlos Garcia e então assessora parlamentar do senador Renan Calheiros, que foi padrinho do casal. Segundo o advogado, seu ex-sogro [Luiz Carlos Garcia Coelho] montou um esquema de arrecadação de dinheiro para o então presidente do Senado em ministérios chefiados por pessoas de seu grupo político e confessou que ele mesmo [Bruno], em pelo menos seis ocasiões, foi pessoalmente buscar o dinheiro da suposta propina.

Embora feitas à polícia do Distrito Federal, as acusações de Bruno despertaram o interesse da Polícia Federal por citar contas de Luiz Carlos Garcia Coelho em bancos no exterior, supostamente usadas para lavagem de dinheiro.

O Ministério Público e a Polícia Federal  identificaram duas remessas para o exterior registradas em nome do empresário Luiz Carlos Garcia Coelho, que o advogado Bruno Miranda Brito Lins cita como lobista e parceiro do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), em suposto esquema de desvio de recursos em ministérios comandados pelo PMDB.

A primeira remessa, de US$ 56,8 mil, foi registrada em 28 de julho de 2000, e a segunda, de US$ 223,8 mil, em 23 de agosto do mesmo ano. Ambas foram dirigidas à conta 3437403468 do Commercial Bank de Nova York.

O dinheiro saiu de uma conta do MTB Bank em nome da empresa offshore Kiesser Investment, sediada no Uruguai, que, conforme investigações da PF, é controlada por doleiros. Renan e Coelho são amigos há quase três décadas.

Em depoimento dado à Polícia Civil do Distrito Federal, Lins afirmou que Coelho era “um lobista político” que atuava junto a órgãos governamentais em nome de parlamentares, para conseguir verbas “mediante pagamento e recebimento de propinas, muitas recebidas por meio de doleiros que possuem contas no exterior”.

Segundo Lins, o esquema de pagamentos passaria “principalmente” pelos bancos Credit Suisse e Commercial Bank de Nova York. Os registros fazem parte dos documentos levantados nas investigações da PF no caso Banestado, no qual foi identificado esquema de lavagem de dinheiro por meio de contas de empresas de fachada, com sede em paraísos fiscais, que tinham como procuradores legais doleiros brasileiros.

Em 2012, o delegado aposentado da Polícia Civil do DF João Kleiber Esper foi preso após ser condenado pela 2ª Turma Criminal do TJDFT a três anos e seis meses de reclusão, em regime semi-aberto, e ao pagamento de 50 dias-multa, além de perda do cargo público.

João Kleiber Esper  respondeu a ação criminal na qual foi denunciado pelos crimes de prevaricação e ocultação de documento, ao omitir, durante sete meses, declarações que noticiavam a prática, em tese, de crimes praticados por Luiz Carlos Garcia Coelho, o senador Renan Calheiros e outros. E ao invés de determinar abertura de inquérito policial ou encaminhar o documento às autoridades competentes para apurar a noticia criminis, decidiu guardá-lo consigo, com o propósito de obter vantagem ilícita dos envolvidos, mais precisamente do senador da república e o empresário Luiz Carlos.

O empresário de Brasília que financiou parte da campanha de Rodrigo Valadares é réu em ação penal que apura a prática de crime contra a ordem tributária, ou seja, reponde pela acusação de sonegação fiscal de impostos devidos ao Governo do Distrito Federal. Somados, os tributos sonegados superam a cada dos R$2 milhões. O empresário amigo de Rodrigo Valadares omitiu informações ao Fisco/DF relativas às vendas de mercadorias realizadas por uma empresa da sua responsabilidade, em livros exigidos pela lei fiscal, bem como por não emitir as respectivas notas fiscais.

A reportagem entrou em contato com a assessoria do deputado estadual Rodrigo Valadares para saber qual a relação do parlamentar sergipano com o empresário radicado em Brasília, mas, ao invés de encaminhar respostas, a assessoria enviou perguntas evasivas, que nada ajudam a esclarecer o fato noticiado.

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Por. Nélio Miguel Jr
Jornalista DRT2303/SE
Foto: Jadilson Simões

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