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Aedes aegypti: Saiba as principais doenças transmitidas pelo mosquito e como tratá-las

O Aedes aegypti se prolifera, principalmente, em clima quente, e é responsável pela transmissão de doenças como dengue, zika vírus e chikungunya. O mosquito tem uma coloração preta com listras brancas e costuma depositar seus ovos milimetricamente acima da superfície da água, onde podem sobreviver por um ano até encontrar as melhores condições para se desenvolver.

As três principais arboviroses transmitidas pelo mosquito, apesar de distintas, podem apresentar alguns sintomas semelhantes, pelo menos no primeiro momento, por isso é importante estar ciente sobre as particularidades de cada uma delas.

De acordo com a infectologista da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Fabrízia Tavares, a dengue apresenta, na maioria das vezes, febre variável, mas geralmente alta e resistente a antitérmicos, dor nas articulações e musculares, náuseas, vômito, dor de cabeça, além de uma dor localizada atrás dos globos oculares e pode ocorrer fenômenos hemorrágicos.

Fabrízia explica que, por sua fisiopatogenia, a dengue tem maior ocorrência de gravidade e óbito, “principalmente em pessoas que possuem alguma condição ou doença de risco (gestantes, cardíacos, hepatopatas, renais, portadores de imunossupressão, pneumopatas e pessoas que se infectaram com um sorotipo e depois com outro)”.

“Existem quatro sorotipos do vírus da dengue: 1, 2, 3 e 4. O que aumenta a chance de ter quadros graves é quem já teve dengue com um sorotipo e agora se infectou com outro sorotipo. O sorotipo 2 da dengue é mais virulento, estando relacionado a quadros graves em períodos epidêmicos”, detalha a infectologista.

No caso do zika vírus, apesar de apresentar sintomas semelhantes aos da dengue, geralmente não apresenta febre, mas manchas pontilhadas pelo corpo (exantema) associadas à coceira, olhos vermelhos sem secreção, dor no corpo não intensa e inchaço em extremidades. Apenas o zika vírus manifesta conjuntivite e maior possibilidade de acometimento neurológico, principalmente no feto de gestantes infectadas.

A chikungunya, por sua vez, pode apresentar dores insuportáveis. Os primeiros sintomas chegam por volta de três a sete dias depois da picada do mosquito e também provocam náuseas e dor de cabeça, inchaço e vermelhidão nas articulações, principalmente nas extremidades.

De acordo com Fabrízia, os efeitos da chikungunya duram meses, podendo se transformar em dores crônicas nas articulações. “As sequelas estão mais relacionadas aos quadros crônicos da chikungunya, ocasionando deformidades, principalmente em adultos, e dificultando a condição desses quadros de dor articular, fazendo com que o paciente não consiga executar suas atividades diárias”.

Prevenção
Apesar dos ensaios clínicos da vacina contra a dengue já estarem em fase avançada, ainda não há imunizante contra a dengue, zika vírus e chikungunya. Por isso, a forma mais eficaz de prevenção é a do combate aos criadouros do mosquito transmissor.

Neste sentido, a Prefeitura de Aracaju, por intermédio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), retomou, após reversão da decisão judicial que impedia as visitas intradomiciliares dos agentes de combate à dengue, o serviço de Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa). Desta forma, é possível a gestão municipal identificar as regiões com maior risco de contaminação e assim enviar os agentes ao local.

Entre as estratégias para mudar esse cenário, a SMS tem realizado, também, a aplicação de fumacê costal e mutirões de limpeza, em parceria com a Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) e Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema).

Ainda assim, é importante lembrar que o combate ao mosquito só é possível quando há ações preventivas e contínuas por parte, também, da população. Cada cidadão pode fazer a sua parte para reduzir o número de pessoas infectadas e, consequentemente, minimizar o risco de complicações e óbitos.

“Na realidade, a participação das pessoas nesse combate é que pode fazer grande diferença na proliferação do mosquito. De todos os focos encontrados na capital, apenas um deles estava em terreno baldio. Isso significa que a grande maioria está dentro das casas e estabelecimentos comerciais”, salienta o gerente do programa de combate ao Aedes aegypti em Aracaju, Jeferson Santana.

Segundo ele, é necessário considerar que, atualmente, há maior incidência de chuvas, “porém, se a população tomar cuidado e não deixar expostos recipientes que acumulam água, com certeza teremos um índice de infestação consideravelmente menor no próximo LIRAa”, avalia.

Sendo assim, o coordenador do programa orienta a população a verificar se a caixa d’água está bem tampada; deixar as lixeiras bem tampadas; colocar areia nos pratos de plantas; recolher o lixo do quintal; limpar as calhas; cobrir piscinas; colocar uma tela fina nos ralos e baixar as tampas dos vasos sanitários; limpar a bandeja externa da geladeira; limpar e guardar as vasilhas dos bichos de estimação; limpar a bandeja coletora de água do ar-condicionado; cobrir bem todos os reservatórios de água, para que dessa forma seja possível se prevenir das doenças.

Os principais recipientes escolhidos pelo mosquito para depositar seus ovos são recipientes como latas e garrafas vazias, pneus, calhas, caixas d’água descobertas, pratos de vasos de plantas e qualquer outro recipiente que possa armazenar água de chuva, porque, quando chove, o nível da água sobe, entra em contato com os ovos e estes eclodem em poucos minutos.

Tratamento
A infectologista Fabrízia Tavares recomenda ainda que a busca por um atendimento médico deve ser feita logo no início dos sintomas, para um melhor diagnóstico e manejo adequado do quadro clínico.

A depender da estratificação dos sinais, sintomas e fatores de risco, o paciente poderá ser atendido em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou numa Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde há equipes capacitadas para fazer essa avaliação.

Ainda de acordo com a médica especialista, existem exames específicos para o diagnósticos dessas arboviroses, que são os de biologia molecular (RT-PCR), pesquisa de antígeno para dengue específicamente (NS1) e as sorologias que pesquisam os anticorpos específicos para esses vírus. “A diferença é que o NS1 e o RT-PCR devem ser solicitados até o quinto dia de início dos sintomas. As sorologias devem ser solicitadas após o sexto dia do início dos sintomas”, explica.

Imprensa 24h

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