# Bolsonarismo de ocasião: partido de Valmir e André Davi abraça o PT no interior de Sergipe

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- Published: 2026-09-08T11:56:53-03:00
- Author: Redação Imprensa 24h

O bolsonarismo do Republicanos em Sergipe aparentemente descobriu uma nova modalidade
de política: a ideologia com endereço variável. Sob o comando da prefeita de Aracaju,
Emília Corrêa, o partido de Valmir de Francisquinho e André Davi mantém a campanha
por Flávio Bolsonaro, mas, quando desce para o interior, parece não ter tanta dificuldade
para dividir o palanque com o PT.

É o caso de Porto da Folha e Propriá. No Sertão, Valmir de Francisquinho se aliou
ao ex-prefeito Manoel de Rosinha. Em Propriá, a aproximação ocorre com Renatinho
Brandão. De um lado, o discurso nacional do bolsonarismo. Do outro, alianças com
lideranças do partido do presidente Lula.

E não deixa de ser uma mudança curiosa para quem acompanha a trajetória recente 
de Valmir. Em 2022, quando disputou pela primeira vez o Governo de Sergipe, ele 
era filiado ao PL, partido de Jair Bolsonaro. Na eleição seguinte, ao voltar à disputa
pela Prefeitura de Itabaiana, contou novamente com o apoio do bolsonarismo.

Emília, por sua vez, também construiu sua candidatura, em 2024, com forte aproximação
com Bolsonaro. A prefeita chegou a gravar vídeo ao lado do ex-presidente, deixando
bastante claro o campo político em que pretendia atuar. Tudo isso enquanto o grupo
esteve no PL.

A história mudou quando Valmir, Emília e o famoso fazendeiro Edivan Amorim perderam
o comando do diretório regional da legenda em Sergipe para o deputado e candidato
ao Senado Rodrigo Valadares. Sem o controle do partido, aquele grupo buscou outro
endereço político e encontrou abrigo no Republicanos. O bolsonarismo, entretanto,
ficou. Pelo menos no discurso.

Agora, com a eleição se aproximando, o problema é que o cenário eleitoral não parece
colaborar muito com a estratégia. As mais recentes pesquisas de intenção de voto
apontam vantagem de até 40 pontos de Lula sobre Flávio Bolsonaro em Sergipe. Paralelamente,
o governador Fábio Mitidieri aparece com possibilidade de vitória já no primeiro
turno.

E aí entra em cena a lógica da velha política, que Emília dizia combater. O Republicanos,
partido que abriga Valmir e André Davi, começa a se aproximar de lideranças petistas
em diferentes regiões do Estado. Em Porto da Folha, Valmir faz o “L” ao lado de 
Manoel de Rosinha. E em Propriá, o bolsonarismo dele se desmancha ao lado de Renatinho
Brandão.

A contradição não está simplesmente na existência de alianças municipais entre partidos
ideologicamente distintos. A política brasileira está cheia delas. O que chama atenção,
neste caso, é o contraste entre a identidade bolsonarista exibida pelo grupo e a
disposição de se aproximar justamente de setores ligados ao PT quando a disputa 
aperta.

Flávio Bolsonaro fica com o voto. O PT fica com o palanque. E Valmir fica com a 
aliança. Convenhamos: é uma engenharia eleitoral que exige certa elasticidade ideológica.

O curioso é que o Republicanos não parece ter abandonado o bolsonarismo. Ao contrário,
continua pedindo votos para Flávio Bolsonaro. Apenas descobriu que, em determinadas
cidades, o bolsonarismo pode ser uma companhia para a propaganda eleitoral e o petismo,
uma companhia bastante conveniente para o palanque.

No interior, portanto, o “mito” pode continuar sendo homenageado. Mas, se for preciso
garantir espaço no palanque, o “L” será feito sem nenhum constrangimento.

A pergunta que fica não é se Valmir e seu grupo deixaram de ser bolsonaristas. Não
deixaram, ao menos segundo o posicionamento apresentado. A questão é outra: até 
onde vai um discurso político quando chega a hora de contar votos?

Em Porto da Folha e Propriá, a resposta parece estar sendo dada na prática. E, pelo
visto, entre o “mito” e o “L”, o Republicanos decidiu não escolher. Vai de ambos.
Depende apenas de onde está o palanque.

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