Como o apoio da família faz a diferença na vida de crianças e adolescentes transexuais

“Amor, respeito e acima de tudo muito diálogo”. É assim que a servidora pública Elaine Matos descreve sua relação com o filho Lucas, de 10 anos, uma criança transgênero. A transexualidade refere-se à condição do indivíduo cuja a identidade de gênero (também chamada de identidade de sexo) diverge do sexo físico biológico. E, mesmo com avanço no que diz respeito a direitos igualitários para pessoas LGBTQIA+, os transexuais ainda são um dos grupos que mais sofrem violência e preconceito, fato que torna o apoio da família fundamental.

Elaine conta que seu filho nasceu com a genitália feminina e sempre foi uma criança considerada comum pelos padrões impostos pela sociedade. Mas, aos oito anos de idade, Lucas revelou para a mãe que achava que era um menino, causando espanto, em um primeiro momento, na mãe.  “Confesso que não levei a história muito a sério. Mas nesse período de férias escolares, Lucas começou a pegar roupas de um primo mais velho para vestir e também me pediu para cortar o cabelo. Acabei não deixando”, relata.

Alguns anos depois, Lucas voltou a falar no assunto e juntamente do pai da criança, os dois decidiram procurar um especialista. “Era a segunda vez que esse tema surge, então  eu achei válido  que a gente olhasse com mais atenção e cuidado, investigando se de fato isso é uma vontade genuína. Portanto, entrei em contato com uma mulher trans que foi minha orientadora do mestrado e pedi a ela que me ajudasse com a indicação de uma terapeuta que fosse especialista no assunto, já que nem todos possuem experiência com o tema”.

De acordo com a professora de Direito da Universidade Tiradentes, Acácia Lelis, vale destacar que toda criança tem o direito de crescer e se desenvolver de forma segura e saudável. “Deve ser assegurado o respeito a sua dignidade. É essencial que nenhuma criança seja discriminada. O respeito à identidade independe da idade, e toda criança deve crescer em um ambiente seguro e sem preconceitos. Assim, é necessário o respeito e orientação  a identidade trans para que a criança não sofra traumas que irão repercutir por toda a vida”.

Acácia afirma que os pais ou responsáveis pela criança devem buscar orientação e apoio de profissionais que auxiliarão a compreender e agir com a criança trans, visando atender todas as suas necessidades. E foi em um momento crucial da sua jornada, Elaine conheceu a ONG ‘Mães pela Diversidade’, onde pôde fazer amizades com outras mães e trocar experiências sobre o tema.

Através da ONG, Lucas conheceu outras crianças trans e após encontrar com os colegas pessoalmente, ele se fortaleceu. “Foi nesse momento que Lucas nasceu de fato. Ele se empoderou e conheceu outras crianças como ele, e logo após o encontro, ele publicou no Instagram e contou para o resto da família e nós fizemos o necessário junto a escola, terapeuta e diversos outros médicos e profissionais”, conta.

Elaine explica que o processo não foi fácil, mas que o acolhimento e o apoio da família são de extrema importância. “Eu me desconstruí totalmente em relação a gênero, sexualidade e sobre a minha maternidade. Entramos em processo terapêutico de desfazer toda aquela projeção que fazemos inconscientemente com os nossos filhos. Mas também foi algo muito enriquecedor enquanto pessoa e enquanto mãe. Um processo sempre de muito amor e proximidade e a gente vai enfrentando cada desafio de uma vez, sempre juntos”, conta Elaine.

Em caso de preconceito ou violência, Acácia explica que nenhuma criança pode ser discriminada por qualquer razão. “As leis que asseguram o direito ao respeito e a dignidade de qualquer cidadão e em especial crianças e adolescentes são a Constituição Federal, em seu artigo 227 e o Estatuto da criança e do adolescente”.

Assessoria de Imprensa | Unit

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