Debate promovido pela Assistência Social de Aracaju discute racismo estrutural e institucional

Para ampliar e fortalecer o debate sobre temas que retratam a diversidade, direitos humanos e a inclusão social para trabalhadores que atuam na promoção e garantia de direitos públicos na capital, a Prefeitura de Aracaju promoveu nesta quarta-feira, 6, o 4º Ciclo de Debates SUAS: inclusão, respeito e diversidade.

Nesta etapa do evento, que é realizado pela Coordenação de Gestão do Trabalho e Educação Permanente da Secretaria Municipal da Assistência Social, o tema tratado foi “Racismo Estrutural e Institucional”, em alusão ao Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro.

De acordo com o secretário municipal da Assistência Social de Aracaju, Antônio Bittencourt, é necessário que haja o entendimento de que o combate ao racismo não é uma luta apenas de negros e negras, é uma causa de todo ser humano para que se estabeleça uma relação de respeito e igualdade. Ele explica que promoção de debates que estimulem a reflexão é também uma forma de lutar contra qualquer tipo de racismo e intolerância.

“Temos construídos esses ciclos na perspectiva de enfatizar que toda forma de exclusão, preconceito e intolerância, é algo que deve ser rechaçado nas relações sociais como um todo e no poder público. Mais do que não ser intolerante ou não discriminar, precisamos ser propositivos na luta contrária a esse tipo de atitude e a nossa equipe administrativa deve ter essa compreensão. É nesse sentido que, cada vez mais, todos nós nos sensibilizemos para respeitar essa diversidade que nos marca positivamente. Quanto mais abordamos sobre esse tema, estimulamos a reflexão sobre o assunto e mais nos coloquemos contrariamente a qualquer forma de racismo e intolerância”, reforçou o secretário.

Militante do Movimento Negro e Afrorreligioso em Sergipe, o professor doutor Ilziver Matos Oliveira, participou do evento na condição de palestrante convidado. Atuante no estudo e na defesa da equidade de direitos da população negra, ele destaca que os negros, apesar de ser maioria na população brasileira, ainda são excluídos da sociedade em várias esferas sociais.

“É importante lembrar que o negro é uma minoria representativa nas posições de poder, mas é maioria na população, por isso, faz-se necessária a criação de políticas públicas que possam reparar o dano histórico e cultural que restringe à posição de crescimento e representação da maior parte da população negra, parda, indígena e de religiões de matrizes africanas que foram historicamente marginalizadas no país”, observou Ilzver.

Outra representante que compôs a mesa de debate foi a educadora social Thaty Meneses, que trabalha no abrigo Caçula Barreto. Atualmente, ela preside o Conselho Municipal da Promoção de Políticas de Igualdade Racial (COMPPIR) e é ativista da União de Negros pela Igualdade (UNEGRO). De acordo com Thaty, a população negra é formada, em sua maioria, por mulheres e as que menos possuem representação na sociedade.

“É preciso desnaturalizar a imagem do negro de que ele só pode ocupar espaços inferiores na sociedade. Sabemos que é a maioria da população, também sabemos que o negro não ocupa as posições de poder, mas acabamos nos acostumando em ver essa população em posições de baixo nas relações sociais. Hoje pude mostrar que a mulher negra, como eu, deve conquistar e merece representatividade, pois somos a maioria da população e as menos representadas”, contou.

A coordenadora do Centro de Referência Especial da Assistência Social (Creas) Gonçalo Rollemberg Leite, Ana Flávia Lima, destaca que debates como esse ajudam no desenvolvimento do seu trabalho, já que o maior público atendido por sua equipe é formada por mulheres negras.

“Na unidade, as mulheres negras são a maioria dos nossos usuários e elas enfrentam obstáculos devido à cor de sua pele e por ser mulher. Esses encontros agregam muito ao nosso trabalho porque através desse debate, da troca de experiências e do conhecimento, faz com nós, profissionais públicos, fiquemos cientes dos desafios que estão propostos na sociedade fazendo com que abra um espaço para essa população insurgir e mostrar a sua voz”, contou.

Próximo encontro

Na próxima edição do projeto “Suas: Inclusão, Respeito e Diversidade”, o tema em discussão será “Violência contra Mulheres: Desafios e Perspectivas”. O evento acontecerá no dia 27, uma quarta-feira, às 8h, no auditório da Emef Presidente Vargas, na rua Neópolis, bairro Siqueira Campos.

 

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