Deputado do grupo de Alessandro exige cargo no governo Bolsonaro em troca de apoio político

O deputado federal Bosco Costa, do PL, partido do bloco político liderado pelo senador Alessandro Viera (Cidadania), ameaçou retirar seu apoio ao governo Bolsonaro na Câmara dos Deputados caso o nome que indicou para ocupar a Superintendência do Patrimônio da União em Sergipe não seja nomeado.

Em mensagem de áudio enviada a Flávio Adalberto Ramos Giussani, um dos assessores da ministra-chefe da Secretaria de Governo da Presidência, Flávia Arruada (PL), Bosco diz que a demora da correligionária em atender o seu pleito está lhe causando constrangimento aqui no estado.

“Bom dia amigo Flávio, tudo bem com você? Amigo, se possível, se não for muito incômodo pra você, eu gostaria que você visse com a ministra [Flávia Arruda] o que está pegando, essa situação dessa nomeação no SPU, pois todos os deputados em Sergipe as indicações estão saindo, porém, a única que eu levei, diretamente, foi do SPU e está parada”, diz o aliado do senador Alessandro.

A gravação foi divulgada nesta sexta-feira (2) pelo senador Jorge Kajuru (PODE), aliado de Alessandro que se desfiliou do Cidadania em meados de abril deste ano, após divulgar áudio de um diálogo que travou com o presidente em que trataram, dentre outras coisas, sobre embaraçar a CPI da Pandemia e fazer avançar pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.

Para justificar o porquê da cobrança pela nomeação de um indicado seu para a SPU, Bosco destaca ser o parlamentar sergipano mais alinhado ao governo federal. Entretanto, para pressionar a ministra, o deputado confessa que esse apoio está condicionando a cargos na gestão do presidente Bolsonaro.

No áudio, Bosco pede ao assessor da ministra que a questione sobre a quem ele deve recorrer, “se é o presidente do meu partido [Valdemar Costa Neto], se é o Bolsonaro, se algum outro ministro”. Em seguida, o deputado pergunta se será preciso que ele se posicione contra as propostas do presidente, “já que sou parlamentar que mais tenho votado com o governo no meu Estado”.

“Sei que você [Flávio] não tem culpa nisso, pelo contrário, nem quero atribuir culpa à ministra [Flávia Arruda], eu quero uma posição de sim ou não, eu não vou esperar muito tempo por essa situação, tá me constrangendo lá no Estado e eu preciso resolver de uma forma ou de outra, ou sou Governo ou não sou Governo. Brigado Flávio, abraço, bom dia”, finaliza o deputado.

Toma lá dá cá
Deputada federal pelo Distrito Federal, Flávia Arruda é esposa José Roberto Arruda, um ex-governador do DF cassado do cargo e cocondenado por corrupção. Ela foi empossa ministra-chefe da Secretaria de Governo da Presidência no último dia 6 de abril e, já no dia 28, recebeu em audiência o deputado Bosco Costa, como consta na agenda oficial da Secretaria.

No dia seguinte à reunião com Flávia, Bosco fez postagem no seu perfil no Instagram para divulgar que acabara de votar favorável a uma medida provisória enviada pelo governo à Câmara dos Deputados.

“Aprovamos hoje [29 de abril] no plenário da Câmara, a Medida Provisória 1016/20, que trata da renegociação das dívidas para financiamento do desenvolvimento econômico regional”, celebrou o deputado ao parabenizar “a relatoria da propositura e o Governo pelo envio de pauta tão relevante”.

Agrupamento
O PL do deputado Bosco Costa e da ministra Flávia Arruda é presidido por Valdemar Costa Neto, um notório ex-deputado do Centrão condenado por corrupção no chamado escândalo do mensalão. Em Sergipe, o partido é comandado pelo astuto Edivan Amorim e integra o agrupamento político do Cidadania, partido cujo diretório estadual é presidido pelo senador Alessandro.

Nas eleições municipais de 2020, coligado ao Cidadania, o PL doou à campanha da delegada Danielle Garcia à prefeitura de Aracaju mais de R$ 1 milhão em recursos dos Fundos Eleitoral e Partidário, parceria que o partido de Alessandro espera repetir nas eleições do próximo ano.

Para isso, junto ao empresário Milton Andrade, que preside o diretório do PL de Aracaju, a delegada Danielle e os deputados estaduais do Cidadania foram em busca do apoio de Valmir de Francisquinho, o vice-presidente estadual do PL e ex-prefeito de Itabaiana que chegou a ser preso no curso de uma investigação que apura desvio de recursos públicos.

Para garantir estrutura à campanha de Danielle na eleição passada, além do PL o Cidadania se coligou ao PSDB, sigla comanda em Sergipe pelo irmão de Edivan, o ex-senador Eduardo Amorim, cuja filha é assessora de Bosco Costa, deputado que financiou praticamente toda a campanha do deputado estadual Samuel Carvalho (Cidadania).

 

 

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