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Dia Nacional de Tereza de Benguela relembra a resistência da mulher negra

Comemora-se nesta segunda-feira, 25, o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, por meio da Lei nº 12.987/201(“Rainha Tereza” liderou a resistência do povo negro à frente do Quilombo de Quariterê, no Mato Grosso, durante o século XVIII) e o Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha (celebrado desde 1992, quando mulheres se reuniram em 1992 em Santo Domingos-República Dominicana para combater o preconceito racial e o machismo).

A data tem por finalidade, fazer uma reflexão sobre os temas que mais afligem as mulheres negras, a exemplo do racismo,  o machismo, a opressão de gênero e a exploração, além da baixa representação política, direitos sexuais reprodutivos, família, maternidade e paternidade; sexualidade; uma luta que vem desde a escravidão até os dias atuais.  Com o movimento iniciado por mulheres negras latino-americanas e caribenhas, nasceu a Rede de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-Caribenhas. Elas lutaram juto à Organização das Nações Unidas (ONU), para o reconhecimento da data.

Brasil

Tereza de Benguela foi uma líder quilombola que deu visibilidade ao papel da mulher negra na história brasileira. Ela liderou por 20 anos, a resistência contra o governo escravista e coordenou as atividades econômicas e políticas do Quilombo Quariterê, localizado na fronteira do Mato Grosso com a Bolívia. Tereza se tornou a rainha do quilombo após a morte do companheiro, e, sob sua liderança, a comunidade negra e indígena resistiu à escravidão por duas décadas, sobrevivendo até 1770, quando o quilombo foi destruído e a população foi morta ou aprisionada.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais da metade da população do Brasil é negra 63% das casas chefiadas por mulheres negras estão abaixo da linha da pobreza. Estudos mostram que as mulheres negras permanecem sendo as mais exploradas e negligenciadas social e economicamente, além de mais atingidas pela violência.  O Anuário Brasileiro da Segurança Pública de 2021,  mostra que entre as vítimas de feminicídio, 61% eram negras, 36,5% brancas, 0,9% amarelas e 0,9% indígenas. Entre as vítimas dos demais homicídios femininos, 71% eram negras, 28% eram brancas, 0,2% indígenas e 0,8% amarelas.

Ainda de acordo com dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, Sergipe é o terceiro estado com maior risco relativo de vitimização letal de mulheres negras do país com uma taxa de 4,4, no ano de 2019. Em relação ao percentual de mulheres negras vítimas de homicídios, o estado aparece em segunda posição com o percentual 94% e das mortes registradas em  2019, 94% eram mulheres negras e 6% não negras, o que demonstra a necessidade de políticas públicas para o enfrentamento das altas taxas de violência contra  a mulher.

Julho das Pretas

Em 2013, o Odara (Instituto da Mulher Negra) deu início a uma ação denominada Julho das Pretas, com organizações e movimento de mulheres negras do Brasil, voltada para o fortalecimento da ação política coletiva e autônoma das mulheres negras nas diversas esferas da sociedade.

A ação destaca temas sobre a superação das desigualdades de gênero e raça, colocando a pauta e agenda política das mulheres negras em evidência. Em 2022, o tema escolhido é “Mulheres Negras no Poder, Construindo o Bem Viver”.  A 10ª edição realizará 427 atividades desenvolvidas por organizações de mulheres negras em 18 estados brasileiros.

Alese

Na Assembleia Legislativa de Sergipe, a dramaturga do Grupo Teatral Imbuaça e professora Valdice Teles já recebeu destaque (durante homenagem feita pela então deputada Ana Lúcia Vieira) em comemoração ao Dia Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra e Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha. Sergipana de Riachuelo, Valdice Teles enfrentou a cultura dominante, o patriarcalismo e o preconceito racial, tendo a história de resistência política através da arte sido eternizada.

Foto: Divulgação Fundação Palmares

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