Eliane acha natural romper aliança que Déda construiu

Eliane Aquino têm ignorado a história do partido para justificar o rompimento da aliança de centro-esquerda na capital, sob o frágil argumento de que o prefeito Edvaldo Nogueira perdeu sua essência política ao abrir as portas do gabinete ao então deputado federal André Moura (PSC).

Em entrevista ao Jornal da Fan nesta quinta-feira (23), a vice-governadora tentou relegar ao esquecimento coletivo que o saudoso governador Marcelo Déda, para ser reeleito em 2010, precisou ampliar o arco de alianças de sua base política e trouxe para o grupo o PSC, partido que integrou a coligação “Para Sergipe Continuar Seguindo Em Frente”, formada pelo PRB, PDT, PT, PMDB, PSL, PSC, PR, PTC, PSB e PC do B.

Pelo agrupamento liderado por Déda em 2010, Eduardo Amorim foi eleito senador e André Moura, o mesmo para quem os petistas hoje torcem o nariz, foi eleito deputado federal.

Detalhe: os ditos problemas éticos de André Moura já haviam acontecido e as ações contra ele já estavam em curso.

Naquela eleição, estavam todos pacificamente juntos no mesmo palanque, na ampla aliança de centro-esquerda, da qual, hoje, Eliane e o PT acabam de romper, argumentando surpreendentemente não ser mais coerente estar ao lado dos partidos que a integraram.

Ao romper a aliança construída por Déda, Eliane tenta fazer prevalecer a tese de que aos petistas tudo é permitido, de acordo com sua conveniência – inclusive guinar à direita quando julgam necessário, como aconteceu há 10 anos.

Hoje, o PT de Eliane Aquino acusa Edvaldo de caminhar para a direita por manter na aliança de centro-esquerda o empresário Laércio Oliveira, do PP, apontando-o como inimigo. Esquecem, apenas, que na eleição passada, o deputado Laércio já fazia parte do palanque e da coligação que elegeu Eliane Aquino vice governadora, em 2018, embora a essa altura ele já tivesse votado favorável à reforma trabalhista.

Assim, fica difícil saber qual Eliane vai para as ruas defender a candidatura de Márcio Macedo: se a que esteve ao lado de Déda em 2010, quando o PT compôs uma ampla frente de centro-esquerda junto ao PSC e PR, ou se veremos uma Eliane metamorfoseada, que finge não lembrar do que fez no verão passado e julga que “ninguém será de esquerda se não estiver sob o jugo do PT”.

 

Notícias de Sergipe

Email: contato@imprensa24h.com.br

Agilidade e informações com credibilidade são as marcas do Imprensa 24h

Imprensa 24 Horas

Siga nossas redes :

Facebook
Instagram
Twitter

Imprensa 24h

Agilidade e informações com credibilidade são as marcas do Imprensa 24h

2 comentários em “Eliane acha natural romper aliança que Déda construiu

  • 23/01/2020 em 20:41
    Permalink

    Esse argumento cai por terra com o seguinte relato: na história política recente do país – mais precisamente após a reeleição de Dilma Roussef – André Moura foi um dos elementos que urdiram, ao lado de Eduardo Cunha, um processo que manchou a democracia brasileira, atentou contra os brasileiros e a estabilidade política do país: o impeachment de 2016. Depois, virou líder do governo golpista de Temer, e tentou se eleger senador às custas de recursos adquiridos pelo mesmo governo, que massacrou o povo, tirou direitos e garantias sociais da população. A sequência dessa farsa golpista foi a prisão de Lula, sua retirada do pleito de 2018 e a consequente eleição do governo que hoje comanda o Brasil. Esse André com certeza estaria a milhares de quilômetros de distância de Marcelo Déda. Respeite a memória de Déda!

    Resposta
  • 24/01/2020 em 16:19
    Permalink

    As tentativas de edulcorar a história têm um grande problema: os fatos.
    A votação do impeachment de Dilma ocorreu em 17 de abril de 2016.
    Dos 8 parlamentares sergipanos, só 2 votaram contra (Fábio Mitidieri/PSD e João Daniel/PT). André Moura (PSC) votou a favor, assim como Laércio Oliveira (à época no SD) e Fábio Reis (PMDB).
    Em 5 de abril de 2018, Laércio Oliveira filiou-se ao PP.
    Em agosto de 2018, a coligação “Pra Sergipe avançar” foi registrada no TSE. Formada por PSD-PT-MDB-DC-PCdoB-PHS, trazia Belivaldo (PSD) e Eliane (PT) juntinhos com Laércio Oliveira (PP) e Fábio Reis (MDB).
    Ora, se o critério realmente fosse o impeachment, por que a petezada não foi seletiva nas eleições 2018?
    Respeitem a inteligência dos sergipanos!
    É legítimo o PT desejar retomar a prefeitura de Aracaju. Assim como é Rogério Carvalho quer derrotar Edvaldo Nogueira pensando em ser candidato a governador em 2022.
    Porém, precisarão escolher argumentos melhores. A lengalenga da Eloísa Galdino não vai colar.

    Resposta

Deixe uma resposta