Escolas da rede estadual se mobilizam para planejamento de atividades letivas não presenciais

As escolas estaduais de Sergipe trabalham em pleno vapor para a operacionalização e planejamento das atividades letivas não presenciais. Expedida e publicada na última quinta-feira, 28, a portaria nº 2235/2020 da Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (Seduc) regulamenta, em caráter excepcional, a oferta de atividades escolares não presenciais a serem desenvolvidas nas unidades de ensino da Rede Pública Estadual, computadas como carga horária mínima anual obrigatória, durante o período em que permanecer o decreto governamental suspendendo as atividades educacionais presenciais.

De acordo com a professora Ana Lucia Lima, diretora do Departamento de Educação (DED), a adesão da escola é o primeiro passo para a realização das Atividades Escolares Não Presenciais. As equipes de gestão e pedagógica deverão, coletivamente, decidir para que todos abracem a proposta. “Após a adesão, é importante que a escola estabeleça alguns dias para  seu planejamento antes de iniciar as Atividades Escolares Não Presenciais, observando os meios, recursos e estratégias conforme a realidade de cada escola, dos estudantes e professores”, explicou.

Ainda segundo ela, a Seduc disponibilizou suporte pedagógico para o planejamento e realização dessas ações, com sugestão de material didático, videoaulas, planos de aulas, atividades para os estudantes, relatos de práticas escolares e diversos conteúdos que estão disponíveis no Portal Estude em Casa (www.seduc.se.gov.br/estudeemcasa) para auxiliar as unidades de ensino e seus professores. “Cada escola sabe da sua realidade e tem autonomia para planejar atendendo às suas especificidades”, frisou a diretora do DED.

Para tanto, a fim de promover o alinhamento das ações pedagógicas que serão aplicadas com a retomada do ano letivo, as equipes escolares estão se reunindo no ambiente virtual. É o caso da Escola Estadual Marinalva Alves, em Nossa Senhora do Socorro, como explica o diretor da unidade, professor Dilson Gonzaga Sampaio. “A gestão apresentou a realidade social do território e da comunidade escolar, apontando as possíveis dificuldades enfrentadas pelos alunos e os pais, havendo nas reuniões vários encaminhamentos e propostas inovadoras com o intuito de atender à demanda estudantil. A escola dispõe de dois grupos de WhatsApp: um geral e outro de acordo com a série do aluno. Essa ferramenta nos auxilia com a comunicação e aproximação entre escola e as famílias. Serve também para postagem de vídeos e atividades dirigidas. Outra alternativa são os e-mails. Indicamos também o portal da Seduc”, pontuou.

Com relação aos alunos que não têm acesso à internet, “nos comunicamos com os assistentes sociais da área, ligamos para os responsáveis. Para esse público organizamos um dia de entrega do material na Escola, respeitando as normas sanitárias. Nesse dia, de forma solidária, com o apoio dos professores e funcionários, oferecemos um sopão da solidariedade. Definimos uma reunião uma vez por semana de forma virtual, a fim de debatermos e avaliarmos essa nova tendência educativa”, ressaltou Dilson Gonzaga.

As atividades educacionais não presenciais deverão ser desenvolvidas no Ensino Fundamental e Médio, em suas diferentes modalidades e etapas, e deverão ter como base as habilidades e competências gerais e específicas das áreas de conhecimento e dos componentes curriculares, previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Currículo de Sergipe e Proposta Pedagógica, sob a orientação, mediação, registro e acompanhamento dos professores regentes.

Saiba mais sobre a portaria

Ações em prática

Na Diretoria Regional de Educação 7, todas as escolas circunscritas à diretoria já aderiram ao modelo de atividades escolares não presenciais.

Na Escola Estadual Francisco Sales Sobral, em Itaporanga d´Ajuda, desde a primeira semana após a suspensão das aulas que as equipes diretiva e pedagógica vêm envidando esforços com o objetivo de proporcionar aos seus alunos o acesso ao conhecimento, de forma que nenhum deles ficasse exposto ao perigo que uma aglomeração ofereceria. Fundamentando-se nas ações de ensino remoto, o diretor da escola, professor Robson Santos, conta que três ferramentas foram postas em funcionamento.

“A primeira ferramenta criada pela escola foi o Salesflix, um portal de vídeos com conteúdos temáticos e separados por disciplinas, o qual traz pequenas aulas para o nosso público de alunos que são do Ensino Fundamental Menor. Mesmo não atingindo a todos, pois muitos alunos não têm acesso à internet, a receptividade por parte dos pais que tiveram acesso à plataforma foi muito boa. A orientação para o uso foi fundamental. Uma coisa é disponibilizar a plataforma; outra coisa, totalmente diferente, é guiar pais e alunos no seu manuseio. Dessa forma, foi criado um grupo no aplicativo whatsapp para conversa com os pais. Nesse espaço, os pais passaram a ter acesso à plataforma e informações de como aplicar os conteúdos na forma de atividades remotas com seus filhos. Assim, as atividades remotas passaram não somente a agregar conhecimento aos alunos nesse momento tão difícil, mas também, a passar a oferecer informações confiáveis aos pais acerca do momento de pandemia, uma vez que o que circula nas redes muitas vezes desinforma em vez de informar. Nossas conversas no whatsapp passaram a ter também esse papel informativo)”, detalhou Robson Santos.

A segunda ferramenta da Escola Francisco Sales, dentro do grupo de whatsapp, foi o envio de atividades remotas virtuais: vídeos, áudios, pdfs e imagens com atividades semanais organizadas pelos nossos professores e orientadas por nossas equipes diretiva e pedagógica, sempre colocando à disposição dos pais o espaço do whatsapp para sugestões, críticas e para tirar dívidas sobre as atividades. Contemplando os alunos que não têm acesso à internet, bem como a falta de conhecimento para o manuseio dos recursos digitais, a terceira ferramenta oferta atividades impressas, que são entregues aos país ou responsáveis legais. “Também oferecemos esse mesmo tipo de atividades impressas para alunos do 1º ano do Ensino Fundamental por estarem ainda em contato inicial com a escrita”, explicou.

“Recentemente, criamos mais uma ferramenta: para os alunos das turmas do 4º ano. Uma parceria entre os professores possibilitou o desenvolvimento de mais uma plataforma. Seu idealizador foi o professor Josivan Moura, que compõe nosso quadro de professores e tem se mostrando um grande aliado na adesão de novas tecnologias ao ensino. A plataforma de Ensino Remoto criada por ele usa a ferramenta Google Sites para criar um ambiente de hospedagem de aulas e questões lúdicas, na qual o professor tem a oportunidade de monitorar remotamente o acesso dos alunos e dar feedback. Os vídeos são postados no Youtube pelo professor e hospedados nessa plataforma. Ali também são adicionados questionários sobre os conteúdos dos vídeos. Tudo isso somado ao contato direto com o professor para que o aluno possa tirar dúvidas pelo whatsapp”, disse o diretor do Francisco Sales.

Situada do povoado Triunfo, em Simão Dias, a Escola Estadual Vereador Manoel Sobrinho também se adequa aos trabalhos de ensino a distância. Além do acompanhamento diário e oferta semanal de atividades por meio das plataformas digitais, a equipe promove ações que movimentam a rotina dos estudantes que estão em casa cumprindo o distanciamento social. Um exemplo desse engajamento é a iniciativa desenvolvida pela pedagoga Maria Sandra Abreu Santana, que lançou desafio da leitura para seus alunos, com uma regra simples e básica: gravar um vídeo lendo o trecho de um livro didático ou paradidático.

Sandra Abreu, que leciona na turma do 3° ano do ensino fundamental, conta que a ação foi pensada com a finalidade de estimular a leitura e o desenvolvimento da oralidade dos estudantes. “Quanto à escrita, nós temos um retorno, mas não sabíamos como estava a leitura. Por isso, lançamos o desafio por meio do qual eles poderiam utilizar o livro didático ou paradidático, fazer uma leitura e nos enviar o vídeo. Projeto que foi bem gratificante, pois tivemos a oportunidade de não ver o nível de leitura, mas também matar um pouco da saudade, ao ouvir a voz deles e vê-los na imagem”, concluiu a pedagoga da Escola Manoel Sobrinho.

 

 

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