Incidência de câncer de boca é 16 vezes maior entre os fumantes

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil é o terceiro país do mundo com maior ocorrência de câncer de boca, com cerca de 15 mil casos todos os anos. O oncologista cooperado Unimed Sergipe, William Giovanni Soares, explica que o tabagismo é um dos principais fatores de risco para a doença.

“Quem fuma tem  16 vezes mais chances de desenvolver o câncer de boca do que aquelas pessoas que não fumam. Quando acontece a associação do cigarro com o álcool, esse risco é potencializado, pois com o álcool a possibilidade torna-se de três a quatro vezes maior”, explica William.

Outras causas que ajudam no desenvolvimento da doença são a exposição ao sol sem proteção e o HPV. “Vem crescendo a associação do câncer de boca com o Papilomavírus Humano, o HPV. Um importante trabalho científico recente de uma grande instituição mostrou que 30% dos casos em pacientes mais jovens, abaixo dos 40 anos, estava relacionado ao HPV”, pontua o oncologista.

No Brasil, em torno de 60% dos casos são diagnosticados em estágios avançados. Desde 2015, na primeira semana de novembro, é celebrada a Semana Nacional de Prevenção ao Câncer de Boca, com o objetivo de alertar a população para a importância do diagnóstico precoce.  A doença pode atingir lábios, estruturas da boca, como gengivas, bochechas, céu da boca, língua (principalmente as bordas) e a região embaixo da língua.

Segundo William Giovanni, os sinais da doença podem ser percebidos pela própria pessoa.”Todos têm que ficar muito atentos ao surgimento de manchas, sejam de coloração avermelhada forte ou de coloração mais branca. Estas podem ser lesões relacionadas ao início do surgimento de um câncer ou podem ser lesões que chamamos de pré-malignas, que podem virar um câncer no futuro. Essas manchas são lesões de alerta. Se houver o surgimento de tumorações ou aftas que não cicatrizam dentro de 15 dias, é preciso procurar um profissional da área de saúde”, alerta o oncologista.

A doença também pode trazer sintomas mais avançados, como dificuldade de engolir e sangramento. “Todos esses são sinais de alerta, principalmente para quem fuma”, complementa o médico.

Diagnóstico e tratamento

Após a suspeita do surgimento do câncer de boca, o médico responsável solicitará uma biópsia ao paciente que consiste na retirada de um fragmento da lesão, que é encaminhado para um laboratório de anatomia patológica para a análise.

“Confirmada a suspeita, é preciso fazer alguns exames para saber em que estágio se encontra a doença. Em estágios mais iniciais,  o tratamento preconizado é a cirurgia. Quando tem uma lesão um pouco mais avançada, a gente precisa muitas vezes acrescentar após cirurgia a radioterapia, ou, em alguns casos, a radioterapia e a quimioterapia. Nos casos mais avançados, além da quimio, hoje em dia já temos a disponibilidade de utilização de drogas-alvo  e da imunoterapia, que já é uma terapia mais avançada”, destaca o oncologista.

Prevenção

De acordo com William, a má higiene oral torna-se um cofator para o aparecimento da doença. “Às vezes, restos alimentares podem provocar algumas reações que podem induzir a essas lesões pré-malignas. Então,  a higiene oral e visitas regulares ao dentista sempre vão contribuir com a prevenção”, explica o médico.

Como o câncer de boca também está ligado ao HPV, a vacina contra o vírus torna-se uma aliada na prevenção. “O imunizante contra o HPV é disponibilizado pela rede pública de saúde e também em clínicas privadas. Responsáveis por meninos e meninas a partir dos sete anos de idade já podem procurar uma unidade de saúde ou o seu pediatra para vacinar essas crianças. A gente sabe que a vacina tem grande impacto na prevenção não só do câncer do colo do útero, mas também do câncer de cabeça  e pescoço e de penis”, afirma o oncologista.

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