Os benefícios da leitura literária adulta para o tratamento de pessoas com ansiedade fraca à moderada

Resumo: Nos últimos anos, estudos têm mostrado que um grande número de pessoas experimentará algum tipo de transtorno de ansiedade de maneira contínua ou recorrente. Terapias complementares como a leitura literária vêm provando sua eficácia significativa na redução dos sintomas desse problema. Portanto, o objetivo deste estudo é discutir o uso da leitura de literaturas como intervenção para o tratamento de transtornos de ansiedade fraca à moderada, com base nos resultados de grandes estudos. Os resultados desta análise revelam que a leitura é uma intervenção consistente e bem sucedida no tratamento dos transtornos de ansiedade. No entanto, é necessário que o leitor com a síndrome do pensamento acelerado – ansiedade – mantenha uma rotina de leitura para que estabeleça uma eficácia completa e segura.

Palavras – chave: Leitura literária; Ansiedade; Tratamento

1. Introdução

Nos últimos anos, é perceptível o aumento de incidência de transtornos de ansiedade na população adulta. Diversos outros distúrbios mentais, como a expressão e a síndrome do pânico, têm como ponto crucial a ansiedade ou existem alguns sintomas em comum. Atualmente, a maioria dos tratamentos em combate à ansiedade envolvem, quase que de maneira geral, intervenções psicológicas e farmacológicas. No entanto, há necessidade de diferentes estratégias que possam atender, da melhor maneira, pacientes com realidades e necessidades diferentes.

Em virtude dos efeitos adversos da medicação, da falta de eficácia ou simplesmente por preferência a outro método, é relevante considerar as chamadas terapias complementares. Muitos estudos têm mostrado que os rémedios indicados para o auxílio ao tratamento têm limitado êxito a longo prazo (Youngstedt & Kripke, 2007), geram sonolência e dependência, (Buffet-Jerrott & Stewart, 2002), prejudicam cognição e memória (Buffet-Jerrott & Stewart, 2002; Struzik, Vermani, CoonertyFemiano & Katzman, 2004) e geram disfunção sexual (Struzik et al., 2004; Segraves, 1988).

A literatura adulta, assim como as demais, tem por finalidade recriar a realidade a partir da visão de determinado autor por meio de palavras carregadas de significado, que visam atingir a autoconsciência do leitor. Ou seja, a leitua literária exige que a mente decodifique os sinais da escrita e seus significados, desligando-se de todo o contexto externo e, consequentemente, acalmando os pensamentos. Desse modo, surgiu a Biblioterapia – Terapia por meio de livros – em que o especialista prescreve um livro para o paciente ler de acordo com suas necessidades. Vale ressaltar que a prescrição do livro é realizada da mesma maneira que o médico prescreve determinado medicamento, ambos com a mesma importância e finalidade: A melhoria do paciente.

Para melhor compreensão do assunto, vamos descrever a ansiedade e leitura literária como terapia para este transtorno.

2. O que é ansiedade?

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Para entender melhor o assunto abordado neste artigo, é importante compreender todo seu conjunto. Ansiedade é a síndrome do pensamento acelerado, também chamada pelo Dr. Augusto Cury de “Mal do século”.

Vários fatores foram necessários para que essa doença pudesse ser expandida, alguns deles são: Consumismo desenfreado, constantes inovações tecnológicas, a incapacidade de espera até mesmo por uma mensagem, etc.

“Sem perceber, a sociedade moderna […] alterou algo que deveria ser inviolável: o ritmo de construção de pensamentos. Isso gerou consequências seríssimas para a saúde emocional […] estamos adoecendo coletivamente e a ansiedade é o verdadeiro mal do século”. (Augusto Cury, 2013).

A ansiedade é uma doença antiga e em determinados casos requer tratamento. Os tratamentos mais conhecidos são Psicológicos e Farmacológicos.
Psicológicos: consultas e terapias com médicos especialistas, sendo eles psicólogos e/ou psiquiatras.

“Psicoterapia caracteriza-se pelo seu contexto relacional […] toda a realidade atribuída a
eventos, experiências e pessoas é construída socialmente”. (Hasse, 2004)

Farmacológico: é o tratamento com medicamentos. Neste caso, é necessário cautela pois alguns pacientes não conseguem se adaptar ao uso, são impossibilitadosou simplesmente não querem recorrer a esse tipo de tratamento.

Além desses fatores foram observadas também as consequências do uso de tais medicamentos já citados anteriormente.

E foi analisando essas situações que surgiu a necessidade de criar um novo método para o tratamento de pessoas com ansiedade moderada e para servir de aliado a outros tratamentos já praticados pelo paciente.

3. Leitura literária como terapia

Há muito tempo a leitura é tida como algo medicinal, antes mesmo de ter essa finalidade definida. A leitura é importante para diversos momentos de nossas vidas, seus benefícios são inúmeros, temos um ótimo exemplo disso: durante as guerras eram distribuídos livros para os soldados pois notaram que o resultado da leitura era favorável para concentração e evitava maiores traumas psicológicos. A leitura teve sua finalidade definida apenas no século XX e seu uso para fins medicinais é conhecido como biblioterapia.

“Desde que o homem começou a escrever e a ler […] Não demorou muito para que livros fossem considerados sagrados, e a cura para os males da alma passasse a ser buscada neles. Muito embora não fosse nomeado como tal, pois isso aconteceu apenas no século XX, o uso de livros com propósitos medicinais é conhecido como biblioterapia”. (ManuelaBravo, 2017)

A literatura adulta especialmente tem um contexto que exige do leitor maior atenção, seja por seu enredo envolvente, pelo uso de metáforas, pela capacidade de mexer com a mente humana ou até mesmo pela possibilidade de nos colocarmos no papel dos personagens. Essa necessidade de atenção quase que completa é um dos fatores que ajuda no tratamento de pessoas com a ansiedade; outro fator importante é quando ao ler a história nos identificamos com o texto e/ou com o personagem, isso contribui até mesmo para solucionar algum problema vivenciado pelo leitor.

“Às vezes é a história que encanta; em outras é o ritmo da prosa que funciona sobre a psique, acalmando ou estimulando. Às vezes, é uma ideia ou dilema semelhante. Seja como for, os romances têm o poder de nos transportar para outra existência”. (Berthoud & Elderkin, 2013) .

Após um longo tempo de pesquisa e estudos, as inglesas Ella Berthoud e Susan Elderkin reuniram em um livro chamado “Farmácia Literária” mais de 400 livros para curar males diversos como ansiedade e depressão, o livro conta com diversos temas de males, em ordem alfabética e para cada problema há uma indicação de leitura, pois, é importante salientar que somente uma leitura específica para cada caso pode ser capaz de curar uma pessoa, por isso é de suma importância que as indicações sejam feitas por um especialista em biblioterapia.

Alguns dos livros sugeridos pelas autoras são:

• Coelho corre – John Updike (quando sentir o desejo de abandonar o barco)
• Canto chão – Kent Haruf (Abandono)
• Eu sou David – Anne Holm (Abatimento)
• A mulher do viajante no tempo – Audrey Niffenegger (Aborto Espontâneo)
• Qualquer lugar menos aqui- Mona Simpson
• A casa de papel – Carlos María Dominguez
• Uma casa para o sr. Biswas – V. S. Naipaul (em casos de falta de abrigo)

Confira o artigo completo aqui

 

Por  Luísa Passos e Letícia Fontes – Acadêmicas do curso de Letras Português e Espanhol pela Universidade Federal de Sergipe.

 

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