Palmas para a população aracajuana

Na última sessão do ano da câmara municipal de Aracaju, no calar da noite, a mesa diretora da casa colocou em votação um projeto de lei que aumentaria o rendimento dos vereadores, do prefeito, do vice-prefeito e dos secretários municipais. Os respectivos políticos e servidores que recebiam um montante fincanceiro na ordem de:

  • Vereador: passaria de R$18.991,68 para R$ 24.689,19
  • Prefeito: passaria de R$ 24.000 para R$ 30.240
  • Vice: aumentaria para R$ 24.689,19
  • Secretários: passaria de R$ 15.031,76 para R$ 18.991,69

Atente, meu caro leitor, que utilizei os verbos na forma pretérita, pois estes aumentos não irão mais ocorrer, ao menos não por enquanto. Tão logo a sessão finalizou, a notícia do aumento arbitrário, ilegal e imoral ganhou as redes sociais e uma onda de indignação formou-se entre a população Aracajuana. Movimentos sociais e lideranças políticas organizaram-se em prol de uma pauta legítima e comum a todos os cidadãos Aracajuanos. A mensagem a ser passada era clara: o povo não iria tolerar a imoralidade e o descaso com o dinheiro público. Em um Brasil imerso em problemas financeiros, sociais e políticos, não é justo que uma classe acredite estar acima dos anseios da população e atue em prol dos seus próprios interesses, esquecendo aqueles que o erigiram como representantes do povo. Um total de 16 veradores votaram SIM ao projeto, os nomes deles ficarão para a posteridade, e espero que nem tão cedo os Aracajuanos esqueçam estes indivíduos que possivelmente pedirão votos no ano seguinte para a manutenção dos seus mandatos. Aproveito este espaço para eternizar o nome deles:

  • Anderson de Tuca
  • Bigode do Santa Maria
  • Camilo Lula
  • Dr Gonzaga
  • Dr Manuel Marcos
  • Elber Batalha
  • Evandro Franca
  • Fábio Meireles
  • Isac
  • Jason Neto
  • Juvêncio Oliveira
  • Palhaço Soneca
  • Pastor Alves
  • Seu Marcos
  • Vinícius Porto
  • Zezinho do Bugio

A sexta-feira ainda estava a raiar e o coletivo Unidos por Aracaju e o MOVA-SE já haviam criado um ferramenta para pressionar os parlamentares e a prefeitura a recuarem do projeto de lei que viria a aumentar os salários, onerando ainda mais os pagadores de impostos. A participação da população Aracajuana foi instântanea e a mobilização foi impactante, em poucas horas milhares de pessoas já haviam assinado o protesto e lotado a caixa de e-mail da prefeitura. O final de semana chegou, mas o descanso por parte das lideranças políticas não aconteceu e dúzias de vídeos ocuparam as redes, todos transmitiam a mesma mensagem: É chegada a hora da população ir às ruas para impedir o assalto.

No domingo a noite, em um grupo de Whatsapp, as lideranças políticas do movimentos sociais estavam organizando uma grande manifestação em frente a prefeitura municipal de Aracaju e convidando toda a população a se fazer presente. A notícia correu como fogo no palheiro e passou a ser assunto dominante em inúmeros grupos de Whatsapp. A notícia da manifestação que ganhava corpo chegou aos ouvidos do prefeito Edvaldo Nogueira que na segunda pela manhã anunciou que iria vetar o PL que concedia um aumento a si mesmo e aos vereadores e secretários. A despeito das ‘’belas’’ palavras escritas pelo prefeito em sua conta do Instagram que afirmou não saber da existência do projeto de lei e que sua intenção inicial já era vetar o mesmo. Me parece que o prefeito, ou é incompetente e não sabe o que se coloca em votação na casa legislativa pela mesa diretora que é sua aliada, ou se faz de cego aos anseios da população, pois ele mesmo afirmou em uma resposta a um usuário que o questionou em seu perfil oficial que ‘’nem tinha visto a repercussão que tomou o projeto, mas assim que tomei conhecimento, decidi pelo veto’’. Ao meu ver, o prefeito Edvaldo demonstra sua pequeneza política ao tomar como idiota a população Aracajuana que manifestou-se de forma aguerrida durante dias contra o projeto.
Nesse sentido ele acompanha o presidente da ALESE, o deputado Luciano Bispo que, com medo da pressão popular que estava ganhando força na sociedade para reduzir o recesso dos deputados estaduais de Sergipe, decidiu por resgatar um projeto que estava há meses engavetado e puxar para si o protagonismo da pauta que já ocupava os mais variados lugares de debate em nosso estado. Os dois são representantes mór de uma velha política que ainda não sabem como lidar com a participação da sociedade cívil que tem utilizado as redes sociais para fazer seus anseios serem ouvidos, estes políticos preferem ignorar o protagonismo de novas lideranças políticas e dos movimentos sociais, pois estes sabem que estão ameaçados, e que os seus recantos eleitorais não estão mais presos em uma bolha de ignorância e complacência servil.

O prefeito pode se fazer de cego ou de desinformado, mas a verdade uma hora chega e, quando ela vem, traz luz onde antes reinava a escuridão. A pressão foi tão grande na câmara muncipal de Aracaju que horas depois das manifestações ganharem coro nas redes sociais, a própria mesa diretora lançou uma nota em sua página oficial justificando o projeto de lei que concedia um aumento, mas curiosamente após o agigantamento das manifestações e do iminente protesto que iria ocorrer, o presidente da casa, o vereador Nitinho Vitale, foi a público mais uma vez afirmar que o PL era antes de tudo inconstitucional e que a sessão Extraordinária de número 27, 28, 29 e 30 que decidiu por aumentar o rendimentos dos parlamentares seria anulada em sua totalidade. Toda essa situação vem apenas clarear a percepção que os brasileiros possuem de que nossos políticos são intelectualmente pouco preparados, via de regra, salvo raras exceções.

Quero encerrar esta coluna, afirmando que o prefeito Edvaldo Nogueira, nem tão pouco o presidente da Câmara Municipal de Aracaju possuem mérito algum nessa vitória, eles apenas reagiram diante de uma indignação coletiva que ganhava força. O mérito é todo da população aracajuana que fez sua voz ser ouvida por aqueles que estão lá para nos servir e não o contrário. Parabenizo todas as lideranças políticas que levantaram essa bandeira, felicito também os movimentos sociais que compraram essa briga e não esquecer dos três vereadores que se posicionaram contrários ao PL na noite em que foi apresentado. São eles: Emília Corrêa (Patriota), Américo de Deus (Rede) e Lucas Aribé (PSB). No mais, sigamos vigilantes, pois novas lutas hão de chegar e devemos todos ficar atentos, pois como afirmou certa vez Thomas Jefferson: O preço da liberdade é a eterna vigilância.

 

Por: Prof. Leonardo Lisboa – licenciado em Letras, ativista político e presidente do Instituto Liberal de Sergipe.

 

 

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