Parlamentares do Cidadania propõem investigações por mera conveniência política

O senador Alessandro Vieira e o deputado estadual Georgeo Passos, ambos do Cidadania, já propuseram, respectivamente, a instauração de investigações para apurar supostas práticas de ‘rachadinha’ no gabinete do então deputado federal Jair Bolsonaro e na Fundação Renascer.

Apesar dessa disposição de investigar casos que envolvem adversários políticos, Alessandro e Georgeo ignoram convenientemente a escandalosa denúncia de desvio de recursos públicos que envolve Samuel Carvalho, deputado estadual do Cidadania acusado de embolsar parte dos salários de assessores de seu gabinete parlamentar.

Em 5 de julho, horas após o UOL divulgar uma série de reportagens com áudios inéditos de uma ex-cunhada de Bolsonaro, que acusa o agora presidente de desvio de salários de assessores parlamentares, Alessandro defendeu a instalação de uma CPI para apurar o que, segundo ele, seriam “fatos de notável interesse público”.

No mês seguinte, o deputado Georgeo Passos anunciou, na tribuna da Assembleia, que acionaria o Ministério Público do Estado para que o órgão investigasse denúncias de suposta ‘rachadinha’ que teria sido praticada por servidores da Fundação Renascer, órgão vinculado ao governo do Estado.

No Senado, para justificar a criação da CPI da Rachadinha, Alessandro destacou que as reportagens estavam “lastreadas em áudios que apontam detalhes do que se dizia no círculo íntimo e familiar do então Deputado Federal [Jair Bolsonaro]”. O mesmo ocorre com a denúncia relacionada a Samuel, a qual inclui áudios de parentes da esposa do deputado.

Georgeo, por sua vez, mostrou-se interessado em “saber para onde ia” o dinheiro que teria sido supostamente arrecadado a partir do esquema conhecido como rachadinha. “Isso é grave”, bradou o deputado ao defender a atuação do Deotap e do MPE “para que isso não se repita mais na Fundação”.

Entretanto, esse mesmo ímpeto para investigar ‘rachadinhas alheias’ não é demonstrado por Alessandro e Georgeo, que presidem os diretórios estadual e municipal de Ribeirópolis do Cidadania, respectivamente, quando a denúncia recaí sobre “um dos seus”, o Samuel Carvalho, que comanda o diretório do partido em Nossa Senhora do Socorro.

Esse comportamento ‘tigrão’ com adversários, ‘tchutchuca’ com aliados, evidencia o oportunismo político das investigações propostas pelos parlamentares do Cidadania, que, ao tempo em que comemoram a criação da CPI da Covid na Assembleia, ainda que sem fato definido a ser investigado, omitem-se vergonhosamente de cobrar a devida apuração da denúncia de peculato envolvendo um correligionário.

 

 

 

 

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