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Programa Absorvente é Direito: Colégio 17 de Março é a primeira escola estadual a receber absorventes higiênicos

As jovens Lenice Ramos e Laiza Martins, ex-alunas do Centro de Excelência Atheneu Sergipense, iniciaram na tarde dessa quinta-feira, 28, a concretização do Programa Absorvente é Direito, momento em que elas fizeram a distribuição de absorventes higiênicos a alunas da rede estadual de ensino. A primeira ação ocorreu no Colégio Estadual 17 de Março, em Aracaju, onde 192 meninas receberam o produto. O programa é resultado de um projeto de lei criado pela aluna Lenice Ramos, que foi apresentado e pré-selecionado na etapa estadual do Parlamento Jovem Brasileiro, da qual a estudante participou em 2020, alcançando o 2º lugar na etapa nacional do programa.

Na proposta de projeto de lei, Lenice sugere ao Governo de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (Seduc), garantir a distribuição de absorvente higiênico menstrual para as meninas e mulheres matriculadas em toda a Rede Pública Estadual de Ensino. Ela apresenta dados do Brasil sobre a falta de acesso a saneamento básico enfrentado por quatro milhões de meninas que sofrem com pelo menos uma privação de higiene nas escolas. Isso inclui falta de acesso a absorvente e a banheiros com sabonetes. Mais de quatro milhões de meninas não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais nas escolas. Com o apoio do professor Yuri Noberto, Lenice modificou o projeto e o direcionou para o estado onde reside, objetivando atender às meninas e mulheres estudantes de escolas públicas. Lenice buscou o apoio de instituições parceiras e conseguiu um patrocínio da Magazine Luiza, por meio do qual adquiriu 192 mil pacotes de absorventes para distribuir às alunas da rede estadual.

O auditório do Colégio Estadual 17 de Março estava lotado, com cerca de 190 alunas que, uma a uma, foram chamadas para receber o absorvente higiênico. De acordo com Lenice Ramos, ao longo desse mês de maio, 17 escolas da rede estadual de ensino serão contempladas com esta ação. “Quando vamos a algumas escolas mais periféricas, as meninas não têm nem discernimento do que é a pobreza menstrual e da gravidade que isso pode trazer para elas, como a questão dos improvisos. Não queremos dar apenas o absorvente, mas também a informação. Além de devolver a dignidade dessas meninas, queremos que elas saibam que ter o absorvente é um direito delas, para que possam ter mais autonomia do próprio corpo”, explicou Lenice Ramos.

A gestora da Diretoria de Educação de Aracaju (DEA), Gilvânia Guimarães, esteve presente ao ato das entregas, e falou sobre os benefícios que essa ação traz. “A gente sabe que muitas meninas às vezes deixam de ir à escola porque estão menstruadas e não têm condições de comprar um absorvente. Esse projeto é uma questão de saúde, e com ele queremos reduzir a ausência da mulher na escola durante o período menstrual. Precisamos despertar essa reflexão para o autocuidado da mulher”, disse.

A diretora da unidade de ensino, Shirley Suellen Ramalho Santos Silva, incentivou as alunas a serem receptivas ao projeto. “Sintam-se sempre à vontade para buscar a escola, a coordenação, se estiverem precisando. A gente sabe que a questão dos absorventes é uma necessidade, mas também um direito de todas vocês, o qual agora é garantido. Sintam-se acolhidas por nós”, declarou.

Alunas comemoram

Uma das primeiras alunas a receberem o pacote de absorvente menstrual foi a jovem Ingrid Mirian Santos Oliveira de Jesus, que elogiou a iniciativa. “Essa é uma ação muito inteligente, e as meninas pensaram muito bem a favor dessa causa. Nós, mulheres, precisamos, sim, ter um apoio sobre isso e não devemos ter vergonha. Precisamos sempre estar unidas, pois é um direito nosso”, disse. Opinião semelhante teve a sua colega Kamilly Gabrielly Santana de Souza. “É uma ação muito bonita. Muitas pessoas precisam. Aqui mesmo na escola e em outras redes, algumas meninas não têm condições de comprar absorvente ou têm vergonha de falar sobre isso. Portanto acho bastante necessário haver ações como essa”, declarou.

Já Yasmin Mirian Santos Oliveira de Jesus disse que algumas têm vergonha de ir à escola no período menstrual. “Agradeço muito às meninas que tiveram a iniciativa de fazer isso por nós. Muitas colegas minhas, e até mesmo eu, às vezes faltamos à aula por estarmos menstruadas e não termos condições de adquirir absorvente. Isso é muito difícil. Estamos muito felizes”, afirmou.

Diálogo com o Secretário

O tema da pobreza menstrual foi tratado durante os encontros denominados “Diálogo com o secretário”, realizados no ano passado entre o secretário Josué Modesto dos Passos Subrinho e os diretores escolares de todas as unidades de ensino da Rede Pública Estadual de Educação.

Para o secretário, todo assunto que esteja relacionado às motivações que justificam a ausência nas aulas ou evasão escolar dos estudantes deve ser debatido e enfrentado por todos os agentes que compõem a educação pública, sobretudo os problemas fundamentados pelo cenário socioeconômico desse público.

A Seduc estuda mecanismos legais para distribuir gratuitamente absorventes higiênicos para todas as meninas e mulheres matriculadas nas unidades de ensino da Educação Estadual. O projeto de lei Programa Absorvente é Direito, de autoria da estudante Lenice Ramos;  é um dos instrumentos para garantir que a política pública seja executada pelo Governo de Sergipe.