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Retomada dos festejos juninos é motivo de comemoração para quem vive da tradição o ano todo

As bandeirolas já se espalham por Aracaju, colorindo residências e estabelecimentos comerciais. As lojas de tecido exibem em destaque chitas multicoloridas e os mais variados tipos e cores de xadrez. Nos mercados, feiras livres e nas vendas de bairro, é fácil encontrar milho verde, amendoim cozido e as demais iguarias típicas.

Após dois anos de isolamento social por causa da pandemia da covid-19, os festejos juninos deste ano serão marcados pela retomada presencial. Momento muito esperado pela população e, em especial, por pessoas que, de forma direta, atuam para manter viva a tradição.

O cantor e sanfoneiro Glaubert Guimarães, do Forró Siri na Lata, já tem 15 anos de carreira artística, sempre com foco no trio pé de serra e na tradição nordestina. Ele comenta que o período de pandemia foi muito complicado e só não foi mais difícil porque concilia o trabalho musical com outro ofício.

“Com a pandemia, caiu drasticamente o número de apresentações. O dinheiro dos shows, que complementa a renda mensal, fez muita falta. O setor da arte e da cultura foi dos mais afetados pela pandemia”, destaca o cantor ao relembrar o apoio da Prefeitura, em 2021, quando a banda participou da segunda edição do Forró Caju em Casa.

Glaubert vislumbra a retomada presencial como uma renovação da esperança. “O Forró Caju é uma festa de renome nacional, traz inúmero benefícios para o cidadão, para os turistas, para a economia e para nós, artistas, pois oportuniza espaços para o artista local. Este festejo junino será um momento de renovação, para comemorar a vida”, considera.

O quadrilheiro Hélio Santos começou a dançar em 2007, na quadrilha mirim. Hoje, 15 anos depois, ele é marcador da Xodó da Vila, do bairro Inácio Barbosa. “A quadrilha moldou o ser humano que eu sou”, conta.

Foi na vivência da quadrilha que Hélio fez amigos e encontrou a parceira de vida, com quem tem um filho. “Dançamos juntos há seis anos e nosso filho nos acompanha nos ensaios”, relata.

O impacto dos dois anos de pandemia para os quadrilheiros foi bem negativo. “Nós conseguimos nos manter unidos através de lives e de contato pelas diversas mídias. Foi uma tentativa de continuar fomentando a cultura quadrilheira e mostrar a força dessa tradição aqui em Aracaju”, destaca o quadrilheiro.

O retorno presencial está sendo marcado por muita alegria e pela superação das dificuldades provocadas pela crise financeira.

“Na nossa estreia, dava para ver o entusiasmo no olhar dos participantes, a alegria que temos de dançar. Todo espetáculo é feito para o público, então, nesse retorno, é fundamental que quem está assistindo também faça parte com aplausos, para que possamos compartilhar essa alegria e valorizar nossa tradição”, ressalta Hélio.

Com ateliê próprio desde 2008, Maria Aparecida de Jesus é uma das muitas costureiras aracajuanas que dedica o talento para confeccionar as tradicionais roupas de quadrilha. Ela começou a costurar com uma máquina doméstica. A clientela foi chegando, o negócio foi crescendo, e ela realizou o sonho de comprar a primeira máquina industrial. “Hoje, o ateliê conta com 10 máquinas industriais, conquistadas com muito trabalho. Trabalham comigo mais cinco pessoas, inclusive minhas filhas”, detalha.

Para conseguir se manter durante a pandemia, Maria precisou se reinventar. “Estava quase entregando o imóvel do ateliê, pois não ia conseguir pagar o aluguel. Foi quando comecei a costurar máscaras, com os retalhos, e saí vendendo de porta em porta”, recorda.

Segundo a costureira, o retorno depois dos meses difíceis de pandemia estão superando as expectativas. “Nas semanas que antecedem os festejos juninos o forte mesmo são as roupas de quadrilha, em especial os vestidos. Com a retomada dos festejos, as encomendas aumentaram muito, graças a Deus. Estou trabalhando dobrado para dar conta das encomendas”, festeja Maria Aparecida.

Luiz Antônio Costa, conhecido como Luizão, há mais de 20 anos comercializa comidas típicas. Ao longo de todo o ano, ele vende iguarias como pé de moleque, mungunzá, bolos, sarolho, mas relata que, no mês de junho, o movimento é muito maior. “Recebo até encomenda para festas em condomínios, aumenta bastante as vendas desde o começo do mês”, conta.

Durante os últimos dois anos de reclusão, Luizão conseguiu manter o comércio aberto com serviço de delivery e de retirada do local. “As vendas diminuíram muito, mas deu para continuar”, relembra.

Luizão comemora o retorno presencial e já adianta que as vendas estão aquecidas e com uma boa procura. “O São João é nossa festa tradicionalíssima. Reúne famílias, amigos, todo mundo. É muito bom poder voltar”, comemora.

Programação especial

Para marcar este período de retomada presencial dos festejos, após realizar duas edições do Forró Caju em Casa em 2020 e 2021, a Prefeitura preparou uma vasta programação que, além do Forró Caju 2022, entre os dias 23 e 26, 28 e 29 de junho, contará com o tradicional Fórum do Forró, e, ainda, novidades implementadas este ano: o Circuito Folclórico Sergipano, o São João na Praça e o Circular Junino.

No decorrer deste mês de junho, se apresentarão em diversos pontos da capital mais de 80 atrações musicais, de renome nacional e destacando os artistas locais, além de quadrilhas e grupos de cultura popular.

Imprensa 24h

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