No Dia Internacional da Mulher, um feminicídio em Sergipe que atinge números alarmantes motivou um potente Ato Político Cultural na Feira Livre do Bairro Bugio, em Aracaju, no último domingo, 8 de março. Organizado por diversos coletivos, movimentos sindicais e sociais sergipanos, o evento reuniu a comunidade para um debate contundente sobre a violência de gênero, a exploração da mulher trabalhadora e a urgência de políticas de proteção, com a força do maracatu do grupo Baque Mulher e a expressividade de performances teatrais. A iniciativa visou não apenas celebrar a data, mas principalmente denunciar as desigualdades e violências que ainda persistem, reforçando a importância da união feminina na luta por direitos e segurança.
A concentração do ato teve início em frente à tradicional Igreja Nossa Senhora Aparecida, criando uma atmosfera única que fundiu a movimentação típica da feira e da missa dominical com a energia vibrante do protesto. A comunidade local, acostumada com o ritmo do bairro, foi diretamente impactada pela mensagem de solidariedade e resistência. Mães, trabalhadoras e idosas, muitas delas realizando suas compras semanais ou saindo da celebração religiosa, pararam para ouvir as falas, assistir às apresentações e, em muitos casos, se unir à causa. Esse engajamento espontâneo demonstra a relevância do tema para a população sergipana e a eficácia de levar o debate para espaços cotidianos.
Um dos momentos mais tocantes foi o depoimento da senhora Maria José, que, ao sair da missa, se viu envolvida pela força do movimento. Com a voz embargada pela emoção, ela compartilhou a dor e a preocupação que acompanham a realidade feminina no Brasil. “Tem que parar esse feminicídio. Precisamos de segurança para proteger a gente. É muita violência que está tendo. Eu sou mulher, tenho sobrinha, tenho minhas irmãs. A mulher luta, trabalha fora, trabalha e faz tudo dentro de casa e ainda tem homem que chega pra bater”, comentou, revelando a urgência de um basta à violência doméstica e de gênero que aflige tantas mulheres em Sergipe e no país. Sua fala ressoou como um eco de centenas de outras vozes silenciadas pelo medo e pela opressão.
A Voz Que Clama Contra a Violência: Testemunhos e Dados Chocantes
A gravidade da situação foi ainda mais evidenciada pelos números apresentados pela diretora da Secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT-SE, Adenilde Dantas. Os dados, que servem de alerta para toda a sociedade, revelam que só em 2025, 15 mulheres foram assassinadas em Sergipe pelo simples fato de serem mulheres, e houve 46 tentativas de feminicídio. A situação não mostra sinais de trégua em 2026: em apenas alguns meses do ano que se iniciou, já foram registradas 11 tentativas de feminicídio, resultando na trágica morte de uma mulher. Estes números frios representam histórias de vidas interrompidas, famílias destruídas e uma falha sistêmica na proteção dessas vítimas.
Adenilde Dantas também fez questão de sublinhar que a violência contra a mulher em Sergipe não se restringe a um único perfil. A militante destacou a preocupante frequência da violência praticada contra a mulher trans, as meninas e adolescentes que têm suas vidas brutalmente ceifadas pela violência machista em diversas regiões de Sergipe. O combate a essa cultura de agressão exige uma abordagem ampla e interseccional, que reconheça e atue sobre as diferentes vulnerabilidades. O Governo do Estado de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado da Mulher, Cidadania e Direitos Humanos (SEMCDH), tem programas e canais de denúncia para auxiliar vítimas, reforçando a importância de buscar apoio e registrar ocorrências. Mais informações podem ser obtidas no site oficial da Secretaria. https://semcdh.se.gov.br/
Além do Feminicídio: A Luta Contra a Exploração do Trabalho Feminino
Para além da violência física e psicológica, o ato na Feira do Bugio também lançou luz sobre outra forma de opressão enfrentada pelas mulheres: a exploração no ambiente de trabalho. Adenilde Dantas enfatizou a violência da exploração da mulher trabalhadora, conclamando todos a se unirem na luta contra a controversa escala de trabalho 6×1. Este regime, onde o trabalhador tem seis dias de trabalho para apenas um de folga, afeta desproporcionalmente as mulheres, que frequentemente acumulam a jornada profissional com a exaustiva carga de trabalho doméstico e de cuidados, sem remuneração ou reconhecimento.
A professora Adenilde explicou que, para muitas mulheres, a jornada não se encerra ao sair do emprego formal. “Fica o apelo de que todos entrem nas redes sociais dos políticos para pedir o fim da escala 6×1. Nós, mulheres, não trabalhamos na escala 6×1, nós trabalhamos 7×0 em casa e precisamos vencer essa realidade derrotando a escala 6×1 e derrotando o machismo que nos impõe todo o trabalho doméstico todos os dias do ano”, reforçou. Essa dupla jornada é um reflexo direto do machismo estrutural, que ainda atribui a responsabilidade primária pelo lar e pela família às mulheres, impactando sua saúde física e mental, sua capacidade de ascensão profissional e seu bem-estar geral. A superação dessa realidade exige mudanças legislativas e culturais profundas, que reconheçam o valor do trabalho doméstico e promovam uma divisão mais equitativa das responsabilidades.
Unidade e Mobilização: A Força dos Coletivos em Sergipe
O mote que impulsionou o protesto – “Pela vida das mulheres: chega de feminicídio/transfeminicídio e racismo. Por maior representação política, pela soberania dos povos e pelo fim da escala 6×1” – sintetizou as diversas frentes de luta abordadas. A força do movimento residiu na união de uma ampla gama de organizações, demonstrando um fronte coeso contra as opressões. Entre os participantes estavam o SINTESE, SINDISAN, SINDIJUS, SINDIPEMA, STTR-São Cristóvão, Sacema, Sindasse, Sindoméstica/SE, Sepumm, SINASEFE, UBM, Seeb, Sindifisco, SINTRASE, SINTUFS, Coletivo Olga Benário, Marcha Mundial das Mulheres, Amosertrans, além da vereadora de Aracaju Sônia Meire (Psol), a deputada estadual Linda Brasil (Psol), e militantes do PT, Psol, UP, entre demais partidos e militantes de esquerda. Essa pluralidade de vozes reforça a abrangência da luta feminista em Aracaju e em todo o estado.
As manifestações artísticas, como o som do maracatu do grupo Baque Mulher e a performance teatral com Paula Auday e Talita Calixto, não foram meros adornos, mas elementos centrais de resistência e engajamento. A arte tem o poder de comunicar mensagens complexas, despertar emoções e mobilizar, tornando o protesto mais acessível e impactante para o público da Feira do Bugio. Ao unir cultura e política, o ato conseguiu ultrapassar barreiras e falar diretamente ao coração e à mente dos presentes, reafirmando que a luta pelos direitos das mulheres é também uma celebração da vida e da criatividade.
O Papel da Sociedade na Denúncia e Prevenção
A crescente onda de feminicídio em Sergipe e a exploração laboral feminina exigem uma resposta articulada de toda a sociedade. É fundamental que cada cidadão se sinta parte dessa luta, denunciando abusos, promovendo o respeito e apoiando iniciativas que visem a igualdade de gênero. O Imprensa 24h reitera a importância de que a população sergipana utilize os canais de denúncia disponíveis, como o Disque 180, para casos de violência contra a mulher. A visibilidade e o debate sobre esses temas são passos cruciais para a construção de uma sociedade mais justa e segura para todas as mulheres. A participação ativa da comunidade é o pilar para que as estatísticas parem de crescer e para que a esperança de um futuro sem violência se torne realidade.
O feminicídio em Sergipe é uma triste realidade que ceifou 15 vidas e resultou em 46 tentativas em 2025, com 11 tentativas e uma morte já em 2026. Em resposta a essa escalada de violência, coletivos e movimentos sociais de Aracaju realizaram um ato político-cultural no Dia Internacional da Mulher para conscientizar e exigir ações contra a violência de gênero e a exploração feminina.
O que é feminicídio e qual sua situação em Sergipe?
Feminicídio é o assassinato de uma mulher pela condição de ser mulher, motivado por discriminação de gênero. Em Sergipe, foram 15 feminicídios e 46 tentativas em 2025, com 11 tentativas e uma morte já em 2026, evidenciando uma realidade alarmante que exige ação imediata.
Como o movimento feminista em Sergipe aborda a questão da violência e exploração?
O movimento feminista em Sergipe atua de forma multifacetada, organizando atos políticos-culturais, como o da Feira do Bugio, para denunciar o feminicídio, o transfeminicídio, o racismo e a exploração da mulher trabalhadora, como a jornada 6×1, buscando conscientizar e pressionar por políticas públicas eficazes.
Onde posso denunciar casos de violência contra a mulher em Sergipe?
Casos de violência contra a mulher em Sergipe podem ser denunciados pelos canais oficiais, como o Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher), delegacias especializadas, e centros de referência. A Secretaria de Estado da Mulher, Cidadania e Direitos Humanos (SEMCDH) de Sergipe também oferece suporte e informações.
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