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Ida de André Moura à CPMI do INSS não tem dedo do senador Rogério, confirma autor da convocação

Ida de André Moura à CPMI do INSS não tem dedo do senador Rogério, confirma autor da convocação

Ida de André Moura à CPMI do INSS não tem dedo do senador Rogério, confirma autor da convocação

Alguns setores da imprensa local, aparentemente mais comprometidos com narrativas convenientes do que com os fatos, resolveram transformar uma entrevista do deputado federal Rogério Correia, concedida ao Jornal da Fan na semana passada, em um enredo conspiratório digno de ficção política de baixa qualidade.

Segundo essa versão criativa dos fatos, o parlamentar petista teria “confirmado” uma suposta participação do senador Rogério Carvalho na convocação de André Moura para depor na CPMI do INSS. O problema? Nada disso foi dito na entrevista. Absolutamente nada.

Para começo de conversa, e aqui vai um detalhe básico que parece ter sido solenemente ignorado, Rogério Carvalho sequer integra a CPMI do INSS. Ou seja: atribuir a ele influência direta em uma convocação da comissão exige interpretação elástica e imaginação fértil.

Já o requerimento de convocação tem autoria clara e motivação explícita. Segundo Rogério Correia, que assina o pedido de convocação, a iniciativa partiu de membros da comissão interessados em esclarecer a origem de um esquema que remonta ao governo Michel Temer.

E, nesse ponto, o próprio deputado não economiza palavras. Ao justificar a convocação, Correia atribui ao então líder do governo no Congresso, André Moura, papel relevante na estruturação do modelo que permitiu descontos associativos indevidos no INSS, prática que, segundo ele, evoluiu para um esquema bilionário.

De acordo com o parlamentar, foi nesse período que se consolidaram indicações estratégicas dentro do INSS, viabilizando a expansão do modelo posteriormente questionado. Nada de teoria conspiratória envolvendo senador sergipano; apenas uma linha investigativa baseada em fatos e responsabilidades políticas da época.

Aliás, o apelido nada lisonjeiro de “Rei do INSS”, atribuído a André Moura pelo deputado Paulo Pimenta, reforça que o foco das atenções da CPMI está longe de qualquer figura alheia à comissão, e bem mais próximo de quem efetivamente exercia poder sobre a estrutura investigada.

Portanto, a tentativa de colar no senador Rogério Carvalho a pecha de articulador de uma convocação que ele não poderia sequer influenciar não se sustenta nem sob análise superficial. É menos uma interpretação equivocada e mais um esforço deliberado de criar um fato político onde ele simplesmente não existe.

Enquanto isso, segundo Rogério Correia, a própria CPMI enfrenta outro problema: a dificuldade em avançar sobre determinados nomes. “O presidente da CPMI tem blindado diversas pessoas”, afirmou o deputado, citando, inclusive, o próprio André Moura como um dos casos.

No fim das contas, o que há de concreto é simples: a convocação de André Moura decorre de uma investigação sobre fatos passados, não de qualquer articulação fantasiosa envolvendo o senador sergipano. O resto é ruído, ou, para ser mais direto, narrativa forçada tentando ocupar o lugar da realidade.