Em publicação atualizada nesta terça-feira (13), o Hospital Universitário de Lagarto (HUL-UFS) reforçou que a violência na primeira infância pode deixar sinais físicos e provocar mudanças de comportamento. Esses sinais de violência infantil merecem avaliação cuidadosa; a orientação é procurar atendimento de saúde diante de uma suspeita e acolher a criança sem transformá-la em alvo de interrogatório.
Imagem ilustrativa: Freepik/Agência Brasil.
Lesões e mudanças de comportamento merecem atenção
A pediatra Joara Almeida, do HUL-UFS, orienta familiares a observar hematomas, queimaduras ou fraturas que não correspondam à explicação apresentada sobre como ocorreram. Sonolência excessiva, irritabilidade, isolamento social e medo intenso de falar sobre o que aconteceu também podem indicar a necessidade de uma avaliação cuidadosa.
Esses sinais não confirmam, por si só, que houve violência. A médica ressalta que uma situação pontual pode servir de alerta e precisa ser avaliada com cuidado, sem conclusões precipitadas. A criança deve ser acolhida e ouvida no momento adequado.
O que fazer diante de uma suspeita
O HUL-UFS recomenda que familiares procurem atendimento médico mesmo quando ainda há dúvida sobre a causa de uma lesão ou mudança de comportamento. Na triagem, profissionais de saúde podem ouvir a criança, registrar as informações e acionar a rede de proteção à infância, conforme a avaliação do caso.
Segundo Joara Almeida, a escuta precisa respeitar o tempo da criança e evitar perguntas insistentes que pareçam um interrogatório. A orientação completa está na publicação do Hospital Universitário de Lagarto.
Atlas reúne dados nacionais sobre violência infantil
O Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), registra que, no Brasil, as notificações de negligência contra crianças de 0 a 4 anos passaram de 7.694, em 2014, para 26.277, em 2024, alta de 241,5%. No mesmo intervalo, os registros de violência física cresceram 149,8% e os de violência psicológica, 478,4%; as notificações de violência sexual subiram 369,5%, de 1.671 para 7.845.
O levantamento aponta ainda que 79,9% dos casos registrados tiveram autoria classificada como doméstica; entre esses casos, 67,3% ocorreram na própria residência. Os percentuais são nacionais e não representam uma contagem específica de Sergipe.
Semana de prevenção vai até 18 de outubro
A Semana Nacional de Prevenção da Violência na Primeira Infância ocorre de 12 a 18 de outubro e foi instituída pela Lei nº 11.523/2007. A campanha chama atenção para os cuidados nos primeiros anos de vida e para a importância de reconhecer sinais, buscar avaliação profissional e acionar a rede de proteção quando necessário.

