A gestão de elenco de Abel Ferreira no Palmeiras voltou a ser alvo de debates após as recentes declarações do treinador sobre o atacante Vitor Roque. Após a classificação da equipe sobre o Santos, nas quartas de final da Copa do Brasil, o técnico afirmou publicamente que o camisa 9 precisa “voltar a sorrir” e recuperar a confiança, expondo a fase delicada que o jogador atravessa.
O desafio emocional de Vitor Roque
Vitor Roque enfrenta um momento de oscilação, agravado pela busca por sua melhor condição física após uma cirurgia no tornozelo. A falta de confiança ficou evidente em lances recentes, como a oportunidade desperdiçada de cabeça contra o Santos. Além da ausência de gols, o atacante tem demonstrado ansiedade, com decisões precipitadas e envolvimento em conflitos, como o cartão amarelo recebido após uma discussão com reservas do adversário.
O alerta do caso Raphael Veiga
A estratégia de Abel Ferreira de utilizar a imprensa para cobrar atletas divide opiniões. O histórico recente do clube traz o exemplo de Raphael Veiga em 2025. Naquele período, o meia foi exposto publicamente pelo treinador, com destaque para o episódio após a derrota por 3 a 0 para a LDU, na Libertadores, quando foi improvisado como segundo volante em uma altitude de 2.800 metros. O jogador, que enfrentava dificuldades técnicas, acabou sendo posteriormente emprestado ao América, do México.
Limites entre a motivação e a pressão excessiva
Embora o treinador cite o sucesso obtido com Flaco López — que superou cobranças públicas para se tornar um dos pilares do time — o futebol não é uma ciência exata. O que serve de combustível para um atleta pode representar um peso adicional para outro. A exposição pública, quando o jogador já se encontra pressionado, pode gerar um efeito contrário ao desejado, inibindo a naturalidade necessária para o desempenho em campo.
A pressão sobre o comando técnico
O cenário é complexo, pois o próprio Abel Ferreira vive sob a cobrança por títulos de expressão nacional, algo que o Palmeiras não conquista desde 2023. Ao transferir parte dessa pressão para os atletas nas entrevistas coletivas, o treinador corre o risco de fragilizar a confiança de seus comandados. Para que Vitor Roque retome seu protagonismo, a estratégia de comunicação interna no vestiário pode se mostrar mais eficaz do que as cobranças recorrentes diante dos microfones.


