Em um passo crucial para garantir a dignidade e a mobilidade de comunidades tradicionais, a deputada federal Yandra Moura (União) articulou nesta terça-feira, 16, um diálogo significativo com a Superintendência Regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) em Aracaju. O objetivo central foi buscar soluções para o precário acesso da comunidade quilombola do Povoado Patioba, localizado no município de Japaratuba, em Sergipe, uma demanda antiga que impacta diretamente a vida de centenas de moradores.
O encontro, que reuniu o superintendente do DNIT Halpher Luiggi, representantes da comunidade, da prefeitura e do legislativo municipal, evidenciou a complexidade da situação. A passagem subterrânea existente, construída após um acordo com o Ministério Público, revelou-se insuficiente e inadequada para as necessidades de deslocamento da população, especialmente veículos de maior porte, comprometendo a segurança e a integração social do quilombo. A iniciativa da parlamentar, que busca ser uma ponte entre a população e os órgãos federais, foi destaque nos debates sobre infraestrutura e direitos humanos em Sergipe.
A Luta por um Acesso Digno: Histórico e Desafios do Povoado Patioba
O Povoado Patioba, uma vibrante comunidade quilombola em Japaratuba, é um símbolo da riqueza cultural e histórica de Sergipe. No entanto, sua trajetória também é marcada por desafios estruturais. A construção de uma rodovia há anos dividiu o território da comunidade, criando a necessidade premente de uma travessia segura e eficiente. A solução encontrada na época, um túnel dimensionado para veículos leves, acabou por se tornar um novo problema, limitando o desenvolvimento e a acessibilidade da região.
A vereadora Mel da Patioba, que tem sido uma voz incansável em defesa dos seus conterrâneos, detalhou a raiz do problema no encontro. Segundo ela, a estrutura executada ficou aquém do necessário. “A gente não vê viabilidade. As pessoas não se sentem seguras para utilizar o túnel”, relatou a vereadora, ecoando o sentimento de insegurança e frustração de muitos. A passagem estreita e, por vezes, mal iluminada, impede a circulação de vans escolares, ambulâncias maiores e veículos de carga, essenciais para o escoamento da produção local e o transporte de serviços básicos.
A relevância do tema transcende a questão da mobilidade, tocando diretamente na manutenção da identidade e coesão da comunidade quilombola. Um acesso deficiente não apenas isola fisicamente, mas também dificulta o acesso à educação, saúde e oportunidades econômicas, perpetuando ciclos de vulnerabilidade. O portal Imprensa 24h, atento às demandas sociais do estado, acompanha de perto essa pauta, ciente da importância de dar visibilidade a essas questões.
DNIT Reconhece Limitações e Abre Espaço para Diálogo Construtivo
Durante a reunião, o superintendente do DNIT em Sergipe, Halpher Luiggi, demonstrou abertura e reconheceu as limitações da obra existente. Ele explicou que o túnel foi dimensionado conforme um padrão adotado pelo órgão para comunidades com menor fluxo viário, em consonância com o acordo firmado à época com o Ministério Público. Luiggi pontuou, contudo, que ampliar as dimensões da estrutura é um processo complexo e que não pode ser realizado de imediato, exigindo novos estudos técnicos, desapropriações e possivelmente um novo projeto.
Apesar dos desafios, o superintendente sinalizou que melhorias pontuais são viáveis a curto prazo. “Na prática, a gente consegue melhorar, mas não consegue aumentar rapidamente as dimensões. O projeto foi aprovado com o Ministério Público para passagem de carros de pequeno porte. Precisamos também dialogar com os proprietários vizinhos para viabilizar os acessos e concluir o que foi pactuado”, informou Halpher. Essas melhorias poderiam incluir o nivelamento do piso, aprimoramento da iluminação e sinalização, medidas que, embora não resolvam o problema estrutural, podem mitigar parte dos riscos e desconfortos atuais, assim que as condições climáticas permitirem a execução dos trabalhos.
O diálogo com o DNIT é fundamental para comunidades em áreas de abrangência de grandes rodovias federais. Para mais informações sobre as operações e projetos do órgão, é possível acessar o site oficial do DNIT, que disponibiliza dados sobre obras e regulamentações de infraestrutura em todo o Brasil. A transparência e a colaboração entre as esferas do governo e a sociedade civil são pilares para a construção de soluções duradouras.
O Papel da Representação Parlamentar na Busca por Soluções
A deputada Yandra Moura enfatizou o compromisso de seu mandato em ser o elo entre a comunidade e o órgão federal. “A comunidade quilombola do Patioba tem história e identidade que merecem ser respeitadas. Viemos ao DNIT para construir uma solução juntos. O diálogo foi muito produtivo e o nosso mandato está à disposição para ser o elo entre a comunidade e o órgão, garantindo que as demandas cheguem da forma correta e que a gente avance para uma resposta que atenda de verdade quem vive ali”, declarou a parlamentar.
Como encaminhamento concreto da reunião, o gabinete da deputada Yandra Moura enviará um ofício formal ao DNIT Sergipe, oficializando a demanda da comunidade e abrindo um canal de interlocução que visa soluções concretas para o acesso da comunidade quilombola Patioba. A expectativa é que esse movimento parlamentar impulsione a análise aprofundada da situação, culminando em projetos que respeitem tanto as possibilidades técnicas do DNIT quanto as necessidades reais e urgentes dos moradores de Japaratuba.
A presença de diversas autoridades locais e representantes da comunidade no encontro sublinha a mobilização em torno da causa. Estiveram presentes o prefeito de Japaratuba, Décio Neto; os vereadores Roberto Taxista (presidente da Câmara Municipal), Mel da Patioba e Neném de Cenira; além da presidente da Associação Quilombola do Povoado Patioba, Kelly, e a vice-presidente, Andréa. Pelo DNIT, além de Halpher Luiggi, o advogado Walter também participou, reforçando a seriedade e o caráter institucional do debate.
Trecho de Destaque: A Importância do Diálogo na Infraestrutura Quilombola
A busca por um acesso digno para a comunidade quilombola Patioba, em Japaratuba, exemplifica a complexidade de conciliar o desenvolvimento de infraestrutura com o respeito às necessidades e direitos de populações tradicionais. O diálogo entre parlamentares, órgãos federais como o DNIT e as lideranças comunitárias é fundamental para construir soluções que garantam não apenas a mobilidade e segurança, mas também a preservação cultural e o bem-estar social.
Perguntas Frequentes sobre Acesso a Comunidades Quilombolas
Qual é a principal demanda da comunidade quilombola de Patioba?
A principal demanda é a melhoria do acesso à comunidade, especificamente a readequação do túnel existente sob a rodovia, que atualmente é estreito e inseguro, impedindo a passagem de veículos maiores e impactando a mobilidade e segurança dos moradores.
Quem está envolvido na busca por soluções para o acesso em Patioba?
A deputada federal Yandra Moura lidera a articulação com o DNIT, contando com a participação do superintendente Halpher Luiggi, da vereadora Mel da Patioba, do prefeito de Japaratuba Décio Neto, outros vereadores e representantes da Associação Quilombola do Povoado Patioba.
Quais são os próximos passos para resolver o problema de acesso?
O gabinete da deputada Yandra Moura enviará um ofício formal ao DNIT Sergipe, solicitando a formalização da demanda e abrindo caminho para estudos e a apresentação de soluções viáveis, que podem incluir melhorias pontuais ou, a longo prazo, a readequação estrutural do túnel.
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