As obras da Adutora Frei Enoque, conhecida como Adutora do Leite, estão programadas para começar ainda este mês de agosto em Sergipe. O projeto representa um investimento de cerca de R$ 680 milhões e tem como objetivo principal levar água bruta de Canindé de São Francisco até Nossa Senhora da Glória. Essa iniciativa é estratégica para impulsionar a cadeia produtiva do leite no Alto Sertão sergipano, uma das regiões mais importantes para a agropecuária do estado.
O anúncio do início da construção pelo governador Fábio Mitidieri (PSD) acendeu o debate sobre a articulação política que viabilizou o financiamento federal da obra. O senador Rogério Carvalho (PT/SE) afirmou, em entrevista à Revista Realce, ter tido participação direta na interlocução entre o Governo de Sergipe e o Governo Federal para assegurar que a União assumisse os custos milionários do projeto.
Financiamento Federal e Articulação Política
De acordo com o senador Rogério Carvalho, seu papel foi fundamental para estabelecer uma ‘ponte’ entre as duas administrações. “O meu papel foi fazer essa mediação entre o Governo do Estado de Sergipe e o Governo Federal para, juntos, conseguirmos que o Governo Federal financiasse essa obra”, declarou. Ele ressaltou que o aporte federal de R$ 680 milhões para a Adutora Frei Enoque liberará recursos próprios do Estado de Sergipe para outros projetos considerados estratégicos para o desenvolvimento local.
A parceria entre o governo estadual, sob a liderança de Fábio Mitidieri, e o governo federal, que conta com a influência do senador, é vista como crucial para a concretização de grandes projetos de infraestrutura que demandam vultosos recursos e coordenação entre diferentes esferas de poder.
Impacto Estratégico para o Sertão Sergipano
A Adutora do Leite é considerada um marco para o Alto Sertão de Sergipe. Com cerca de 100 km de extensão, o sistema de abastecimento de água atenderá uma região que se destaca pela intensa atividade agropecuária e pela significativa produção de leite e derivados. A garantia de água bruta é essencial para o crescimento e a sustentabilidade dessa cadeia produtiva, beneficiando produtores rurais e a economia local.
O projeto se alinha a uma série de investimentos que o governo de Fábio Mitidieri tem direcionado para o Sertão sergipano. Recentemente, Porto da Folha recebeu a implantação e pavimentação da Rodovia Gildo Xavier, um investimento de mais de R$ 23 milhões. Em Nossa Senhora da Glória, foi entregue a primeira Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do interior do estado, com um aporte superior a R$ 1 milhão. Já em Poço Redondo, uma nova Estação de Tratamento de Água (ETA) e a Adutora do povoado Curralinho resolveram uma demanda histórica, com investimentos que superaram R$ 23 milhões em parceria com a empresa Iguá. Esses projetos visam fortalecer a infraestrutura e a qualidade de vida na região.
Adaptação à Lei: Mudança de Nomes em Prédios Públicos
Em outro movimento de adequação à legislação, a Prefeitura de Itaporanga d’Ajuda iniciou a renomeação de prédios públicos que levavam nomes de pessoas vivas. A medida atende à Lei Federal nº 6.454 de 1977, que proíbe o batismo de bens públicos, de qualquer natureza, com nomes de indivíduos ainda vivos em todo o território nacional. A escola que antes contrariava a legislação, por exemplo, agora homenageia o produtor rural Eduardo Silveira Sobral, ex-presidente da Federação da Agricultura em Sergipe e nome de destaque no setor rural sergipano.
A iniciativa em Itaporanga se estende a outras ruas, escolas e locais públicos, visando a completa conformidade com a lei federal. A situação levanta questionamentos sobre outras prefeituras e até mesmo órgãos estaduais, como o Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), que deveriam, segundo o Blog Cláudio Nunes, ser exemplo na observância da legislação. No âmbito do governo estadual, já houve a troca de diversas nomenclaturas de prédios públicos anteriormente, conforme mencionado pelo blog.
Promessas e a Memória Seletiva na Política
O cenário político brasileiro frequentemente traz à tona a reflexão sobre as promessas e discursos de campanhas passadas. Em tempos de disputas eleitorais, a imprensa costuma relembrar declarações de políticos, que muitas vezes demonstram uma “memória seletiva” ao tentar reescrever o que foi dito anos antes. A célebre frase “esqueçam o que escrevi”, atribuída ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre seus livros como sociólogo, ecoa em contextos atuais.
Um exemplo é a promessa de não buscar a reeleição feita por determinado político em 2018, que hoje adota um discurso diferente. A dificuldade de “largar o filé mignon da política”, como uma cadeira no Senado, que Darcy Ribeiro comparou ao “Céu na Terra” pelos longos oito anos de mandato e privilégios, contribui para essa dinâmica de mudança de postura e “esquecimento” de compromissos anteriores, conforme observação do blog.


