A inteligência artificial já integra a rotina de usuários em atividades como trabalho, estudo, produção de textos e análise de documentos. O uso crescente dessas ferramentas, no entanto, levanta preocupações sobre privacidade, sigilo e impactos no ambiente corporativo.
O alerta é do advogado Genisson Araújo, que atua há mais de 15 anos na área jurídica e acompanha os efeitos da tecnologia no Direito.
Segundo ele, é comum que usuários insiram em plataformas de IA informações pessoais e profissionais sem avaliar os riscos, incluindo dados sensíveis, como contratos e conteúdos empresariais.
“Tem gente que usa a inteligência artificial como se estivesse em uma conversa privada e segura, mas não percebe que está lidando com uma ferramenta que pode envolver processamento externo de dados. Muitas vezes, a pessoa coloca ali informações da própria vida, da empresa, contratos e até dados sensíveis sem qualquer filtro de cuidado”, alerta o advogado Genisson Araújo.
No ambiente corporativo, empresas têm adotado regras internas para orientar o uso dessas ferramentas, especialmente quando há acesso a informações estratégicas ou protegidas por sigilo.
“Hoje muitas empresas já estão criando políticas internas justamente porque entenderam que não dá para deixar o uso da inteligência artificial sem orientação. O problema não é a ferramenta em si, mas o uso inadequado dentro do ambiente corporativo”, explica.
Genisson destaca que o uso da inteligência artificial, por si só, não configura irregularidade trabalhista, mas a forma de utilização pode gerar consequências.
“Usar inteligência artificial não é, por si só, um problema trabalhista. O que pode gerar problema é a forma como ela é utilizada. Cada caso precisa ser analisado com cuidado, principalmente quando envolve normas internas da empresa e dever de sigilo”, afirma.
Ele cita como exemplo situações em que funcionários inserem dados confidenciais sem autorização, o que pode caracterizar violação de sigilo e resultar em sanções disciplinares.
“Se o empregado pega informações confidenciais da empresa e insere em uma ferramenta de inteligência artificial sem autorização, isso pode sim ser entendido como quebra de sigilo. Dependendo da gravidade e das regras internas, isso pode levar a advertências e até a uma justa causa”, destaca.
O advogado também chama atenção para o compartilhamento de informações de terceiros, como clientes e colegas de trabalho, que estão protegidas por dever de confidencialidade.
“Informações de clientes, colegas ou parceiros comerciais não podem ser tratadas como se fossem públicas. Existe um dever de confidencialidade que precisa ser respeitado, independentemente da tecnologia utilizada”, reforça.
Apesar das preocupações, Genisson avalia que a inteligência artificial já é uma realidade consolidada no ambiente profissional e tende a se expandir. O desafio, segundo ele, está em equilibrar inovação e responsabilidade.
“A inteligência artificial já faz parte da rotina e não tem mais volta. O desafio agora é aprender a usar essa tecnologia de forma responsável, sem abrir mão da segurança e do respeito às regras de cada ambiente profissional”, avalia.
Ele ressalta ainda que o Direito precisa acompanhar essas transformações, especialmente nas áreas de proteção de dados, privacidade e relações de trabalho.
“O Direito precisa evoluir junto com a tecnologia. Estamos falando de temas como proteção de dados, privacidade e relações de trabalho que estão sendo diretamente impactados pela inteligência artificial. Isso exige atualização constante”, observa.
Por fim, o advogado reforça a importância da cautela no uso dessas ferramentas.
“Antes de inserir qualquer informação em uma inteligência artificial, é preciso parar e pensar: isso pode ser compartilhado? Isso é confidencial? Essa reflexão simples já evita muitos problemas”, conclui Araújo.


