A reta final do segundo turno marcou um ajuste de rota na campanha do presidente Lula. O movimento vitorioso, porém, não apaga os erros cometidos no campo da política no atual mandato e que precisam ser sanados se o petista quiser mesmo cumprir os compromissos assumidos logo após a contagem dos votos, quando assegurou mudar o jeito de governar.
Após a vitória anterior, o presidente e o partido passaram a ignorar os sinais dados pelas urnas de que deveriam fazer uma política de ampliação e de diálogo rumo ao campo conservador. Em sentido inverso, o governo ocupou espaços centrais com aliados tradicionais da esquerda.
Os equívocos na articulação do primeiro mandato
Entre os erros capitais do atual mandato está o desprezo pela frente ampla que foi fundamental para vitórias anteriores. Nomes de destaque da centro-direita foram alocados em pastas de menor expressão política.
O isolamento de aliados estratégicos afastou o governo do centro democrático da sociedade. No Congresso, a administração enfrentou dificuldades na negociação com o bloco parlamentar dominante.
Distanciamento de setores estratégicos da sociedade
A gestão desperdiçou tempo sem conseguir corrigir deficiências históricas no relacionamento com segmentos fundamentais. O governo federal falhou na aproximação com evangélicos, o agronegócio, os empreendedores e os defensores de maior rigor na segurança pública.
Na economia, a aposta priorizou canais sindicais enquanto parcelas expressivas da população buscavam apoio para o empreendedorismo. No trato com o setor agrícola, o confronto substituiu o diálogo em momentos decisivos.
Radicalismo digital e os aprendizados da campanha
O sectarismo e a polarização mantiveram os canais governistas confinados em uma bolha restrita. A guinada na comunicação digital ocorreu apenas na fase final da disputa, com estratégias focadas em ampliar o alcance popular.
A vitória recente recolocou o debate sobre a necessidade de renovação nas práticas administrativas. O sucesso eleitoral recente dependeu fundamentalmente da mobilização de setores externos à base tradicional petista.

