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Camilo Santana articula redução da maioridade penal na PEC da Segurança Pública

Camilo Santana articula redução da maioridade penal na PEC da Segurança Pública

Camilo Santana articula redução da maioridade penal na PEC da Segurança Pública

O senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, articula a apresentação de uma emenda à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. O objetivo central da iniciativa é reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos, mas exclusivamente para casos de crimes hediondos. A movimentação, contudo, enfrenta resistência interna dentro do Partido dos Trabalhadores e gera debates no Palácio do Planalto.

Estratégia política e resistência no PT

A proposta foi desenhada pela cúpula da campanha presidencial como uma medida preventiva. A intenção é antecipar uma ofensiva da oposição, que planeja apresentar uma emenda mais abrangente, visando a redução da maioridade penal para todos os tipos de crimes. Ao restringir a alteração aos crimes hediondos, o governo busca limitar o alcance da medida e evitar que aliados da oposição, como o grupo ligado a Flávio Bolsonaro (PL), assumam o protagonismo do debate sobre segurança pública neste período eleitoral.

Apesar da estratégia, a medida contraria uma posição histórica do PT, que tradicionalmente se opõe a alterações dessa natureza. Dentro da bancada petista no Senado, o movimento de Camilo Santana é visto com cautela, gerando divisões sobre a eficácia e o custo político da proposta. Interlocutores do governo avaliam que a pauta, historicamente considerada um ponto de fragilidade para a esquerda, poderia ser utilizada para contrapor a imagem de permissividade com a violência.

Tramitação e o papel do Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), confirmou a inclusão da matéria na pauta de votações desta quinta-feira (15). A decisão ocorreu após a aprovação de um calendário especial pelos senadores, visando acelerar a tramitação do texto. A previsão é que a proposta seja examinada em dois turnos, a partir das 14h.

Existe, contudo, uma corrente no Planalto que defende o adiamento da votação. O receio é que a controvérsia sobre a maioridade penal ofusque a recente aprovação da PEC que extingue a escala de trabalho 6×1, considerada uma vitória estratégica para a campanha de reeleição de Lula. O governo busca equilibrar a necessidade de apresentar resultados na segurança pública com a manutenção de pautas que possuem maior apelo popular e menor desgaste ideológico.

Criação do Ministério da Segurança Pública

O avanço da PEC da Segurança Pública está diretamente ligado a um possível anúncio do presidente Lula: a criação do Ministério da Segurança Pública. O chefe do Executivo havia condicionado a oficialização da nova pasta ao progresso da proposta no Congresso. A medida visa ampliar a coordenação federal no combate ao crime organizado, integrando ações entre União, estados e municípios.

A proposta original da PEC busca constitucionalizar o Sistema Único de Segurança Pública, fortalecer a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal, além de prever a criação de polícias municipais. Contudo, a criação de um novo ministério a poucos meses do fim do mandato gera preocupações sobre o aumento de gastos públicos e a viabilidade de implementar mudanças estruturais com impacto imediato na segurança da população.

Definição de crimes hediondos

A legislação brasileira define como hediondos crimes de alta gravidade, incluindo homicídio qualificado, feminicídio, latrocínio, estupro, extorsão mediante sequestro e exploração sexual de menores. O rol também abrange delitos ligados a organizações criminosas e uso de armas de fogo. A emenda articulada por Camilo Santana focaria especificamente nesses crimes, mantendo a maioridade penal inalterada para delitos de menor potencial ofensivo.