A Prefeitura de Aracaju avança nas etapas técnicas para a construção do novo Cemitério Vertical Ecológico Municipal, uma iniciativa projetada para resolver a sobrecarga histórica nos cemitérios públicos da capital sergipana. A medida atende a uma demanda antiga do município e dá cumprimento a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público de Sergipe (MPSE) em 2006, que determinou a implantação de um novo equipamento funerário na cidade e que se encontra em fase de cumprimento de sentença desde 2022.
Conduzido por meio da Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb) desde julho de 2026, o projeto reúne estudos estruturais e ambientais voltados à otimização do espaço urbano. Na última segunda-feira, 2 de novembro, a prefeita Emília Corrêa destacou a importância da intervenção e reafirmou o compromisso de manter um diálogo direto com a comunidade do bairro Santo Antônio, local onde o cemitério será edificado.
Cemitério vertical ecológico e os avanços ambientais
A proposta do empreendimento prevê a construção inicial de 5 mil lóculos, mantendo a possibilidade de expansão futura com a adição de um segundo pavimento. O complexo público também abrigará ossuário, seis salas de velório, centro ecumênico, espaço de contemplação, sanitários e área de estacionamento.
Diferente dos modelos tradicionais de sepultamento, a tecnologia vertical ecológica evita a contaminação do solo ao isolar completamente o necrochorume. O sistema conta com mecanismos de inativação e tratamento dos gases liberados durante o processo de decomposição, garantindo padrões rigorosos de higiene e segurança sanitária.
Essa abordagem otimiza o uso do solo em áreas urbanas adensadas, permitindo acomodar um volume elevado de sepultamentos em uma área reduzida. Além do ganho de espaço, a alternativa assegura sustentabilidade e atende às exigências de proteção aos recursos naturais.
Desapropriação no bairro Santo Antônio e diálogo comunitário
No dia 29 de outubro, a prefeita assinou o decreto que declara a área no bairro Santo Antônio como de utilidade pública para fins de desapropriação. A decisão formaliza a etapa administrativa necessária para viabilizar o imóvel, seguindo as diretrizes legais e avaliações formais do município.
Ciente das inquietações levantadas pelos moradores locais quanto ao impacto da obra, a gestão municipal planeja reuniões com uma comissão de residentes. O objetivo do encontro, articulado ao lado da equipe técnica, é detalhar a proposta, responder a dúvidas e acolher sugestões da população da região.
A administração da Prefeitura Municipal de Aracaju ressalta que a busca por uma solução para a sobrecarga dos cemitérios municipais, como o São João Batista, precisa ser conduzida com transparência e participação comunitária.
Estudos técnicos, visitas de campo e prazos de licitação
A elaboração do projeto básico envolveu uma comissão integrada pela Emurb, pela Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) e pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema). Entre julho e agosto, os técnicos realizaram análises e efetuaram uma visita técnica ao Cemitério de Vinhedo, em São Paulo, para avaliar o funcionamento prático do sistema vertical. Experiências semelhantes em Belém, no Pará, e em Santos, em São Paulo, também serviram de referência.
O projeto executivo encontra-se em fase de elaboração por empresa especializada, com previsão de conclusão até o final de 2026. Esta fase abrange levantamentos topográficos, detalhamento das fundações e a integração da estrutura ao sistema patenteado de tratamento de gases.
Após o término do projeto executivo, o processo seguirá para a etapa de licenciamento junto aos órgãos ambientais e ao Corpo de Bombeiros. Somente com a emissão das licenças cabíveis a prefeitura abrirá a licitação para a escolha da empresa responsável pela construção da obra.

