O custo do conjunto de alimentos essenciais para as famílias brasileiras registrou uma queda em 26 das capitais do país no mês de julho. Os dados são parte da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, um levantamento realizado mensalmente pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
A análise, divulgada nesta segunda-feira (10), aponta que a capital sergipana, Aracaju, se destaca nesse cenário, com a cesta básica apresentando o menor valor médio do país: R$ 594,07. Essa posição coloca a cidade como referência para o baixo custo dos alimentos básicos entre as capitais brasileiras, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde a composição da cesta é ligeiramente diferente.
A redução nos preços, que representa um alívio no orçamento de milhões de brasileiros, foi impulsionada principalmente pela maior oferta de alguns produtos-chave, como batata, tomate, café e açúcar, que tiveram suas cotações reduzidas na maioria das cidades pesquisadas.
Reduções Expressivas em Capitais Pelo País
Na comparação entre julho e junho deste ano, as maiores diminuições no custo da cesta básica foram observadas em Natal, com uma variação de -7,95%, seguida por Maceió (-7,87%), Belo Horizonte (-7,44%), Palmas (-7,38%) e Rio de Janeiro (-7,12%). Outras capitais como Brasília, João Pessoa, Salvador, Fortaleza, Florianópolis e Cuiabá também registraram quedas significativas, variando entre 6,71% e 6,04%.
Apesar da tendência de queda generalizada, São Luís foi a única capital a registrar um leve aumento no custo da cesta básica, com uma variação positiva de 0,3%.
Aracaju e o Menor Custo de Alimentos Essenciais
Enquanto Aracaju lidera com o menor valor, outras capitais do Norte e Nordeste também apresentaram custos baixos para a cesta básica, com composições adaptadas regionalmente. Maceió registrou um valor de R$ 618,60, Natal R$ 631,51 e João Pessoa R$ 644,04. Em contraste, São Paulo, mesmo com uma queda de 5,23% em julho, ainda mantém o maior custo da cesta básica, com R$ 915,01. Cuiabá (R$ 881,27), Florianópolis (R$ 860,73) e Rio de Janeiro (R$ 855,37) também figuram entre as capitais com os valores mais elevados.
O Que Puxou os Preços Para Baixo?
A pesquisa detalha os motivos por trás da desvalorização de alguns itens que compõem a cesta básica, cujo conteúdo varia entre 12 alimentos nas regiões Norte e Nordeste e 13 no Centro-Sul do país.
Batata e Tomate: Safra Abundante e Impacto nos Valores
A batata apresentou as maiores quedas, variando de -31,12% em Brasília a -15,55% em Cuiabá. Essa redução é atribuída à maior oferta do alimento no mercado, impulsionada pela intensificação da safra de inverno e pela melhoria na produtividade, fatores que contribuíram para a desvalorização no varejo.
Similarmente, o maior volume de tomate disponível no mercado também influenciou a diminuição de seus preços. A maior produtividade, aliada a regiões em pleno período de safra e temperaturas diurnas mais elevadas (apesar do frio), favoreceu a maturação dos frutos, elevando a oferta e, consequentemente, reduzindo o valor de comercialização em 26 capitais.
Café e Açúcar: Expectativas de Produção Global
O café em pó teve variação negativa de preço em 23 capitais. As reduções mais expressivas foram em Campo Grande (-5,19%) e Aracaju (-3,74%). Os preços mais baixos são explicados pela expectativa de aumento na produção mundial e pela redução das exportações. Contudo, em algumas cidades como Rio de Janeiro (0,74%), Palmas (0,73%), Goiânia (0,68%) e Recife (0,29%), o café registrou alta, sustentada por preocupações climáticas, atrasos na colheita da safra 2026/2027 no Brasil e incertezas sobre a qualidade dos grãos.
O açúcar também teve seu preço diminuído em 20 capitais, com variações entre -7,54% em Campo Grande e -0,57% em Aracaju. O grande volume colhido de cana-de-açúcar é apontado como principal fator para essa queda nos valores no varejo.
Alimentos Que Ficaram Mais Caros: Carne, Feijão e Leite
Nem todos os itens da cesta básica seguiram a tendência de queda. Alguns produtos essenciais para o consumo das famílias brasileiras registraram aumento de preço em parte das capitais analisadas.
Carne Bovina: Cenário Diverso e Impacto em Aracaju
O valor do quilo da carne bovina de primeira apresentou um comportamento variado em julho. Embora a maioria das capitais (14 cidades) tenha registrado queda nos preços, com variações entre -2,94% em Florianópolis e -0,09% em Brasília, 12 capitais tiveram aumento. Em Aracaju, a carne bovina ficou 2,15% mais cara, uma das maiores altas registradas, junto com Boa Vista (2,10%). A oferta mais restrita de animais prontos para abate e o bom desempenho das exportações são fatores que pressionam as cotações do produto no mercado doméstico. Em Porto Alegre, o preço da carne permaneceu estável.
Feijão e Leite: Oferta e Condições Climáticas
O feijão, outro alimento de grande importância na mesa do brasileiro, ficou mais caro em 17 capitais e diminuiu em outras 10. A maior oferta do tipo carioca, impulsionada pelo avanço da colheita, contrastou com a oferta restrita do tipo preto, afetada pelas perdas na segunda safra da região Sul, resultando em um comportamento de preços diferenciado no varejo.
O leite também apresentou alta em 21 capitais, com aumentos que variaram de 0,25% em Belém a 6,27% em Boa Vista. As baixas temperaturas no campo impactaram negativamente o ritmo de produção da matéria-prima, sustentando as cotações do leite UHT.
Parceria Essencial para a Segurança Alimentar
A parceria entre a Conab e o Dieese, estabelecida em 2024, é crucial para o acompanhamento dos preços da cesta básica de alimentos. O objetivo é contribuir diretamente com a Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e com a Política Nacional de Abastecimento Alimentar. Por meio dessa colaboração, a coleta de preços de alimentos básicos foi expandida de 17 para 27 capitais brasileiras, e os resultados passaram a ser divulgados a partir de agosto de 2025.
Essa iniciativa permite um monitoramento mais abrangente e detalhado do cenário de preços, fornecendo subsídios importantes para a formulação de políticas públicas e para a informação do cidadão. Os dados completos da Análise Mensal da Pesquisa Nacional de Preços da Cesta Básica de Alimentos estão disponíveis nos sites oficiais da Conab e do Dieese.


