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Conselho da Justiça Federal suspende R$ 775 milhões em precatórios de hospitais

Conselho da Justiça Federal suspende R$ 775 milhões em precatórios de hospitais

Conselho da Justiça Federal suspende R$ 775 milhões em precatórios de hospitais

Suspensão de pagamentos bilionários

O ministro Joel Ilan Paciornik, do Conselho da Justiça Federal (CJF), determinou a suspensão imediata de nove precatórios que, somados, totalizam mais de R$ 775 milhões. A decisão atinge processos judiciais que envolvem a remuneração de hospitais privados por atendimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A medida visa garantir a verificação rigorosa da regularidade dos créditos antes de qualquer liberação de valores pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1).

Divergência sobre critérios de cálculo

O cerne da disputa jurídica reside na metodologia de cálculo utilizada para definir o valor devido pela União. O debate contrapõe a aplicação da tabela oficial do SUS frente ao uso da metodologia Tunep/IVR, que se mostra significativamente mais vantajosa para as instituições hospitalares. A decisão do ministro reforça a necessidade de observar as normas mais rígidas estabelecidas pelo CJF em outubro, que exigem a comprovação do caráter definitivo dos créditos e a inexistência de recursos pendentes.

Investigação sobre cessão de créditos

Além da questão técnica sobre os cálculos, o processo aponta indícios de irregularidades na gestão dos valores. Informações apresentadas pela Associação Brasileira dos Usuários do Sistema Único de Saúde (ABSUS) indicam que, em um dos casos, 70% do precatório foi cedido a uma empresa agropecuária, enquanto 30% foram destinados ao escritório de advocacia responsável pela causa. O fato alarmante é que, segundo a denúncia, nenhuma parcela do montante foi repassada ao hospital que detinha o direito originário aos recursos. O caso foi encaminhado para apuração pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal (PF).

Impacto nacional e repercussão no STF

A controvérsia em torno dos chamados “precatórios do Tunep” transcende a esfera administrativa do CJF. O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu recentemente a repercussão geral sobre o tema, sinalizando que a corte deverá uniformizar o entendimento sobre a remuneração paga pela União a hospitais privados que atendem pacientes do SUS. A decisão do Supremo será determinante para encerrar a insegurança jurídica que envolve milhares de processos similares em todo o país, estabelecendo uma diretriz constitucional definitiva para o setor.

A presidência do TRF1 foi orientada a solicitar manifestações urgentes do juízo da execução nos casos onde houver controvérsia, mantendo a suspensão de novos pagamentos até que a regularidade seja plenamente atestada pelos órgãos competentes.