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Da cova dos leões ao tabuleiro político: a volta de Ricardo Marques

Da cova dos leões ao tabuleiro político: a volta de Ricardo Marques

Por David Portugal

Não se passaram sequer vinte e quatro horas do anúncio oficial de Ricardo Marques como pré-candidato a governador pelo Partido Liberal, e a máquina de moer reputações já começou a trabalhar. E o pior de tudo: o ataque vem justamente daqueles que outrora eram amigos e aliados declarados, o que demonstra desespero ou a tentativa deliberada de construir uma narrativa falsa.

Ricardo Marques está de volta ao tabuleiro como uma peça grande, importante e que certamente irá redesenhar o jogo político e eleitoral de 2026. De vice-prefeito humilhado, escanteado e pisoteado pelo próprio grupo que jurou defendê-lo, ele ressurge no cenário político. A política tem dessas coisas: um dos soldados mais leais da oposição foi atirado na cova dos leões e de lá saiu depenado e malquisto. Teve seus espaços na gestão reduzidos a praticamente nada, virou piada e até mesmo chacota entre analistas e comentaristas políticos que o davam como carta fora do baralho.

Que ninguém tenha dúvidas de que Ricardo Marques, enquanto político, tenha cometido erros — e ainda cometerá outros ao longo de sua trajetória. Isso é natural e profundamente humano. Todavia, o rótulo de traidor não lhe cabe de maneira alguma. Em momento algum se encontrará um registro falado ou escrito do vice-prefeito desmerecendo ou desprezando o grupo de oposição e seus líderes. Na verdade, Ricardo não apenas levou um tapa na cara como também ofereceu a outra face, suportando por muito tempo, em silêncio, as dores e as agonias de ser expulso do seu próprio grupo.

Ao chamá-lo de traidor, Valmir apenas exercita uma velha máxima da política: acuse os adversários daquilo que você faz e chame-os daquilo que você é.

Não foi Ricardo Marques quem traiu parte do seu eleitorado, como fez Valmir quando subiu ao palanque de Rogério Carvalho, pediu votos para o candidato do PT, fez o “L”, passeou em praça pública ao lado do petista e ainda loteou a Prefeitura de Itabaiana com cargos direcionados ao Partido dos Trabalhadores. Todo bolsonarista sabe muito bem o que Valmir fez na eleição passada. E, diga-se de passagem, ele jamais assumiu o erro ou pediu desculpas por isso. Ao contrário, justificou sua escolha com base na própria sobrevivência política.

Na literatura universal, poderíamos dizer que Valmir brincou de ser Fausto e fez um acordo em que entregou seu destino político nas mãos de um petista de corpo, alma e coração.

Era sabido por este humilde cronista da vida política sergipana que a oposição e alguns de seus membros não teriam inteligência emocional para lidar com o possível anúncio de Ricardo Marques como pré-candidato a governador do Estado de Sergipe. Mas não imaginava que o nível seria tão baixo, rasteiro e vil.

De toda forma, o povo não é bobo. Engana-se quem acha que ainda pode controlar mentes e corações como no passado.

Como diz a passagem bíblica em Mateus:
“Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, mas não se dá conta da viga que está no seu próprio olho? Como pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu?”