No último sábado (27), o Dia Nacional do Quadrilheiro Junino foi celebrado de forma vibrante em Aracaju, Sergipe, com a realização da primeira semifinal do prestigiado Concurso Arranca Unha. O Centro de Criatividade se tornou palco de uma disputa acirrada, onde quadrilheiros de diversas gerações, com suas histórias de vida e dedicação, demonstraram a força e a paixão por essa tradição cultural, em um evento promovido pelo Governo de Sergipe, através da Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (Funcap).
Com arquibancadas lotadas e torcidas animadas, a noite evidenciou que a quadrilha junina transcende a simples dança, permeando a infância, o trabalho, a família e os sonhos daqueles que dedicam suas vidas a manter acesa essa chama. Grupos como Festa na Roça, Meu Sertão, Balanço do Nordeste, Retirantes do Sertão, Século XX e Unidos em Asa Branca subiram ao tablado, buscando uma cobiçada vaga na grande final da competição. O portal Imprensa 24h acompanhou de perto cada momento dessa festa da cultura sergipana.
A Força da Tradição e o Reconhecimento Oficial
O Dia Nacional do Quadrilheiro Junino, instituído pela Lei nº 12.390, de 2011, nasceu como uma forma de reconhecer e valorizar os artistas que, com sua arte, perpetuam essa manifestação cultural em todo o país. Recentemente, a relevância das quadrilhas ganhou um novo patamar com a Lei nº 14.900/2024, que as declarou oficialmente como manifestação da cultura nacional, selando o valor inestimável desse movimento popular.
Este reconhecimento legal é um marco para milhares de quadrilheiros e quadrilheiras que dedicam meses do ano à pesquisa, ensaios exaustivos, confecção de figurinos elaborados, montagem de cenários e à preparação musical e coreográfica. A cada apresentação, um espetáculo de cores, sons e movimentos que reflete não apenas uma dança, mas uma complexa cadeia de trabalho e paixão.
Bastidores de Uma Paixão: O Impacto Além do Tablado
Nos bastidores de cada performance de quadrilha junina, o trabalho é intenso e multifacetado. O movimento junino impulsiona diversas cadeias produtivas, gerando renda e emprego para costureiras, cenógrafos, produtores, coreógrafos, músicos e prestadores de serviços. Mais do que isso, a organização coletiva para a realização dos espetáculos cria fortes vínculos de convivência, pertencimento e formação, especialmente para jovens e adultos que encontram na quadrilha um espaço de desenvolvimento pessoal e social.
A Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (Funcap), responsável pela organização do Arranca Unha, tem um papel fundamental no fomento e valorização da cultura sergipana. É possível encontrar mais informações sobre as ações da Fundação em seu site oficial: www.funcap.se.gov.br. Essa iniciativa do Governo de Sergipe garante que a rica tradição do São João continue a prosperar no estado.
Histórias Que Inspiram: A Chama da Quadrilha Junina
Paixão Que Começa Cedo
Para muitos brincantes, a conexão com a quadrilha junina é uma herança que começa ainda na infância. Diego Andrade, presidente e quadrilheiro do grupo Festa na Roça, de Itaporanga d’Ajuda, conta que a tradição foi introduzida em seu município por um tio, inicialmente com uma quadrilha mirim e, posteriormente, com o grupo adulto. “Desde menino a gente foi se apaixonando pelo movimento junino e, quando menos espera, já está inserido nesse cenário. Estou há mais de 20 anos dançando quadrilha e fazendo cultura. Na Festa na Roça, a gente costuma dizer que não é só uma quadrilha junina, é uma família. Ser quadrilheiro é orgulho, é sangue, é vestir uma camisa que transborda emoção”, compartilhou Diego com o Imprensa 24h.
Conciliando Rotina e Arte
A vida de um quadrilheiro é um equilíbrio constante entre ensaios intensos, apresentações emocionantes, o trabalho e a vida familiar. Diego Andrade explica que, frequentemente, é necessário abrir mão de momentos em casa para assegurar a continuidade da tradição. “A gente está nesse movimento pelo amor à cultura, por manter viva essa tradição que é raiz aqui no Nordeste. Só quem é quadrilheiro sabe o que sente. A gente termina um ciclo e já começa outro. É uma paixão incomparável”, acrescentou.
Elia Carla, quadrilheira do grupo Meu Sertão, de Riachuelo, dança desde 2016 e vê na quadrilha um refúgio e um espaço de alívio em meio à agitação do cotidiano. “Minha paixão pela quadrilha junina vem desde criança. Quando tive a oportunidade de dançar, comecei e estou até hoje. Ser quadrilheira é muito cansativo, é angustiante às vezes, porque são muitos ensaios, mas também é muito gratificante. A gente fica feliz pelo trabalho realizado. O que me motiva é a diversão. Aqui a gente esquece um pouco dos problemas e fica feliz”, afirmou.
Para Antônio Júnior, da Balanço do Nordeste, a paixão pela quadrilha acendeu aos 17 anos, ao assistir a uma apresentação em sua cidade. Hoje, ele se desloca de Tobias Barreto para dançar em Umbaúba, encarando a jornada como parte de seu compromisso com a tradição. “Não é fácil sair do interior, é corrido, mas é uma correria gostosa. A adrenalina de se arrumar, vestir a roupa e subir no tablado é muito boa. O que me motiva é querer que a chama do São João nunca se apague. A gente torce pela cultura para que ela continue viva”, disse.
A Quadrilha Como Refúgio e Transformação
Existem aqueles que encontram na quadrilha junina um verdadeiro caminho de reinvenção e autodescoberta. Vanessa Santana, professora de Geografia e quadrilheira da Unidos em Asa Branca, dedica-se à dança há 20 anos e enfatiza o papel transformador que o movimento teve em sua vida. “Dançar quadrilha salvou minha vida. Foi a forma que eu tive de me reinventar enquanto pessoa, profissional, mãe e mulher. Na quadrilha junina, a gente vive fora do que a sociedade nos impõe e nos cobra. Eu sou feliz dançando quadrilha”, declarou.
Para Vanessa, o tablado é onde meses de dedicação se convertem em pura expressão artística. “É um momento mágico. A gente não está apenas perpetuando a cultura do nosso estado, está praticando aquilo que trabalhou durante meses, toda a ideia, a postura, a coreografia. É fantástico conseguir se expressar e receber do público esse retorno de que está tudo bonito. Ser quadrilheiro é ser feliz”, resumiu.
Júnior Vieira, integrante da Século XX, iniciou sua jornada na dança em 2015, em Carmópolis, após anos de admiração pelos grupos juninos de sua cidade. Atualmente, ele não só dança, mas também atua como coreógrafo, conciliando essa rotina com sua profissão de professor de matemática. “Minha cidade sempre teve quadrilha junina forte. Ver toda essa beleza me fez querer fazer parte. Hoje, como professor e quadrilheiro, entendo a importância de passar essa tradição adiante”, comentou Vieira.
O Que é o Dia Nacional do Quadrilheiro Junino?
O Dia Nacional do Quadrilheiro Junino, celebrado em 27 de junho, é uma data que homenageia os artistas e amantes das quadrilhas juninas, reconhecendo-os como pilares da cultura popular brasileira e guardiões de uma tradição que movimenta paixão, economia e laços sociais em todo o país. É um tributo àqueles que, através da dança, mantêm viva a alegria e a essência do São João.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Qual a data do Dia Nacional do Quadrilheiro Junino?
O Dia Nacional do Quadrilheiro Junino é celebrado anualmente em 27 de junho, em reconhecimento à dedicação e ao trabalho dos brincantes que mantêm viva a tradição das quadrilhas.
Quais as leis que reconhecem as quadrilhas juninas no Brasil?
As quadrilhas juninas foram instituídas com o Dia Nacional do Quadrilheiro Junino pela Lei nº 12.390, de 2011, e posteriormente declaradas como manifestação da cultura nacional pela Lei nº 14.900/2024, reforçando seu status cultural.
Como a quadrilha junina impacta a economia local em Sergipe?
A quadrilha junina em Sergipe movimenta uma importante cadeia econômica, gerando empregos e renda para setores como costura (figurinos), cenografia, produção de eventos, coreografia, música e serviços, além de fortalecer o turismo cultural durante o período junino.
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