A disputa pelo governo do Maranhão em 2026 apresenta um cenário distinto da polarização nacional entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Enquanto as forças políticas tradicionais do estado enfrentam divisões internas, o ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), consolidou-se na liderança das intenções de voto adotando uma postura de neutralidade em relação ao embate presidencial.
Cenário eleitoral e liderança nas pesquisas
De acordo com a pesquisa Quaest, divulgada em 24 de agosto, Eduardo Braide aparece com 44% das intenções de voto. O levantamento coloca Orleans Brandão (MDB), sobrinho do atual governador Carlos Brandão (MDB), na segunda posição, com 25%. O vice-governador Felipe Camarão (PT) registra 6%, enquanto Roberto Rocha (PRTB) soma 3%.
A fragmentação entre Orleans Brandão e Felipe Camarão evidencia o desgaste na aliança que governa o estado desde 2014, quando o grupo liderado pelo atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, assumiu o comando do Executivo estadual. As divergências, que já haviam dado sinais nas eleições municipais de 2020, intensificaram-se durante a atual gestão e culminaram no racha para a sucessão de 2026.
O racha na base governista
O planejamento original do grupo governista previa que o governador Carlos Brandão renunciaria ao cargo para disputar uma vaga ao Senado, viabilizando a ascensão de Felipe Camarão ao Palácio dos Leões. No entanto, a decisão de Brandão de permanecer no governo e lançar o sobrinho, Orleans, como sucessor, alterou o curso das articulações.
Essa movimentação criou uma situação inusitada para o PT, que agora se vê com dois palanques no estado: o de Orleans Brandão, que declarou apoio à reeleição de Lula, e o de Felipe Camarão, que representa a candidatura própria do partido ao governo maranhense.
Aposta na neutralidade e desafios da direita
Eduardo Braide tem mantido uma estratégia de distanciamento das pautas nacionais. Embora seu partido, o PSD, tenha Ronaldo Caiado como pré-candidato à Presidência, Braide evita o alinhamento ideológico. Em sua chapa ao Senado, o ex-prefeito acomoda nomes que divergem no espectro nacional, como André Fufuca (PP) e Lahesio Bonfim (Novo).
O candidato justifica sua posição argumentando que o Maranhão demanda foco em problemas locais e que, como futuro governador, terá a responsabilidade de manter um diálogo institucional com o presidente eleito pelo povo brasileiro, independentemente da sigla partidária.
Enquanto isso, a direita enfrenta dificuldades para ganhar tração. O PL, que apoia Roberto Rocha, também conta com Lahesio Bonfim, cuja força política se concentra no agronegócio e em regiões como Imperatriz e Balsas. Dados da Quaest indicam que o apoio de Flávio Bolsonaro é visto como um fator que reduz as chances eleitorais para 43% dos entrevistados, um desafio adicional para o campo bolsonarista no estado que possui o quarto maior colégio eleitoral do Nordeste, com 5,18 milhões de eleitores.

