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Cenário eleitoral em Sergipe é marcado por incertezas e clima atípico nas ruas

Cenário eleitoral em Sergipe é marcado por incertezas e clima atípico nas ruas

A campanha eleitoral em Sergipe apresenta um ritmo distinto do observado em pleitos anteriores. Com menos ruído nas ruas e uma presença reduzida de cabos eleitorais e carros de som, o clima de calmaria aparente contrasta com a intensa disputa nos bastidores e a volatilidade das pesquisas de intenção de voto. Esse cenário tem gerado um ambiente de incerteza sobre os resultados, especialmente nas corridas para a Assembleia Legislativa e a Câmara Federal.

A disputa pelo governo e a volatilidade dos números

A corrida pelo Palácio de Veraneio é marcada por uma constante oscilação nos levantamentos estatísticos. A chamada dança dos números impede que analistas e eleitores apontem, com segurança, o favorito na disputa. A falta de entusiasmo visível nas ruas, combinada com o tempo reduzido de campanha, dificulta o contato direto dos candidatos com todos os municípios sergipanos, o que pode reservar surpresas nas urnas no próximo dia 4.

O debate político também sofreu impactos diretos. A TV Itnet cancelou o confronto que seria realizado entre os candidatos ao governo, após a TV Sergipe agendar uma rodada de entrevistas no mesmo período. O candidato do PSOL, Helton Monteiro, criticou a decisão, defendendo a importância do embate direto entre os postulantes ao cargo.

Crise hídrica e embates políticos

A gestão dos serviços de água e esgoto tornou-se um dos principais eixos de confronto na campanha. O candidato Valmir de Francisquinho (Republicanos) tem centrado críticas à privatização do setor realizada pelo governo de Fábio Mitidieri (PSD). Para ilustrar a crise hídrica, a campanha de Francisquinho chegou a utilizar um carro alegórico durante carreatas, buscando visibilidade para o tema, que também tem sido alvo de críticas por parte de aliados do próprio governador, como o vereador Pastor Diego (União).

O clima de confronto se estende às redes sociais. O ex-governador Jackson Barreto (MDB) protagonizou uma troca de farpas com Valmir de Francisquinho. Após críticas de Barreto, o candidato do Republicanos reagiu, questionando a gestão do ex-governador e a atual administração estadual, além de sair em defesa da prefeita de Aracaju, Emília Corrêa.

Justiça Eleitoral e preparativos para o pleito

Enquanto o clima político se acirra, a Justiça Eleitoral avança nos preparativos técnicos. A partir da próxima sexta-feira, o Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE-SE) inicia a cerimônia de preparação das urnas eletrônicas. O processo, que se estende até o dia 28, envolve a carga de dados e a lacração dos sistemas para garantir a integridade do voto. Após essa etapa, os equipamentos serão distribuídos para os municípios do interior.

Além disso, o TRE-SE encerra hoje o prazo para que eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida solicitem o transporte especial. A medida visa assegurar que a limitação física não seja um impedimento para o exercício da cidadania, garantindo o deslocamento de ida e volta entre a residência e o local de votação, inclusive com acompanhante.

Greve na educação e luto na política

O setor educacional vive um momento de tensão. Professores da rede estadual, em greve desde a semana passada, intensificaram as manifestações com panfletagens em terminais de ônibus e ocupação da Secretaria da Educação. A categoria exige o cumprimento de uma decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o escalonamento da carreira do magistério. O governo estadual, por sua vez, busca na Justiça a declaração de ilegalidade do movimento paredista.

O estado também registrou o falecimento do ex-deputado estadual e pastor Antônio dos Santos, aos 70 anos. Aposentado da Petrobras, ele teve uma trajetória política marcada por passagens pela Câmara Municipal de Aracaju e quatro mandatos na Assembleia Legislativa. O sepultamento ocorreu no último domingo, no Cemitério Colina da Saudade.