O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, determinou nesta quinta-feira que o comando da investigação do caso Master ficará sob a responsabilidade da presidência da corte pelo prazo de até 90 dias. A determinação marca um novo desdobramento nas apurações que movimentam os bastidores do judiciário brasileiro e envolvem órgãos de cúpula do governo e da justiça.
Na mesma decisão proferida, o magistrado optou por devolver a investigação referente ao caso do INSS para a relatoria original do ministro André Mendonça. A justificativa apresentada aponta a ausência de conexão direta entre este procedimento e os pedidos de investigações sobre ministros que atualmente tramitam no tribunal superior.
Fundamentação jurídica e envio ao plenário
Para sustentar a permanência do caso Master sob sua condução temporária, Edson Fachin recorreu a dispositivos previstos na legislação vigente. Segundo o presidente, a Lei da Magistratura estabelece que cabe ao plenário, sob a relatoria do presidente, receber toda a investigação e proceder ao seu devido desmembramento.
Diante da relevância institucional do tema, o teor da decisão deverá ser submetido formalmente à apreciação do plenário da corte. O rito garante que o colegiado avalie os próximos passos procedimentais e a conformidade legal da medida adotada pela presidência.
Origem dos inquéritos e relatório da polícia federal
A tramitação atual tem raízes em movimentações ocorridas em setembro, quando as apurações de ambos os casos foram inicialmente remetidas à presidência do Supremo Tribunal Federal. O envio ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes repassar um relatório elaborado pela Polícia Federal.
O documento policial apontava um suposto favorecimento político na condução prévia dos inquéritos que estavam sob a responsabilidade de André Mendonça. A constatação gerou debates internos sobre a condução processual e exigiu a intervenção da cúpula do tribunal para redefinir a competência dos autos.
Manifestação da procuradoria-geral da república
Antes de definir os rumos processuais, Edson Fachin abriu espaço para a manifestação formal da Procuradoria-Geral da República. O órgão ministerial analisou o cenário e pontuou que não identificou a ocorrência de crime de abuso de autoridade na condução dos inquéritos atribuída a André Mendonça.
Além disso, a procuradoria ressaltou em seu parecer que eventuais apurações relativas a crimes de responsabilidade devem seguir para análise do Senado. Com isso, o andamento processual ganha contornos definidos enquanto o tribunal avalia os desdobramentos futuros.

