Pular para o conteúdo
Fim do split payment pode elevar alíquota de impostos, alerta equipe técnica

Fim do split payment pode elevar alíquota de impostos, alerta equipe técnica

Fim do split payment pode elevar alíquota de impostos, alerta equipe técnica

A possível extinção do split payment, mecanismo central na reforma tributária brasileira, acendeu um alerta na área técnica do governo federal. Especialistas do Poder Executivo avaliam que o abandono dessa ferramenta pode gerar um efeito colateral direto sobre a carga tributária: a necessidade de elevar as alíquotas cobradas sobre o consumo para compensar eventuais perdas na arrecadação.

O papel do split payment na reforma tributária

O split payment é um sistema desenhado para que o recolhimento de tributos ocorra de forma automática no momento da transação financeira. Ao segregar os valores destinados aos cofres públicos no instante do pagamento, o mecanismo reduz drasticamente as chances de sonegação e inadimplência, garantindo maior eficiência na arrecadação estatal.

Segundo a equipe técnica do governo, o mecanismo é essencial para a segurança do sistema. A avaliação é que, ao assegurar o pagamento automático, o Estado consegue manter a base arrecadatória estável, o que permite o controle das alíquotas. Sem essa garantia de fluxo, a pressão sobre o sistema tributário aumentaria, forçando o governo a elevar os percentuais sobre o consumo para atingir as metas fiscais necessárias.

Debate político e impacto no fluxo de caixa

O tema ganhou contornos de disputa política durante o período eleitoral. Críticos do modelo, ligados a setores da oposição, argumentam que a retenção automática dos impostos prejudica o fluxo de caixa das empresas, retirando capital de giro que seria essencial para a operação diária dos negócios.

Em contrapartida, a área técnica do governo defende que o modelo atual, onde as empresas pagam o tributo para depois buscarem o crédito, é ineficiente e oneroso. Argumentam que o split payment, ao simplificar a cadeia, torna os processos mais baratos ao longo das etapas produtivas, compensando a saída imediata do imposto com a redução de custos burocráticos e financeiros.

Implementação e alcance do mecanismo

A discussão sobre o fim do modelo causa estranhamento entre técnicos que acompanharam a construção da reforma. Muitos desses especialistas apontam que o desenho do sistema já prevê flexibilidades importantes para o setor privado. Entre 2027 e 2028, o uso do split payment será restrito a operações entre empresas (B2B) e terá caráter opcional, permitindo que o mercado se adapte gradualmente.

Para o consumidor final, nas operações de varejo (B2C), não há qualquer previsão de regulamentação ou aplicação do mecanismo no momento. O Ministério da Fazenda reforça que a intenção é seguir o cronograma estabelecido pela reforma tributária, mantendo a previsibilidade jurídica e econômica, a menos que novas determinações legais alterem o curso do projeto original.