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Flávio Bolsonaro aciona TSE para impedir uso de discurso de Lula na ONU em campanha

Flávio Bolsonaro aciona TSE para impedir uso de discurso de Lula na ONU em campanha

Flávio Bolsonaro aciona TSE para impedir uso de discurso de Lula na ONU em campanha

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) protocolou uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o objetivo de proibir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) de utilizarem imagens e trechos do discurso realizado na Assembleia Geral da ONU em peças de propaganda eleitoral. O pedido foi formalizado na madrugada desta quarta-feira, 23.

A defesa de Flávio Bolsonaro argumenta que o pronunciamento oficial de chefe de Estado foi transformado em conteúdo de campanha. Segundo a petição, o presidente teria inserido na fala temas recorrentes de sua plataforma eleitoral, como o fim da escala 6×1, o sistema Pix, as apostas esportivas, a soberania nacional e a exploração de terras raras. Além disso, o documento aponta que Lula fez referência direta ao pleito de 4 de outubro ao contrastar os conceitos de “democracia e negacionismo”.

Precedente jurídico e pedido de liminar

Para fundamentar a solicitação, a equipe jurídica, liderada pela advogada Maria Claudia Bucchianeri, cita uma decisão do próprio TSE em 2022. Na ocasião, a Corte proibiu Jair Bolsonaro, pai de Flávio e então candidato à reeleição, de utilizar imagens de seu discurso na mesma tribuna da ONU em sua propaganda eleitoral.

Em caráter liminar, a representação pede que Lula e Alckmin sejam impedidos de veicular, em qualquer meio de comunicação, imagens do pronunciamento ou de atos relacionados à viagem oficial a Nova York. A campanha solicita a aplicação de uma multa de R$ 50 mil por cada peça ou postagem que descumpra a eventual decisão.

Alegações de autopromoção e conduta vedada

O documento argumenta que a fala de Lula na ONU teria extrapolado as funções de chefe de Estado. “A fala de Lula era de um candidato. Não de um chefe de Estado. A ONU, no entanto, não é palanque”, afirma o texto, que também contesta trechos em que o presidente menciona sua trajetória pessoal, citando sua eleição por três vezes, o enfrentamento à ditadura e a retirada do Brasil do Mapa da Fome.

O processo, registrado sob o número 0602208-88.2026.6.00.0000, foi distribuído ao gabinete do ministro Nunes Marques. A ação é classificada como uma representação por suposta conduta vedada, focada no uso de bens e serviços públicos para benefício eleitoral. Este é o mesmo enquadramento jurídico utilizado pela campanha de Flávio Bolsonaro em outras investidas recentes contra o uso de estruturas oficiais pelo atual governo durante a corrida eleitoral.

A decisão sobre o pedido de liminar caberá agora ao relator, ministro Nunes Marques, após análise dos argumentos apresentados pela defesa e, possivelmente, manifestação da Procuradoria-Geral Eleitoral.

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