O governo federal corre contra o tempo para definir a continuidade do suporte financeiro ao preço do diesel. Com o fim da vigência da Medida Provisória (MP) 1.363 marcado para este sábado, 26 de setembro, a equipe econômica precisa decidir se manterá ou ajustará o valor da subvenção que atualmente ajuda a conter o impacto da volatilidade do mercado internacional nas bombas de combustível.
Pressão nos preços e paridade de importação
Dados recentes da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) revelam um cenário desafiador. Nos polos da Petrobras, a defasagem entre o valor do diesel praticado internamente e o preço de paridade de importação atingiu a marca de 3,38 reais por litro. Segundo a entidade, esse ajuste seria necessário para equiparar o produto nacional ao custo de importação, representando uma diferença de 103% em relação ao preço doméstico de referência.
Considerando a média dos principais polos de importação do país, a defasagem é de 2,90 reais por litro, ou 88%. A pressão sobre o diesel é significativamente superior à observada na gasolina, que apresenta uma diferença de 1,07 real por litro nos polos da estatal, equivalente a 35%.
O impacto das subvenções vigentes
Atualmente, o mercado opera com um colchão de 2,12 reais por litro, composto pela soma de duas medidas distintas: a subvenção de 1,12 real da MP 1.363 e um benefício adicional de 1 real criado pelo governo neste mês. A Petrobras aderiu ao programa mais recente, elevando o preço nominal às distribuidoras e aplicando um desconto equivalente para compensar o valor da subvenção.
Embora a expiração da MP de 1,12 real se aproxime, o governo possui margem de manobra. A nova medida provisória permite que o Ministério da Fazenda altere o valor da subvenção mais recente por meio de ato infralegal. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, indicou anteriormente que a manutenção ou retirada dessa parcela seria avaliada ao final de setembro, conforme a necessidade de preservação do equilíbrio de preços.
Custos e segurança do abastecimento
A decisão envolve um impacto fiscal bilionário. O custo estimado da nova subvenção de 1 real ao diesel é de aproximadamente 5 bilhões de reais mensais. Somado ao pacote que contempla gasolina e etanol, o impacto total aos cofres públicos chega a 7 bilhões de reais por mês.
Apesar da preocupação com os preços, o governo descartou riscos generalizados de desabastecimento para a safra 2026/2027. Segundo as autoridades, eventuais dificuldades relatadas na região Sul são consideradas pontuais. Contudo, a alta defasagem apontada pela Abicom permanece como um ponto de atenção, uma vez que a distância entre os preços domésticos e internacionais reduz a atratividade econômica para importadores independentes, que são fundamentais para garantir o suprimento nacional.

