O deputado federal eleito Claudio Mitidieri defendeu publicamente a adoção de medidas para conter a superlotação no Hospital de Urgências de Sergipe (Huse). Durante entrevista concedida ao jornalista Narcizo Machado no Jornal da Fan, da Rádio Fan FM, o parlamentar sugeriu restringir o atendimento na unidade hospitalar apenas para pacientes devidamente regulados.
A proposta visa reorganizar o fluxo da rede pública de saúde no estado e direcionar casos de menor complexidade para a atenção primária dos municípios, aliviando a pressão sobre a principal emergência de Sergipe.
Huse registra alta demanda por atendimentos de baixa gravidade
A justificativa apresentada por Claudio Mitidieri baseia-se em estatísticas recentes da própria unidade. Segundo o parlamentar, cerca de 60% das pessoas atendidas no local pertencem à categoria azul, destinada a quadros clínicos leves que poderiam ser resolvidos em postos de saúde municipais.
Na avaliação do deputado eleito, a dificuldade em agendar exames simples ou obter consultas básicas na rede municipal faz com que os cidadãos procurem o hospital para procedimentos de rotina ou sintomas leves. Para ele, essa procura direta desvirtua a finalidade do hospital de urgência, instituição alinhada às diretrizes do Ministério da Saúde.
Estratégia de regulação exige plano de acolhimento nos municípios
Embora defenda o fechamento das portas para demandas espontâneas como alternativa para combater a superlotação, Mitidieri ponderou que a mudança não pode ser feita de maneira abrupta. Ele ressaltou a necessidade de estruturar respostas prévias para acolher esses cidadãos.
O parlamentar enfatizou que os usuários não podem ficar desassistidos nem ser penalizados com a falta de atendimento. Por isso, defendeu a construção urgente de estratégias conjuntas entre o estado e as prefeituras antes de implementar qualquer restrição no Huse.
Financiamento estadual da saúde e a repactuação federativa
Além da gestão de fluxo dos pacientes, o deputado abordou a necessidade de revisar o financiamento da saúde pública entre as esferas de governo. Ele lembrou que o Governo de Sergipe destinou cerca de 18,5% de suas receitas ao setor no último ano, valor superior ao limite constitucional mínimo de 12%.
Mitidieri apontou que o governador Fábio terá o papel de dialogar com os prefeitos, o Ministério Público e o Poder Judiciário para redefinir responsabilidades. A intenção é assegurar que cada município assuma a sua parcela no atendimento básico e evite a sobrecarga na alta complexidade estadual.

