O Paraguai chega à reta final das negociações sobre as condições financeiras da usina de Itaipu com um novo elemento no cenário geopolítico e econômico. O anúncio de uma parceria com investidores americanos para utilizar a energia da hidrelétrica em projetos de inteligência artificial altera os incentivos comerciais da binacional e adiciona complexidade às conversas com o Brasil.
A menos de três meses do início de 2027, Brasil e Paraguai ainda não concluíram a revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu. O texto estabelece as bases financeiras e de comercialização da energia, abrangendo desde o preço da eletricidade até as condições para que o país vizinho comercialize livremente sua parcela excedente.
Impactos na demanda e na oferta de energia
A previsão de instalação de um complexo de processamento de dados próximo à subestação de Itaipu reforça a estratégia de atrair grandes consumidores locais. Esse movimento reduz gradualmente a dependência paraguaia em relação à cessão de energia ao mercado brasileiro, alterando os interesses econômicos que orientam a diplomacia energética.
Dados oficiais mostram que o volume da parcela paraguaia comercializado no Brasil registrou forte queda nos últimos anos. No mesmo período, o fornecimento de Itaipu direcionado ao consumo interno do Paraguai apresentou avanço expressivo, impulsionado pela busca de alternativas industriais e tecnológicas dentro do próprio território.
A divergência em torno da tarifa e do Anexo C
A questão tarifária permanece como um dos principais pontos de atrito entre os dois governos. Enquanto o lado brasileiro defende a redução dos custos para aliviar as contas de luz dos consumidores domésticos, o governo paraguaio argumenta que a hidrelétrica deve continuar financiando o desenvolvimento e a infraestrutura local.
Interlocutores avaliaram recentemente valores intermediários para o custo unitário da eletricidade a partir de 2027. A resistência paraguaia a diminuições acentuadas ganha fôlego justamente com a chegada de novos investimentos estrangeiros e a adesão a iniciativas internacionais voltadas a tecnologias estratégicas.
Reflexos financeiros para o consumidor brasileiro
As consequências da revisão do Anexo C ultrapassam a quantidade de eletricidade disponível e alcançam diretamente os encargos suportados no Brasil. A legislação determina que parte de eventual excedente econômico resultante da renegociação seja direcionada para amortizar despesas setoriais e conter o avanço de subsídios nas tarifas.
Uma tarifa final acima do custo estrito de operação pode limitar o alívio esperado para o mercado nacional. Assim, a contenção dos custos da energia elétrica segue como um desafio central, influenciando tanto a competitividade da economia quanto o orçamento das famílias.

