Uma complexa rede financeira, composta por fintechs, fundos de investimento e empresas de fachada, está no centro da nova fase da Operação Crédito Oculto, deflagrada nesta quinta-feira, 24. Segundo a Receita Federal, o grupo sob investigação movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. O esquema teria sido arquitetado para ocultar a origem e os verdadeiros beneficiários de recursos utilizados na compra de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do Brasil.
Estrutura financeira sob suspeita
A investigação aponta que a organização criminosa utilizou uma sobreposição de estruturas para mascarar o controle de ativos. Inicialmente, o foco teria sido a ocultação da titularidade de uma usina sucroalcooleira no interior de São Paulo. Posteriormente, a mesma estratégia foi empregada para viabilizar a aquisição da distribuidora de combustíveis. Entre as entidades citadas na apuração estão fintechs como a EntrePay — que está em liquidação extrajudicial desde março — e o BK Bank, além de escritórios de advocacia e holdings.
De acordo com os investigadores, um operador financeiro, que detinha o controle de diversas fintechs, teria utilizado a infraestrutura do seu próprio grupo para fragmentar e circular os valores. O objetivo era criar camadas sucessivas de distanciamento entre o dinheiro e os financiadores reais. A Receita Federal detalhou que, em um dos episódios, R$ 100 milhões transitaram por múltiplas contas de três empresas do grupo em questão de minutos, utilizando o que as autoridades classificam como “contas-bolsão”.
Fluxo circular e lavagem de ativos
O esquema não se limitava à circulação de valores. A investigação revelou que, após passar pelas contas de passagem, os recursos eram aportados em fundos de investimento criados especificamente para a operação. Em seguida, a estrutura envolvia a compra de certificados de depósito bancário (CDBV) e a emissão de cédulas de crédito bancário para empresas de fachada. Esse mecanismo permitia que o capital retornasse ao grupo de forma aparentemente legal, mas sem revelar a origem ilícita.
Outra operação identificada envolveu R$ 370 milhões em direitos creditórios da usina. A transação foi realizada por meio da transferência de cotas de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC). Segundo as autoridades, parte relevante dos recursos utilizados nessa aquisição teria vindo de fundos controlados pelo próprio grupo investigado, configurando um fluxo financeiro circular que dificultava o rastreamento pelos órgãos de controle.
Desdobramentos da investigação
A Operação Crédito Oculto é um desdobramento da Operação Carbono Oculto e cumpre mandados de busca e apreensão contra 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas em sete estados. A ação é conduzida de forma integrada pela Receita Federal, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pelas polícias Civil e Militar de São Paulo, contando com o apoio de unidades do Gaeco em outras seis unidades da federação.
A reportagem buscou contato com o BK Bank para esclarecimentos sobre as movimentações investigadas, mas não obteve retorno até o momento. A apuração segue em curso para identificar todos os envolvidos e o destino final dos valores. Para mais detalhes sobre o combate à corrupção e crimes financeiros, acompanhe as atualizações no portal Imprensa 24h.
Perguntas frequentes
Qual o valor total movimentado pelo esquema?
Segundo a Receita Federal, o grupo investigado movimentou aproximadamente R$ 11,6 bilhões entre os anos de 2021 e 2025.
Quais instituições estão envolvidas na investigação?
A investigação aponta o uso de fintechs, como a EntrePay e o BK Bank, além de fundos de investimento, holdings, empresas de fachada e um escritório de advocacia.
Qual o objetivo da Operação Crédito Oculto?
A operação visa desarticular uma estrutura financeira utilizada para ocultar a origem de recursos destinados à compra de uma grande distribuidora de combustíveis e de uma usina sucroalcooleira.
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