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Juros futuros sobem com nova pesquisa eleitoral e pressão externa

Juros futuros sobem com nova pesquisa eleitoral e pressão externa

Juros futuros sobem com nova pesquisa eleitoral e pressão externa

As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram a quarta-feira em trajetória de alta, pressionadas por um cenário de cautela que combina incertezas domésticas e forte volatilidade nos mercados globais. O movimento reflete a reação dos investidores à nova pesquisa eleitoral e à disparada dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries.

Impacto da disputa eleitoral nas taxas

O mercado financeiro reagiu ao levantamento Atlas/Bloomberg, que aponta um cenário de empate técnico na corrida presidencial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 47,7% das intenções de voto no segundo turno, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) registra 47,4%. Embora o resultado esteja dentro da margem de erro de 1 ponto percentual, o retorno de Lula à liderança numérica trouxe desconforto a investidores que priorizam a agenda fiscal.

Nas últimas semanas, o chamado “trade eleitoral” vinha sendo impulsionado pela percepção de fortalecimento da candidatura de Flávio Bolsonaro, o que favorecia o otimismo na bolsa e a queda dos juros futuros. A desconfiança do mercado em relação à gestão de Lula, especialmente no que tange ao controle das contas públicas e seus reflexos na inflação, faz com que qualquer sinalização favorável ao petista pressione o dólar e as taxas de juros para cima.

Pressão externa e rendimento dos Treasuries

Além do fator político, o ambiente externo contribuiu significativamente para a elevação dos prêmios de risco no Brasil. Os rendimentos dos Treasuries dispararam após a divulgação do Índice de Gerentes de Compras (PMI) dos Estados Unidos, que atingiu 58,4 em setembro, o maior nível desde julho de 2021. A expansão robusta do setor privado americano reforça a expectativa de que o Federal Reserve possa manter uma postura mais rígida na política monetária.

A analista Laís Costa, da Empiricus Research, destacou a relevância desse movimento global. Segundo ela, a taxa do título de cinco anos dos EUA acima de 5% é um indicador expressivo que acaba por elevar os prêmios de risco em mercados emergentes como o brasileiro. O cenário é agravado pela tensão geopolítica no Oriente Médio, que mantém o preço do petróleo em patamares elevados, adicionando um componente inflacionário global.

Expectativas para o Copom

Mesmo com a alta observada nesta quarta-feira, a curva de juros brasileira continua precificando a possibilidade de um novo corte na taxa Selic, atualmente em 13,75%, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Durante a tarde, o mercado estimava cerca de 60% de probabilidade para uma redução de 25 pontos-base.

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, reforçou em evento recente que o processo atual de ajustes na Selic é de “calibração”. Ele defendeu que, diante das incertezas atuais, a autoridade monetária deve manter movimentos suaves e cautelosos. A expectativa é que, após o segundo turno das eleições, a definição do cenário político reduza a volatilidade e permita que o mercado retome a tomada de risco com maior clareza sobre as diretrizes econômicas do próximo governo, conforme analisado pelo mercado.

Perguntas frequentes

Por que a pesquisa eleitoral afeta os juros?

O mercado financeiro reage às expectativas de política econômica de cada candidato. Candidatos vistos como menos comprometidos com o controle de gastos públicos tendem a gerar prêmios de risco maiores, elevando as taxas de juros futuros.

O que são os Treasuries e como influenciam o Brasil?

São títulos da dívida pública dos EUA. Quando seus rendimentos sobem, eles atraem capital global, forçando outros países a oferecerem taxas mais altas para manter investidores, o que encarece o crédito internamente.