O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, esclareceu os motivos que o levaram a não subscrever a carta assinada por treze ex-integrantes da Corte, que solicita uma apuração rigorosa sobre o caso envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro. Segundo o magistrado, a decisão de não assinar o documento foi motivada por um gesto de respeito ao atual presidente do STF, o ministro Edson Fachin.
Em entrevista, Marco Aurélio afirmou que, se estivesse no lugar de Fachin, não gostaria de receber uma manifestação pública dessa natureza, ressaltando que o atual presidente da Corte tem plena capacidade de conduzir a situação. “O ministro Edson Fachin sabe muito bem o que fazer”, declarou o ministro aposentado.
A busca por transparência no Supremo
Embora tenha optado por não integrar o grupo de signatários da carta, Marco Aurélio reforçou a necessidade de esclarecimentos por parte do tribunal. O documento em questão surgiu como reação à divulgação de mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, após o ministro André Mendonça levantar o sigilo de um relatório da Polícia Federal.
Para o ex-ministro, a sociedade brasileira aguarda um posicionamento claro e urgente sobre o episódio. Ele defendeu que a resposta ocorra em sessão pública, argumentando que a transparência é um pilar fundamental da administração pública. “Não existe melhor desinfetante do que a luz do dia”, afirmou, citando o jurista americano Louis Brandeis para enfatizar que a publicidade é a “medula óssea” do serviço público.
Decepção e reflexão sobre a indicação de Moraes
Durante a conversa, Marco Aurélio não escondeu o desapontamento com os desdobramentos das denúncias. O ministro aposentado, que apoiou publicamente a indicação de Alexandre de Moraes ao STF pelo ex-presidente Michel Temer, após o falecimento do ministro Teori Zavascki, admitiu que hoje lamenta o apoio dado na época.
“Eu apoiei pelo perfil, porque ele é um homem douto. Mas se arrependimento matasse, eu não estaria falando com você hoje”, desabafou. Apesar da crítica contundente, o magistrado reiterou sua posição institucional de que os problemas internos do Supremo Tribunal Federal devem ser resolvidos exclusivamente no âmbito da própria Corte, sem a interferência de outros Poderes.
A carta, que contou com a adesão de treze ex-ministros, não teve as assinaturas de Marco Aurélio Mello, Luís Roberto Barroso e Ricardo Lewandowski. O movimento dos magistrados aposentados reflete a pressão crescente por respostas institucionais diante das revelações trazidas pelo relatório da Polícia Federal.
Perguntas frequentes
Por que Marco Aurélio não assinou a carta?
O ministro afirmou que não assinou por respeito ao atual presidente do STF, Edson Fachin, acreditando que ele sabe como conduzir a apuração.
Qual a posição de Marco Aurélio sobre o caso?
Ele defende que o STF deve dar uma resposta urgente e pública à sociedade, mantendo a resolução do problema dentro do próprio tribunal.
Quem assinou a carta dos ministros aposentados?
O documento foi subscrito por treze ministros aposentados do Supremo, com exceção de Marco Aurélio Mello, Luís Roberto Barroso e Ricardo Lewandowski.
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