O Ministério da Saúde anunciou um plano estratégico para enfrentar os impactos do fenômeno El Niño no Nordeste brasileiro. Com a previsão de estiagem severa e ondas de calor extremo, o governo federal busca mitigar riscos à saúde pública, como desidratação, doenças cardiorrespiratórias, diarreia e o aumento da proliferação de arboviroses, a exemplo da dengue.
O cenário foi detalhado nesta quarta-feira (16) durante coletiva de imprensa com a participação do ministro Alexandre Padilha e técnicos da pasta. Segundo as projeções, o El Niño, que já opera em nível forte, pode atingir intensidade severa nos próximos meses, com efeitos persistentes até março de 2027.
Monitoramento climático e resposta rápida
Para antecipar medidas de proteção, o governo utiliza dados dos Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC) localizados em Salvador e Fortaleza. As informações coletadas orientam gestores na distribuição de medicamentos, na elaboração de mapas de calor e na emissão de alertas preventivos para a população.
A estratégia também foca na ampliação da capacidade de resposta a emergências. O Nordeste já conta com uma base da Força Nacional do SUS (FN-SUS) em Salvador, com unidades adicionais previstas para Recife e Fortaleza. O objetivo é que essas bases regionais consigam mobilizar equipes de atendimento em até 12 horas após a notificação de um desastre.
Infraestrutura resiliente e investimentos
Como parte do Novo PAC Saúde, o governo federal tem investido na construção de Unidades Básicas de Saúde (UBS) resilientes. No Nordeste, 968 unidades já foram entregues ou estão em fase de execução. Esses prédios são projetados para suportar eventos climáticos extremos, dispondo de energia solar, geradores próprios e sistemas de reserva de água com autonomia de até 72 horas.
O suporte logístico na região inclui ainda a entrega de 1,7 mil ambulâncias do SAMU, além de 18,7 mil cisternas e 77 soluções para acesso à água potável em áreas indígenas. O ministro Alexandre Padilha enfatizou a necessidade de adaptação contínua:
“É urgente avançar na adaptação climática porque as mudanças do clima estão afetando a saúde e levando pessoas à morte. A preparação é baseada na ciência e respeita os princípios do SUS”, afirmou.
A Força Nacional do SUS tem sido um pilar central nessa rede de proteção. Apenas em 2026, o órgão realizou 11 missões em oito estados, sendo cinco delas voltadas especificamente para o atendimento em situações de desastres, totalizando quase 5 mil atendimentos realizados por profissionais de diversas categorias.

