Investigação apura esquema de estelionato em Sergipe
A Polícia Civil de Sergipe deflagrou, nesta quinta-feira (24), a Operação Carta Marcada, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso especializado em fraudes no mercado de consórcios, veículos e imóveis. A ação cumpre cinco mandados de prisão e seis de busca e apreensão em diversos pontos de Aracaju, atingindo tanto residências quanto sedes de empresas suspeitas de envolvimento no esquema.
As investigações, coordenadas pela 7ª Delegacia Metropolitana de Nossa Senhora do Socorro, revelaram um modus operandi que utilizava o ambiente digital para atrair vítimas. Os suspeitos anunciavam em redes sociais a oferta de financiamentos, empréstimos e cartas de crédito, utilizando como chamariz a falsa promessa de que os produtos já estariam contemplados.
Como funcionava o golpe contra consumidores
O esquema envolvia a indução ao erro do consumidor. Após o pagamento da entrada, as vítimas descobriam que, na verdade, haviam assinado um contrato de consórcio convencional, que depende exclusivamente de sorteios ou lances para a liberação do bem, e não de uma contemplação imediata como prometido pelos vendedores.
Para conferir uma aparência de legitimidade às transações, o grupo adotava protocolos rigorosos de simulação. Eles realizavam gravações, aplicavam questionários e faziam ligações de confirmação após o recebimento dos valores, tentando criar um cenário de normalidade contratual que dificultasse a percepção da fraude pelas vítimas.
Volume de denúncias e crimes investigados
O inquérito policial, que conta com um vasto acervo de provas, já reúne 47 boletins de ocorrência registrados entre 2023 e 2026. Além dos relatos das vítimas, a polícia coletou contratos, comprovantes de transferências bancárias e análises financeiras que demonstram o fluxo do dinheiro para contas de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo.
As condutas estão sendo apuradas sob as tipificações de estelionato, crimes contra as relações de consumo, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Durante a operação, as autoridades também realizaram a apreensão de veículos de alto valor que estariam vinculados aos investigados, visando o futuro ressarcimento dos prejuízos causados aos consumidores.
Força-tarefa policial
A operação conta com o suporte estratégico de diversas unidades especializadas da Polícia Civil, incluindo a Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core), a Delegacia do Consumidor (Decon), o Depama e o Depatri. As diligências seguem em andamento para identificar a participação individual de cada integrante, rastrear o destino final dos valores desviados e localizar outros bens que possam garantir a reparação financeira das vítimas.

