Investigação aponta esquema bilionário de lavagem de dinheiro
A Polícia Federal deflagrou a Operação Unha e Carne, que resultou na prisão do deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil) e de Marcus Amim, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro. A ação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), também cumpriu mandados contra outros quatro policiais civis envolvidos em um complexo esquema de lavagem de dinheiro.
O grupo é suspeito de operar uma organização criminosa armada que utilizava uma vasta rede de postos de combustíveis na região metropolitana do Rio de Janeiro para ocultar e legalizar recursos ilícitos. Segundo as autoridades, o esquema movimentou mais de R$ 7,6 bilhões ao longo dos últimos seis anos, conforme dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF).
Estrutura da organização e atuação política
As investigações detalham uma estrutura dividida em núcleos funcionais. O núcleo político, supostamente liderado por Márcio Canella, atuava na articulação com agentes públicos e na sustentação do esquema. O ex-prefeito de Belford Roxo é apontado como o “patrono político” da organização, responsável por conectar integrantes do núcleo econômico e indicar nomes para cargos estratégicos na administração pública.
Já o ex-secretário de Polícia Civil, Marcus Amim, teria exercido o papel de operador institucional, garantindo proteção policial e administrativa ao grupo. Em troca, ele teria recebido vantagens financeiras por meio de empresas vinculadas a seus familiares. A decisão do ministro Alexandre de Moraes destacou que a atuação do grupo era coordenada e permanente, evidenciando uma clara interdependência entre os investigados.
Impacto econômico e medidas judiciais
Além das prisões, a operação determinou o cumprimento de 16 mandados de busca e apreensão e o sequestro de bens e valores. A Justiça também ordenou a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas ligadas à rede criminosa, sendo 96 delas postos de combustíveis. Essas unidades eram utilizadas para camuflar a origem ilícita dos valores movimentados.
Os envolvidos poderão responder por diversos crimes, incluindo organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel. O União Brasil, partido de Canella, informou que a defesa do deputado ainda não teve acesso aos autos do processo.

