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Pesquisas eleitorais e o desafio de captar o voto em Flávio Bolsonaro no 1º turno

Pesquisas eleitorais e o desafio de captar o voto em Flávio Bolsonaro no 1º turno

Pesquisas eleitorais e o desafio de captar o voto em Flávio Bolsonaro no 1º turno

O cenário das eleições de 2026 trouxe à tona, mais uma vez, o debate sobre a precisão dos levantamentos estatísticos no Brasil. No primeiro turno, a maioria dos institutos não previu que Flávio Bolsonaro (PL) terminaria à frente na apuração das urnas, alcançando 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula (PT). O resultado surpreendeu analistas e reaqueceu a discussão sobre a metodologia aplicada na coleta de dados.

Metodologias e o comportamento do eleitorado

A divergência entre as projeções e o resultado oficial gerou uma série de investigações internas nos institutos. Yuri Sanches, da AtlasIntel, aponta que a tomada de decisão tardia de parte dos eleitores foi um fator decisivo. Segundo ele, existe um grupo de cidadãos que migrou do voto em Lula em 2022 para Flávio Bolsonaro em 2026, mas sem um engajamento entusiasta, o que torna esse perfil mais difícil de ser captado em entrevistas.

Outro ponto levantado é a sub-representação de eleitores de cidades pequenas e do interior. A AtlasIntel, que utiliza coleta digital, investiga se esse público específico não está sendo alcançado com a mesma eficácia que o eleitorado das grandes metrópoles. A consolidação do voto na véspera do pleito aparece como uma variável que desafia a estabilidade das amostras estatísticas.

Visões divergentes sobre a captação de tendências

Felipe Nunes, da Quaest, defende que as tendências de mercado já sinalizavam a ascensão de Flávio Bolsonaro. Para ele, o levantamento realizado pelo instituto na véspera do primeiro turno captou o chamado voto útil de direita. Nunes argumenta que, ao observar a série histórica das pesquisas, era possível notar a estabilidade de Lula e o crescimento de Flávio, sugerindo que os dados não foram ignorados, mas interpretados sob diferentes perspectivas.

Em contrapartida, institutos como a Futura Inteligência e a Vox Brasil, que apontaram Flávio Bolsonaro à frente antes da votação, creditam o acerto às suas escolhas metodológicas. Paula Orrico, da Futura, destaca que as entrevistas por telefone permitem acessar perfis e localidades que o modelo presencial, muitas vezes limitado por restrições de acesso a condomínios fechados ou fluxos de rua alterados pós-pandemia, não consegue atingir com a mesma precisão.

O impacto do voto útil e da abstenção

Alberto Barros, da Vox Brasil, reforça que a mudança no comportamento do eleitor foi impulsionada pela busca pelo voto útil. Além disso, o analista observa que fatores externos, como as condições climáticas adversas em diversas regiões, podem ter desestimulado o comparecimento de eleitores lulistas às urnas, especialmente aqueles que, influenciados pela percepção de vitória antecipada, optaram pela abstenção.

O cientista político Hilton Fernandes, da FESPSP, corrobora a tese de que a rejeição em participar de pesquisas é um obstáculo real. Para ele, a dificuldade dos institutos reside em acessar grupos que evitam o contato com pesquisadores e que decidem o voto no último momento, sob forte influência de redes sociais e círculos de convivência próximos. Fernandes ressalta que, embora as variações sejam esperadas, a magnitude da diferença observada nas urnas exige uma revisão profunda nas técnicas de ponderação dos dados.

Para acompanhar o cenário completo, o JOTA PRO Poder utiliza um agregador que calibra os resultados com base na performance histórica de cada instituto, buscando oferecer maior previsibilidade para o segundo turno da disputa presidencial.