Mercado reage a sinais de negociação
Os preços do petróleo registraram nesta segunda-feira o menor patamar dos últimos 11 dias. A desvalorização da commodity é impulsionada pela expectativa de avanços diplomáticos no conflito entre Estados Unidos e Irã, especialmente com a realização da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, nesta semana.
O mercado também monitora de perto a recuperação parcial nos fluxos de exportação da Arábia Saudita. Às 6h (horário de Brasília), o contrato do Brent para novembro era negociado a US$ 101,75 o barril, uma queda de 2%. No mesmo sentido, o petróleo WTI para outubro recuou 2%, atingindo US$ 98,34.
Diplomacia e tensões geopolíticas
Apesar da retórica de ameaças trocadas entre Washington e Teerã no último domingo, o cenário de cautela foi atenuado por declarações do presidente Donald Trump. O mandatário norte-americano sinalizou abertura para um encontro com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, durante o evento da ONU. Analistas de mercado, como Tim Waterer, da KCM Trade, apontam que parte do prêmio de risco está sendo removida dos preços devido à esperança de um caminho diplomático para a redução das tensões.
O ambiente, contudo, permanece volátil. O Irã, por meio de declarações de autoridades da Guarda Revolucionária, reiterou que pode utilizar novas capacidades militares caso sofra uma ofensiva dos EUA. Paralelamente, o grupo Houthi, apoiado pelo governo iraniano, reivindicou ataques a instalações da Saudi Aramco em Yanbu e outros pontos estratégicos na capital saudita, Riad.
Fluxo de exportação saudita
A logística de transporte de petróleo no Oriente Médio tem passado por ajustes significativos. Após ataques ao oleoduto Leste-Oeste da Saudi Aramco, a estatal precisou redirecionar parte de suas operações. Dados de satélite analisados pelo JPMorgan indicam que o volume de petróleo saudita que transita pelo Estreito de Ormuz saltou para uma média de 2,9 milhões de barris por dia nos últimos seis dias.
O número representa um aumento expressivo em comparação aos 700 mil barris diários registrados em agosto. A China, que mantém laços comerciais com ambos os lados, teria solicitado ao Irã que exerça influência para conter as ações dos Houthis, atendendo a um apelo formal da Arábia Saudita para garantir a estabilidade das rotas de suprimento energético global.

